Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental


Edição do
CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento
do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa
Director: Prof. Doutor António M. de Almeida Serra
Redacção: A. M. de Almeida Serra; Catarina Ferreira
Este site transcreve a maior parte da informação contida na versão impressa do vol. 1, nº 3, de Julho/97.

O Ásia Oriental é editado no quadro do projecto de investigação PCSH/C/ECO/949/95 financiado pela JNICT-Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica
Índice

Comentário

Hong Kong ou Xianggang? A transição

Breves
As ligações Hong Kong-China
Singapura: alguns endereços úteis
"Overseas chinese" do Sudeste Asiático
"Como negociar com os chineses"?
8 países em relance
O CEsA na Internet


Fichas de informação conjuntural
China
Macau
Hong Kong
Taiwan
Coreia do Sul
Malásia
Singapura
Tailândia

Um país um mercado: O novo Vietname


Comentário

Hong Kong ou Xianggang? A transição


A (ex-)colónia britânica de Hong Kong regressou, às zero horas do passado dia 1 de Julho, ao seio da mãe-pátria, a China. Assim terminaram os cerca de cento e cinquenta anos de administração estrangeira da ilha de Hong Kong e da península de Kowloon e os 99 anos do aluguer dos Novos Territórios. Estes correspondem a 92% da ex-colónia e a não renovação do contrato do seu arrendamento foi a causa "técnica" da transição.
Total do "negócio": cerca de mil km2 mas, principalmente, 142,5 biliões de US$ de PIB global (pouco menos de 20% do da China que, recorde-se, tem 200 vezes a população de HK), 6,2 milhões de habitantes e, last but not least, mais de 65 biliões de US$ de reservas em divisas (a RPChina tem mais de 90; agora controla 160 biliões, as maiores reservas mundiais depois das japonesas, de 220 biliões).
Mas a grande questão que todos se colocam é "qual o futuro do Hong Kong chinês?"
Para a maioria dos observadores uma das questões fundamentais para a definição do futuro da nova Região Administrativa Especial (RAE) é a capacidade de a China compreender o modelo económico, social, cultural e político único de Hong Kong, em que predominam as regras económicas e políticas mais liberais da Ásia Oriental.
Ora, se alguns acreditam que as reformas económicas na China ensinaram o poder político do país a ser tolerante neste domínio, quase todos desconfiam da sua capacidade para aceitar algumas das regras da liberdade política (imprensa, associação e manifestação --- em particular se estiver em causa a mãe-pátria).
Sendo certo que a forma como é exercido o poder político é uma das principais componentes do ambiente económico e social em que se desenvolve a actividade económica, é legítimo recear que uma eventual opção chinesa por uma "democracia" musculada em Hong Kong --- e a opção por um regime "à la Singapura" já será um recuo --- tenha efeitos dissuassores sobre a actividade económica, principalmente em relação à presença de muitas empresas multinacionais e seus quadros, componente essencial do vigor da Região.
Aquelas, que iniciaram, ainda que não de uma forma massiva, um processo de deslocalização das suas actividadesl não directamente relacionadas com o mercado local e/ou da China, seriam então tentadas a aumentar a sua deslocalização --- nomeadamente para o Sudeste Asiático (Singapura e Kuala Lumpur estão à espreita...).
Mas outros observadores consideram que a principal ameaça a Hong Kong vem de dentro. Como dizia um empresário local à Fortune: "Se Hong Kong morrer será por suicídio e não por causa da China" (vd. Asian edition, 26/Maio/97).
As causas deste "suicídio" serão o elevadíssimo custo de vida e, genericamente, custo de operação no território, o sucesso económico da própria China e, por fim, a dificuldade de HK encontrar a sua vocação face às novas circunstâncias que rodeiam a sua vida económica, social e política.
De facto, se antes da abertura da China e, principalmente, antes da transferência para a mãe-pátria, a ex-colónia desempenhava um papel fundamental como porta para aquele país, agora corre o risco de ser "apenas" mais uma cidade --- caríssima!... --- da China: para quê utilizar esta porta se há agora outras mais baratas?!...
A bem de Macau, esperemos que os piores prognósticos sobre Hong Kong não se confirmem. Afinal os EUA também têm Nova York, Los Angeles, Chicago, etc...

Voltar ao índice

Breves


As ligações Hong Kong-China

Percentagem das re-exportações de Hong Kong com origem na China: 57,6%;
Lugar de HK entre os investidores na China: 1º;
Lugar da China entre os investidores em HK: 3º;
Parte das exportações chinesas manuseadas por HK: 50%;
Número de trabalhadores industriais em HK: 380 mil;
Número de trabalhadores industriais, na China, em empresas de HK: 5 milhões;
Total do comércio HK-China em 1979: US$ 3,4 biliões
Idem, 1996: US$ 135 biliões

Singapura: alguns endereços úteis
Singapura é o exemplo acabado de um país (uma cidade-Estado) que, no espaço de uma geração, conseguiu vencer o subdesenvolvimento e atingir um nível de rendimento per capita semelhante ao --- e até maior do que --- dos países desenvolvidos. Recorde-se, por exemplo, que com um PIB per capita de 26730 US$ (de 1995), Singapura excede o da potência que a colonizou, a Inglaterra (US$ 18700).
Embora com uma população de apenas cerca de 3 milhões de habitantes, aquele rendimento per capita faz do país um mercado apetecível e sofisticado com os seus cerca de 85 biliões de US$ de produto global.
Para os interessados aqui ficam dois endereços úteis:

EDB - Economic Develoment Board
250 North Bridge Rd
24-00 Raffles City Tower
Singapore 0617
Telf: 00/65/336 22 88
Fax: 00/65/ 339 60 77

TDB-Trade Development Board
230 Victoria St.
#10-00 Bugis Junction
Singapore 188024
Telf: 00/65/ 337 66 28
Fax: 00/65/ 337 68 88

Overseas chinese do Sudeste Asiático
Uma das características fundamentais das economias do Sudeste Asiático é o facto de todas elas terem comunidades chinesas economicamente muito importantes a que se convencionou chamar overseas chinese ("chineses de além-mar" numa tradução quase literal).
Conhecidos pela sua preferência por fazerem negócios no seio da sua etnia, não se recusam, no entanto, a estabelecer parcerias com outras comunidades se tal se lhes afigurar vantajoso...
Eles são, pois, potenciais parceiros (privilegiados?) em qualquer negócio com a região. Eis alguns indicadores do seu poder económico:
1 - nas duas últimas décadas, surgiram na região mais de 70 grandes conglomerados de empresas, na sua maioria controladas por overseas chinese;
2 - na Malásia, a população de origem chinesa representa 30% da população total mas detem cerca de 45% do capital social das empresas do país;
3 - na Indonésia, onde a população etnicamente chinesa é uma claríssima minoria (4%), ela controla cerca de 70-75% do capital privado do país.

Bibliografia sobre "como negociar com os chineses"
Neste domínio, a literatura é muito vasta. Alguns títulos estão disponíveis na Biblioteca do ISEG/UTL. Refiram-se apenas três:

1 - TRIGO, Virgínia Negociar na China, IPIM-Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau, Macau, 1995

2 - BLACKMAN, Carolyn Negociating China, Allen & Unwin, Australia, 1997

3 - DAVIES, Howard (ed) China business: context & issues, Longman, Hong Kong, 1995

8 países em relance
Este número do Ásia Oriental edita nas últimas páginas uma colecção de fichas sobre sete dos oito países cuja evolução conjuntural aqui se acompanha. Taiwan é o país em falta. Acrescentámos, porém, a ficha sobre o Vietname, tema de um artigo especial neste número.
Estas fichas, publicadas como no original (i.e., em inglês) constam do CD-ROM editado pelo Banco Mundial com o título World Development Indicators 1997.
Como Taiwan não faz parte do sistema das Nações Unidas, o Banco não publica informações sobre o país pelo que não incluimos a sua ficha.

NOTA da edição electrónica: pela natureza dos documentos referidos acima, não os podemos reproduzir aqui.

O CEsA na INTERNET
Desde há algumas semanas que o CEsA tem a sua própria homepage na INTERNET. Embora ainda em construção, ela pode ser consultada no endereço

http://www.iseg.utl.pt/cesa

Aí se podem encontrar informações sobre as actividades correntes do Centro, as suas publicações e os curricula vitae abreviados dos seus membros.

Voltar ao índice
FICHAS INFORMATIVAS POR PAÍS

China

Situação política
Tudo está bem quando acaba bem; e o processo de transição pacífica de Hong Kong para a soberania da República Popular da China acabou bem. Por isso, os dirigentes em Pequim podem dormir descansados. Pelo menos até à realização, no Outono, do próximo Congresso do Partido Comunista Chinês. Então se verá se o "verniz" estala e se se manterá a unidade que os actuais dirigentes têm mantido.
O objectivo que se segue --- a unificação com Taiwan, uma vez que Macau já tem o seu destino traçado --- imporá disciplina, consenso e estabilidade. Cremos que será este o panorama para os próximos tempos mas a China não deixa de nos surpreender de vez em quando...

Situação económica
O perfil essencial da situação económica no país é o da lenta recuperação económica com estabilização após o período de "arrefecimento" controlado para fazer baixar a taxa de inflação.
Uma das facetas desta evolução é o de um crescente abrandamento, embora selectivo, do controlo do crédito à economia de modo que ela cresça mas sem pôr em causa o esforço, bem sucedido, de estabilização.
Por outro lado, alguns observadores salientam que nos tempos mais próximos um dos fenómenos mais interessantes de seguir vai ser o comportamento das grandes empresas chinesas face ao mercado financeiro de Hong Kong --- e vice versa...
De facto, parece que tudo se conjuga para que aquelas passem a utilizar mais intensamente este para as suas actividades de captação de recursos e de aumento do seu peso específico quer na própria China quer no exterior.
Uma outra vertente da situação económica do país é a transformação do sector empresarial de Estado. Os seus crescentes prejuízos --- fala-se em cerca de 73 biliões de yuan em 1996 (cerca de 1,5 biliões de contos!), mais 37,5% que no ano anterior --- não permitem a manutenção da actual situação por muito mais tempo. Por isso deverá aumentar o ritmo da sua transformação em empresas de direito privado mas de capital público. Isto é diferente da sua privatização e não deve ser, pelo menos para já, visto como um passo para esta. No entanto pode/deve ser entendido como uma forma de as obrigar a uma maior adaptação às exigências do mercado e, consequentemente, a uma sua maior racionalização. As que não a conseguirem, acabarão na falência.

Produção
Os primeiros meses de 1997 foram caracterizados por sinais mistos sobre a recuperação económica: por um lado, abrandamento do crescimento da produção industrial; por outro, aceleração da procura para consumo interno e para exportação.
Note-se, porém, que aquele abrandamento da produção industrial se deve fundamentalmente ao sector empresarial de Estado já que o sector privado, incluindo as joint ventures com capital estrangeiro, aumentaram a sua produção mais do que a média global.

Comércio internacional
Como salientado acima, as exportações chinesas têm vindo a aumentar a um ritmo apreciável, servindo de base à recuperação da economia em geral. Assim, nos dois primeiros meses de 1997 elas aumentaram à taxa média anual de 20,5%.
Como as importações têm tido um crescimento muito mais lento (uma média anual de +2,8% em Janeiro e Fevereiro), o saldo comercial tem aumentado significativamente, situando-se nos US$ 3,8 biliões nos dois primeiros meses deste ano.
Estas tendências deverão ser alteradas ao longo do ano, prevendo se que as importações venham a crescer mais rapidamente que as exportações. O resultado será uma diminuição do saldo comercial dos US$ 12 biliões (1996) para US$ 8 biliões.

Inflação
Em resultado da luta anti-inflação que tem vindo a ser desenvolvida, o índice de preços no consumidor subiu apenas (taxas anualizadas) 2,9% em Fevereiro, contra 3,3% em Janeiro/97. Aquela taxa foi a mais baixa desde Novembro de 1994.

Moeda e taxas de juro
A taxa de crescimento da M2 nos últimos doze meses foi de cerca de 25%. A taxa de juro mantem-se em 10%.

Câmbios e reservas cambiais
A taxa de câmbio do Renminbi é actualmente de US$=RMB 8,29 (RMB=21$34PTE), esperando-se que daqui a seis meses seja de US$=RMB 8,33.
As reservas cambiais, entretanto, atingiram os US$ 114 biliões em Março passado, o que representa uma subida de 32 biliões de US$ relativamente ao mesmo mês do ano anterior (!).
Aquelas reservas representam quase 9 meses de importações, um valor importante para qualquer país.

Voltar ao índice

Macau

Situação política
Durante os últimos meses, à medida que o tempo passava acentuava-se a preocupação com a evolução da luta entre as seitas ligadas ao jogo.
Se este não é, em si mesmo, um fenómeno político, a verdade é que era o único facto que perturbava a calma vida política do Território --- agora que parecem definitivamente enterradas as suspeitas acerca do relacionamento entre o Presidente da República e o Governador.
Entretanto e pelo menos aparentemente, tudo parece ter sido resolvido com um acordo entre os interesses em jogo. Qual a parte que desempenharam as autoridades chinesas, a concessionária do jogo, as autoridades portuguesas e, last but not least, as próprias tríades é algo que provavelmente só muito poucos saberão. Mas que ficou a sensação de que o principal papel não foi desemepnhado pelas autoridades portuguesas, lá isso ficou.
  • Mas "poderia e deveria ser de outro modo?", é a pergunta que se pode fazer. Note-se que o próprio Governador tinha já dado o mote quando, há meses, chamou publicamente a atenção de Stanley Ho para a necessidade de a concessionária dar passos significativos para solucionar o problema.

    Situação económica
    A evidente melhoria da situação económica de Hong Kong tem beneficiado Macau através, nomeadamente, do aumento das receitas do jogo e de uma ligeira reanimação do mercado imobiliário.

    Produção
    Como se referiu já neste boletim, a taxa de crescimento do PIB registou em 1996 uma taxa de -0,3% devido, em parte, ao fraco desempenho do investimento (taxa de variação da FBCF = 16,9%), nomeadamente o ligado ao sector imobiliário. A evolução deste sector, por sua vez, prende-se com a evolução (negativa ou, pelo menos, de controlo apertado do seu crescimento) do crédito na R.P. China já que uma parte significativa da construção imobiliária em Macau é financiada com fundos originários daquele país.

    Comércio internacional
    As exportações de mercadorias registaram em 1996 uma baixa de 0,2% face ao ano anterior e as exportações totais (mercadorias mais serviços) aumentaram 0,4%.
    Recentemente, porém, tem-se assistido a um retomar do crescimento das exportações, o que ajudará ao processo de recuperação da produção.
    No mesmo sentido --- aceleração --- têm evoluído as importações, o que, conjugado com aquela evolução das exportações, confirma a tendência para a retoma da economia.

    Inflação
    O crescimento lento da economia tem proporcionado uma situação propícia a taxas de inflação baixas e em desaceleração. Assim, a inflação (taxa anualizada) baixou de 4,7% em Dezembro de 1996 para 3,6% em Abril passado.

    Moeda e taxas de juro
    Confirmando a fase menos boa que atravessou nos últimos tempos a economia do Território, os agregados monetários conheceram na primeira metade deste ano um abrandamento. De facto, a M2 aumentou nesse período apenas 5,9%.
    Porém, a evolução positiva do crédito interno aponta para a melhoria da situação que outros indicadores indirectos ajudam a confirmar.
    Quanto às taxas de juro, em Macau elas dependem essencialmente do comportamento do mercado de Hong Kong --- que, por sua vez, está ligado ao americano ---, que evoluiu no sentido de alguma instabilidade das taxas de curto prazo mas de estabilidade das de longo prazo (vd. a ficha sobre Hong Kong).

    Taxa de câmbio e reservas cambiais
    A taxa de câmbio da pataca relativamente ao dólar americano é (fim de Junho) de MOP 7,98/US$. A taxa face ao escudo é de cerca de PTE 22$04/MOP, valor bem mais alto (+10%) que os ±20$00 da rule of thumb usualmente utilizada.
    Dado que a pataca acompanha, através da sua indexação ao dólar Hong Kong, o US$, ela sofreu recentemente uma apreciável valorização face às moedas do sistema monetário europeu --- p. ex., o escudo.
    As reserva cambiais do Território mantiveram-se ao longo do primeiro semestre em valores próximos dos 2,4 biliões de US$, o que faz com que Macau tenha um volume de reservas per capita dos maiores do mundo --- triplo do de Portugal, por exemplo.

    Voltar ao índice

    Hong Kong

    Situação política
    Para além de uma guerra, que maior modificação pode haver para um território que não a mudança da soberania sobre ele? Foi o que aconteceu a Hong Kong às zero horas do passado dia 1 de Julho.
    Passada a euforia (para a maioria...), as realidades do dia a dia e as respostas que o novo poder local encontrar para elas é que definirão qual o clima político da nova Região Administrativa Especial de Hong Kong (designação em chinês: Xianggang).
    Até agora, o saldo é nitidamente a favor das novas autoridades e, principalmente, do seu seu líder, Tung Chee Hwa mas também é verdade que as suas declarações acerca da liberdade de imprensa e de manifestação têm contribuído para baixar a sua cotação nos corações dos seus concidadãos.
    Enfim, o tradicional alheamento da maioria dos chineses de Hon Kong em relação à coisa pública pode não se manter se o ambiente político em que estão habituados a viver se alterar significativamente. Só depois de terminada a "lua de mel" se começará a saber...
    Mas, se acreditamos que no futuro imediato tudo continuará a decorrer sem grandes diferenças em relação ao período colonial que agora termina, também acreditamos que os dirigentes chineses de Pequim não hesitarão a interferir se sentirem que a RAEHK é utilizada como "submarino" para influenciar o percurso que traçaram para a mãe-pátria.
    Enfim, a não ser que, como dizem os nossos primos brasileiros, "se cutuque a onça com vara curta", ela não morderá...

    Situação económica
    As perspectivas favoráveis salientadas no número anterior deste boletim parece confirmarem-se.

    Produção
    As obras públicas e a construção civil (habitação e escritórios) continuam a influenciar positivamente o crescimento actual de Hong Kong. Este, segundo as estimativas governamentais para o primeiro trimestre de 1997, foi de 6% ao ano.
    No mesmo sentido jogam as despesas feitas pelos turistas que visitaram a Região durante o período em torno da transferência de poder.
    Importante para esta evolução é também a recuperação económica da (agora) mãe-pátria, a R.P. China. Em particular, o progressivo abrandamento das restrições ao crédito tem tido efeitos favoráveis em HK pois uma parte deste estará a financiar a reanimação do sector da construção civil .
    Por tudo isto, a taxa de variação do PIB deverá situar-se este ano nos cerca de 5,5%.

    Comércio internacional
    Ainda que o comércio externo de HK em Janeiro deste ano tenha manifestado tendências muito fracas quanto ao seu crescimento (as exportações aumentaram à taxa média anual de 0,7% e as importações à taxa de 1,1%), crê-se que este foi um comportamento temporário.
    De facto, espera-se que as exportações cresçam 8% em 1997 e que as importações aumentem 8,5% --- comparativamente com os 4% e 3%, respectivamente, do ano anterior.
    Esta evolução relaciona-se com a do comércio mundial --- em alta à taxa de 7,2% --- e a recuperação económica quer de HK quer da China.

    Inflação
    Parecendo confirmar a existência de um trade off entre crescimento e estabilidade dos preços, estes demonstram tendência para subirem, tendo sido de 7,1% em Janeiro deste ano. A taxa anual não deverá afastar-se muito deste valor.

    Moeda e Taxa de juro
    Respondendo às necessidades de uma economia em aceleração, a M2 aumentou dos cerca de 13% de meados de 1996 para os 21% de Janeiro/97.
    A prime rate é de 8,75%.

    Taxa de câmbio e reservas cambiais
    Agora que a transferência de poder está consumada, a política de indexação do dólar de Hong Kong ao dos Estados Unidos continua mais firme do que nunca, pelo que a taxa de câmbio daquele em relação a este se tem situado nos HK$ 7,74/US$.
    Em Março deste ano as reservas cambiais atingiram US$ 63,4 biliões, mais cinco biliões (!) que há um ano.

    Voltar ao índice

    Taiwan

    Situação política
    O principal facto político de Taiwan nos último tempos foi... a transferência de poder em Hong Kong. Isto é uma forma de chamar a atenção para o facto de que a alteração do estatuto da ex-colónia britânica, até agora o grande intermediário nas relações (económicas) entre Taiwan e a China continental, não poderá deixar de ter efeitos sobre a situação interna do país --- não muito diferente desde as últimas eleições --- mas, principalmente, sobre as suas relações com a R.P. China.
    O que de mais interessante haverá que acompanhar no futuro é a forma como as autoridades de Taiwan reagirão às inevitáveis abordagens --- directamente ou via Hong Kong --- que as autoridades de Pequim farão para tentarem concretizar o seu sonho de há anos: a reunificação completa da "Grande China".
    Estas reacções já se começaram a fazer sentir com o anúncio da proibição, pelas autoridades de Taiwan, que empresas nacionais invistam em determinados sectores da China Continental, nomeadamente nas infraestruturas e na produção de energia.
    Esta preocupação, associada à continuada recusa a que se estabeleçam ligações marítimas permanentes para trocas comerciais entre os dois países, fazem parte de uma estratégia destinada a controlar a crescente interpenetração entre as economias dos dois lados do estreito da Formosa --- 25% das empresas listadas na bolsa de Taipé têm investimentos na China, fazendo do seu país o principal investidor (era o segundo depois de Hong Kong mas este integrou-se na RPC).
    Tudo isto se prende com uma dupla necessidade: não deixar a economia do país tornar-se demasiado dependente das suas relações com a China (ainda?) comunista e assegurar o maior número de trunfos possíveis caso eventuais negociações entre os dois países venham, malgré tout, a estabelecer-se.
    Por outro lado e ainda a propósito da reunificação da "Grande China" é bom não esquecer aquilo que os dirigentes de Taiwan não se têm cansado de repetir a prpósito de eventuais paralelismos com a solução encontrada para Hong Kong: é que enquanto este era uma colónia administrada por uma potência estrangeira à região e à população local, Taiwan é hoje uma sociedade livre que rompeu as suas ligações políticas com a China continental há quase cem anos, quando a ilha se converteu em colónia japonesa.

    Situação económica
    Produção
    A produção industrial aumentou à taxa anual de 6% em Janeiro deste ano em parte devido à recuperação das exportações da indústria electrónica.
    Este aumento, ainda que moderado, é sinónimo de que a recuperação económica se está a consolidar, prevendo-se que o PIB cresça cerca de 6,1% em 1997 empurrado, nomeadamente, pela procura externa de bens e serviços, que deverá aumentar 6,8% em relação ao ano anterior.

    Comércio internacional
    Depois de ter tido um défice de 204 milhões de dólares em Abril --- o primeiro mês em que se registou um défice em quase dois anos ---, o país teve um superavite de US$ 1,6 biliões em Maio.
    Este saldo verificou-se num contexto de aumento das exportações --- ainda que a uma taxa inferior à das importações. À semelhança do que se passa com outros países da região, a anunciada recuperação do mercado mundial de produtos electrónicos na segunda metade deste ano ajudará a um aumento ainda mais significativo do saldo comercial externo.

    Inflação
    A taxa anual de inflação em Taiwan, que no Verão do ano passado atingiu o seu máximo dos últimos anos com a marca de 5%, situou-se em Abril passado nos ... 0,5% (!). Entretanto teve um agravamento para 0,75% em Maio devido a uma causa eminentemente pontual: a subida do preço da carne de porco na sequência da morte de muitos animais devida à peste que os atacou.

    Moeda e taxas de juro
    Depois de ter baixado dos 16% até aos 9% entre o segundo trimestre de 1994 e o final de 1996, a taxa de crescimento de M2 aumentou em Fevereiro para 10%, dando sinal de que as autoridades monetárias querem ajudar à consolidação da recuperação da economia mas sem abrandarem o seu controlo --- nomeadamente o dos preços.
    A prime rate é actualmente de cerca de 7%.

    Taxa de câmbio e reservas cambiais
    A taxa de câmbio é actualmente de TWD 27,89/US$, quando há um ano era de TWD 27,73/US$.
    Quanto às reservas cambiais, elas são actualmente de US$ 88,6 biliões, ligeiramente abaixo dos 90,8 biliões de US$ de há um ano.

    Voltar ao índice

    Coreia do Sul

    Situação política
    A Coreia já nos habituou nos últimos anos a uma grande regularidade da irregularidade (!) da sua vida política, com ex-presidentes e filhos de presidentes a serem presos sob a acusação de corrupção.
    Por isso, na frete política não nada de verdadeiramente novo a assinalar que possa alterar negativamente a situação económica.

    Situação económica
    Depois de um início do ano afectado por três semanas de greve e consequente quebra da produção (prevê-se que ela tenha crescido apenas à taxa anual de 4,4% contra os 7,3% do mesmo período do ano anterior), começam a aparecer vários sinais de que a produção está a recuperar.

    Produção
    Ilustrando esta melhoria, a produção industrial aumentou à taxa de 10,7% em Abril quando em Março o crescimento fora de 9,1%.
    Por outro lado, a taxa de utilização da capacidade produtiva aumentou de 80,3% em Março para 82,5% em Abril e a taxa de desemprego baixou no mesmo período de 2,9% para 2,7%.
    As indústrias que mais viram aumentada a sua produção foram a dos semicondutores (que conheceu uma taxa de crescimento de 55%!), a dos computadores e seu equipamento (47%) e a automóvel (13%).
    Como as vendas não têm acompanhado este aumento da produção, parte desta está a ser acumulada em stocks o que pode arrastar, a médio prazo e a não ser que a procura aumente --- a interna e, principalmente, a internacional já que é nos produtos a ela destinados que se verifica um maior desfasamento entre produção e vendas ---, um abrandamento da produção para permitir o escoamento dos stocks acumulados.

    Comércio internacional
    O saldo comercial externo da Coreia, que em Janeiro deste ano foi de 3,4 biliões de US$ e em Abril de 1,5 biliões de US$, reduziu-se a menos de metade deste valor (690 milhões) em Maio p.p., uma melhoria significativamente maior do que as previsões.
    Esta evolução surge no quadro de um crescimento de 8,8% das exportações de semi-condutores (a principal exportação do país, com 20% do total) que possibilitaram um crescimento global destas em 3,9%.
    Entretanto e em reflexo da quebra da procura interna (as importações de bens de capital e de matérias primas baixaram de 7,5% e 8,5% no ano terminado em Maio), as importações baixaram à taxa de 2,5%.
    Note-se, porém, que esta evolução favorável não deve deixar esquecer o facto de no ano transacto os preços unitários da exportação de produtos electrónicos coreanos ter baixado cerca de 43%, o que deixa antever a necessidade de, face à crescente concorrência internacional neste sector --- até das análises por país (Taiwan, Singapura, Malásia e Tailândia) que constam deste boletim resulta que vários países estão muito dependentes da produção deste sector ---, a Coreia pensar no upgrading da sua produção.

    Inflação
    A situação da economia coreana é propícia a uma moderação nas subidas dos preços. É isso que tem acontecido: contra o pano de fundo de uma taxa de inflação de 5% em 1996, as estimativas são agora de cerca de 4,7% em 1997 e de 4,4% em 1998.
    Estas previsões parece estarem a concretizar-se já que a taxa de inflação (IPC) foi de 4,3% em Março e de 3,8% em Abril p.p.

    Moeda e taxas de juro
    A taxa de juro prime rate é actualmente de 12,2% mas espera-se que haja no futuro uma (ainda que muito) ligeira baixa --- cerca de 1 ponto percentual.

    Taxa de câmbio e reservas cambiais
    Como salientámos no boletim anterior, o won tem vindo a desvalorizar-se significativamente face ao US$ pois passou de KRW 783/US$ no primeiro trimestre de 1996 para KRW 888/US$ actualmente.
    Por sua vez, as reservas cambiais da Coreia têm estado sujeitas a pressão devido à política governamental de não deixar desvalorizar demasiado o won relativamente ao US$. Assim, elas são actualmente de cerca de 30 biliões de US$, menos 10% que há um ano e equivalentes a cerca de dois meses de importação (recorde-se que a sugestão do FMI é que tal relação seja de 2,5 meses).

    Voltar ao índice

    Malásia

    Situação política
    Alegando um enorme cansaço derivado do exercício ininterrupto das suas funções durante os últimos dezasseis anos, o primeiro-ministro Mahatir Mohamad decidiu tirar um período de dois meses de férias no estrangeiro deixando em sua substituição o vice-primeiro-ministro.
    Este é o pano de fundo das frequentes mas relativamente pequenas tricas públicas que têm surgido entre vários ministros e que eram impensáveis se Mahatir estivesse presente no país.
    Uma das leituras que se poderá fazer desta situação é a de que há vários interessados em medir as suas forças e a do acting prime-minister, Anwar, na antevisão do período pós-Mahatir.
    Quanto a este, poder-se-á perguntar se estará tão longe como todos pensam? E será que o auto-afastamento de Mahatir não é obra da sua perspicácia política para ver, de longe, como --- e, principalmente, quem ... --- a situação evolui sem a sua presença na antevisão da sua própria retirada de cena por razões de idade e de saúde?

    Situação económica
    As autoridades económicas do país foram bem sucedidas no soft landing que impuseram para evitar que o sobreaquecimento que se começava a desenhar desembocasse num processo inflacionário.

    Produção
    No primeiro trimestre de 1997 o PIB cresceu à taxa anual de 8,2%, apenas 0,1 pontos percentuais abixo da taxa do mesmo trimestre do ano anterior.
    Esta taxa de crescimento fica-se a dever mais à produção para satisfação da procura interna --- nomeadamente para a construção de infraestruturas como, por exemplo, as torres gémeas da PETRONAS (as maiores do mundo) e o novo aeroporto internacional de Kuala Lumpur --- do que para satisfazer a procura externa.
    No entanto, esta produção também aumentou, ainda que menos que no trimestre homólogo de 1996. Especial destaque vai para a indústria electrónica, cujas exportações aumentaram 22,9% na sequência da reconstituição de stocks que se começa a fazer na previsão do crescimento da procura no segundo semestre deste ano.
    No entanto, se a produção estiver, como parece que está, a ser superior às vendas --- nomeadamente no mercado internacional ---, pode vir a colocar-se um problema de sustentabilidade financeira do processo devido ao aumento, para além do desejável, dos stocks.

    Comércio internacional
    Tal como salientado no boletim anterior, espera-se para este ano uma melhoria da situação da balança comercial.
    Para tal ajudará a recuperação das exportações da indústria electrónica e os efeitos positivos --- sobre as importações --- da valorização do ringgit face ao iene. De facto, de uma taxa de câmbio de MYR 2,681 por 100 ienes em 1995 passou-se, em Junho deste ano, para uma taxa de 2,1911 (13/6).
    Ora, sendo o Japão o principal fornecedor da Malásia, aquela valorização do ringgit terá efeitos benéficos na redução do custo global das importações.

    Inflação
    A taxa de inflação baixou dos 2,6% em Abril para os 2,5% em Maio (taxa anualizada).

    Moeda e taxas de juro
    A prossecução de uma política monetária que tem como objectivo contribuir para a baixa da taxa de inflação deverá permitir a manutenção da taxa de juro (prime rate) actual: 9 - 9,1%.
    A M2 aumentou cerca de 21,4% durante 1996 mas as taxas de variação por trimestre mostram uma tendência para uma política monetária crescentemente mais apertada: +27,2% no primeiro trimestrre e +20,9% no último.
    A taxa de crescimento da M2 foi de 17,6% em Abril e a dos empréstimos bancários, principal-mente destinados ao sector imobiliário, foi de 28,5%. Estas são taxas que, dadas as taxas de crescimento da produção (cerca de 8,5%) e dos preços (2,5%), dificilmente poderão ser consideradas representativas de uma política monetária muito apertada, Como a inflação parece controlada, não se prevê uma redução significativa da oferta de moeda, ainda que estejam a ser implementadas algumas medidas restritivas do crédito bancário.

    Taxa de câmbio e reservas cambiais
    Contrariamente ao que alguns analistas previam, a taxa de câmbio do ringgit desvalorizou-se ligeiramente nos últimos três meses, situando-se hoje nos MYR 2,51/US$, contra os 2,48 MYR/US$ de há cerca de três meses.
    As reservas cambiais da Malásia eram, em Fevereiro passado, de 26,1 biliões de US$, mais cerca de 10% do que no ano anterior.

    Voltar ao índice

    Singapura

    Situação política
    As características do regime político de Singapura não deixam espaço para uma actividade política muito significativa e especialmente interessante.
    No entanto é possível referir alguns elementos que nos últimos tempos marcaram a agenda política.
    O primeiro é o de que as relações com a Malásia têm atravessado alguns momentos de tensão, em parte devido a declarações infelizes do ex-primeiro ministro e actual "senior minister" Lee Kwan Yew.
    O segundo, é o de que todos esperam uma remodelação governamental para a primeira metade do próximo ano já que se tornam cada vez mais evidentes as fracas prestações de alguns dos actuais ministros.
    Last but not least, o de que o partido no governo desde a independência parece estar a tomar atitudes cada vez mais arrogantes em relação a eventuais opositores --- o que o coloca cada vez mais longe dos padrões tradicionais da democracia ocidental. Exemplo deste comportamento é a senha persecutória que se abateu sobre o principal líder da oposição, com os tribunais a desempenharem um papel de "yes, sir!" muito pouco dignificante.

    Situação económica
    Os sinais de recuperação da economia referidos no boletim anterior parece tardarem mas os observadores esperam que eles sejam nítidos no segundo semestre deste ano.

    Produção
    O quarto trimestre de 1996 registou um crescimento mais rápido do que o esperado (5,8% de taxa anualizada, contra 3,3% no terceiro trimestre).
    No primeiro trimestre de 1997 a taxa de crescimento do PIB deve ter sido de 4,3% e espera-se que atinja os 6% no segundo trimestre. Para isso ajudará a recuperação da produção industrial que, de uma quebra de 8,5% em Março, passou a um aumento de 2% --- taxa anual --- em Abril passado.
    Esta evolução parece confirmar as esperanças de, face à recuperação mundial que se verifica no mercado de produtos electrónicos, Singapura ver a sua produção de 1997 crescer 6,5-7% relativamente ao ano transacto. A maior parte do crescimento dar-se-á, portanto, a partir de meados do terceiro trimestre.

    Comércio internacional
    A taxa de crescimento das exportações de produtos não-petrolíferos foi, em Janeiro deste ano, de -3,1% mas a verdade é que ela chegou a ser de -8,8% em Novembro/96.
    Esta evolução tem a sua principal causa na evolução do mercado internacional de produtos da indústria electrónica.
    A anunciada recuperação deste sector no segundo semestre de 1997 --- em consequência, nomeadamente, do aumento das encomendas com origem nos Estados Unidos --- deverá reflectir-se nas exportações do país e, através delas, na sua produção.

    Inflação
    Uma política monetária tradicionalmente cautelosa e uma política cambial de taxa de câmbio estável entre os dólares de Singapura e americano são os ingredientes necessários para a estabilidade dos preços que se tem verificado.
    De facto, a taxa de inflação tem-se mantido abaixo dos 2%.

    Moeda e taxas de juro
    A M2 aumentou 0,5% no mês anterior e cerca de 10,6% desde há um ano. Isto representa uma estabilização da sua variação relativamente a 1996 e, consequentemente, uma política monetária cautelosa.
    A taxa de juro (prime rate) é actuamente de 6%.

    Taxa de câmbio e reservas cambiais
    A boa situação financeira do país --- as suas reservas cambiais aumentaram de US$ 69,3 biliões para US$ 77,3 biliões entre Jan/96 e Jan/97 --- é a responsável por uma ligeiríssima valorização do dólar de Singapura em relação ao dólar americano. Como este tem conhecido uma forte valorização nos últimos tempos, é natural que se esteja a deixar sobrevalorizar demasiado a taxa de câmbio.
    De facto, esta é actualmente S$ 1,42/US$ contra os S$ 1,43/US$ de há três meses.
    O resultado foi uma forte revalorização face ao iene, acompannahdo a desvalorização deste em relação ao US$. Assim, a cotação S$/100¥ era de cerca de 1,5 no início de 1996 e de 1,2 um ano depois.
    Esta valorização do dólar de Singapura pode limitar o fluxo de investimentos japoneses no país, pelo que, face à importância destes, as autoridades monetárias nacionais deverão actuar no sentido de evitar uma excessiva revalorização do S$ face ao iene. A presente evolução desta moeda face ao US$ ajudará a corrigir a situação.

    Voltar ao índice

    Tailândia

    Situação política
    A política de alguma austeridade --- visando o saneamento financeiro da economia, afectado por dificuldades de pagamentos em algumas grandes empresas dos sectores imobiliário e financeiro --- suscitou contestação ao Ministro das Finanças. Este acabou por se demitir. No entanto e apesar da heterogeneidade da coligação no poder, esta parece não estar, pelo menos para já, em perigo.
    Note-se, porém, que alguns observadores consideram que a sua queda é inevitável (e, até, salutar para o país...) face à quase paralisia de que ela dá mostras e à incapacidade de afrontar os enormes interesses que virão a ser afectados no inadiável processo de saneamento financeiro daqueles sectores.

    Situação económica
    As previsões de melhoria da situação económica elaboradas pelo governo não têm tido confirmação prática já que a recuperação da economia está a ser muito mais lenta do que se previa --- em parte como resultado da lentidão da recuperação da procura internacional da indústria electrónica.
    Porém, a crise económica do país passa também pela crise do sector imobiliário e, por arrastamento, das empresas financeiras, muitas delas demasiado dependentes daquele sector.

    Produção
    Correspondendo às dificuldades da recuperação que já se adivinhavam no trimestre anterior, o Banco da Tailândia revira recentemente o valor da taxa de crescimento prevista para 1997 de 6,8% para 5,9%.
    Na sequência da desvalorização --- ou, melhor, da depreciação resultante da mudança para um regime cambial de flutuação administrada --- introduzida no dia 2 de Julho (vd. ponto sobre taxa de âmbio), este valor voltou a ser revisto, agora para 4,8%.

    Comércio internacional
    A queda da procura interna, associada à das exportações, tem permitido uma redução das importações. Tudo somado, verificar-se-á uma melhoria do saldo da Balança de Transacções Correntes: o seu défice baixará de 8% do PIB em 1996 para cerca de 7,5% em 1997.
    Evolução ainda insuficiente, as autoridades tudo farão para reanimar as exportações.

    Inflação
    Devido à baixa conjuntura em que vive a economia do país, a taxa de inflação tem-se mantido reduzida: 4,3% no primeiro trimestre de 1997, contra os 4,6% do trimestre anterior e da média anual de 1996, 5,8%.
    Porém, a depreciação da moeda --- cerca de 15% nos primeiros momentos --- não deixará de trazer consequências neste domínio. Por isso se prevê agora que ela venha a atingir 6%.

    Moeda e taxa de juro
    Correspondendo à fase do ciclo em que a economia se encontra, a taxa de variação de M2 tem diminuído: de 21% há um ano para 9% hoje.
    A prime rate é de 13% mas na sequência da alteração da taxa de câmbio o Banco central aumentou a sua taxa de redesconto em 2,5 pontos percentuais para tentar evitar a fuga de capitais.

    Taxa de câmbio e reservas cambiais
    As pressões a que o baht vinha sendo sujeito atingiram o ponto máximo em meados de Maio passado, quando vários bancos centrais da região apoiaram o Banco da Tailândia a lutar contra a desvalorização --- o que terá custado a este cerca de 6 biliões de US$ das suas reservas.
    Porém, isso não foi suficiente para evitar o que parecia a muitos inevitável --- mesmo que não aconselhável: a flutuação do baht (desde 2 de Julho) em busca da sua taxa de mercado. Esta, para já, parece fixar-se nos cerca de 29 baht/US$, o que constitui uma forte depreciação (mais de 15%) relativamente às últimas cotações (+/-26 baht/US$).
    As reservas cambiais do país baixaram de US$ 38 biliões em Mar/97 para US$ 33 biliões em Maio passado devido ao esforço (inglório) de defesa da cotação da moeda.

    Voltar ao índice

    Um país, um mercado

    O novo Vietname

    A 20 de Julho p.f. realizam-se no Vietname eleições para a Assembleia Nacional. A grande novidade é que os três principais políticos do país não se apresentarão às urnas. O resultado prático é que dentro de cerca de três meses deixará o poder o triunvirato que, algo à semelhança de Deng Xiaoping na China, imprimiu uma alteração profunda na organização económica do país. Trata-se do Secretário Geral do Partido Comunista, Do Muoi (80 anos), o Presidente da República, Le Duc Anh (76 anos) e o Primeiro-Ministro, Vo Van Kiet (75 anos).
    Aquela alteração, sintetizada na expressão "doi moi" (Renovação), teve o seu início em 1986, quando o programa de reformas foi aprovado pelo 6º Congresso do Partido Comunista (cerca de sete anos depois da R.P. China). No essencial, ela consistiu na opção pela transformação de uma economia de direcção central numa em que os sinais do mercado são fundamentais e em que a inserção do país na economia mundial, quer através das trocas comercais quer através do investimento directo estrangeiro, é cada vez mais importante.
    Uma tão profunda modificação dos fundamentos do funcionamento da sociedade vietnamita --- ou, melhor, da sua vertente económica e social já que as estruturas políticas continuam controladas pelo partido único no poder --- dificilmente poderia deixar de ser levada a cabo sem que se notassem algumas contradições. Elas estão bem patentes na expressão que se segue (retirada da Constituição aprovada em 1992) e que procura sintetizar o caminho a seguir: o país procurará prosseguir a via de "... uma economia multisectorial de mercadorias a operar através de mecanismos orientados para o mercado sobre a administração do Estado e de acordo com orientação socialistas."
    Elementos importantes das reformas introduzidas foram (são) a liberalização dos preços, a reforma das empresas estatais e a liberalização do comércio externo do país. À semelhança do que sucedeu na China, o primeiro sector a ser objecto de transformação foi o agrícola através do desmantelamento do aparelho cooperativo de propriedades agrícolas e da devolução da terra aos agricultores. A liberalização quase total de preços atingiu também o mercado cambial, tendo a taxa de câmbio oficial alinhado rapidamente pelo seu valor de mercado.
    Importante também foi a liberalização da constituição de empresas privadas, a maioria das quais de pequena ou pequeníssima dimensão ou resultado da associação, sob a forma de joint ventures, entre o capital estrangeiro e o capital nacional, representado usualmente por empresas estatais.
    Note-se que esta atitude mais liberal não impediu que nos últimos anos se tenha assistido a um aumento da importância relativa do sector estatal na produção, sendo evidente a continuação do seu domínio sobre o sector industrial. Fruto da história do próprio processo de reformas, a propriedade estatal quase desapareceu na agricultura mas continua a desempenhar um papel relevante no sector dos serviços. O comércio, liberalizado, é um dos responsáveis pela maior presença do sector não-estatal de propriedade no sector dos serviços.



    Resultado das opções feitas na área económica e política é também o facto de nos últimos anos a taxa de crescimento do sector estatal ter estado vários pontos percentuais acima da do sector não-estatal.

    Taxa de crescimento do PIB
    1991 1992 1993 1994 1995
    PIB total 6,0 8,6 8,1 8,8 9,5
    - estatal 8,6 12,4 11,6 12,8 14,4
    - não-estatal 4,7 6,8 6,2 6,7 6,7
    Agricultura 2,2 7,1 3,8 3,9 4,7
    Indústria e construção 9,0 14,0 13,1 14,0 13,9
    Serviços 8,3 7,0 9,2 10,2 10,9

    Fonte: IMF Staff Country Report Vietnam -- recent economic developments, IMF, Washington, Dec/96, pg. 57

    Relações económicas externas; política comercial
    Elemento estruturante das reformas introduzidas foi também a opção por uma maior liberalização nas trocas internacinais e consequente inserção do país na economia internacional. Porém, a procura de um nível apreciável de autarcia característica quer das economias de direcção central quer da estratégia de substituição de importações continua a ser bem visível em vários sectores industriais, nomeadamente o da energia e da indústria pesada.
    Apesar --- ou por causa ... --- desta política de maior abertura ao exterior, o Vietname tem actualmente déficites comerciais que em 1996 foram de -4,1 biliões de US$ que se estima venham a atingir os -5,3 este ano (-1,1 biliões de US$ nos primeiros cinco meses). As previsões para os anos seguintes (até 2001) são de uma quase estabilização deste déficite em valores em torno dos 5,5-5,9 biliões US$.

    Principais indicadores económicos
    1994 1995 1996 1997 1998
    PIB % de variação 8,8 9,5 9,5 9,5 9,3
    - agricultura % de variação 3,9 4,7 4,5 4,5 4,1
    - indústria % de variação 14,0 13,9 13,3 13,3 13,0
    - serviços % de variação 10,2 10,9 11,1 10,8 10,7
    Investimento Interno Bruto % do PNB 26,0 27,5 30,1 31,0 31,5
    Poupança Bruta % do PNB 16,6 17,4 18,0 19,6 21,2
    Taxa de inflação (a) % variação IPC 14,4 12,7 6,0 7,0 6,0
    Oferta de moeda (M2) % de variação 27,8 22,6 22,3 22,0 22,0
    Exportação de mercadorias biliões US$ 4,1 5,2 6,8 8,3 9,9
    % variação 35,8 28,2 30,4 22,0 19,2
    Importação de mercadorias biliões US$ 5,2 7,5 10,2 12,0 13,7
    % variação 48,5 43,8 35,2 17,8 14,1
    Balança de Transacções Correntes (b) biliões US$ -1,3 -2,0 -2,9 -3,0 -3,0
    %PNB -8,5 -10,2 -12,2 -11,4 -10,3
    Dívida externa acumulada (c) biliões US$ 5,5 7,2 9,2 11,5 13,6
    (a) variação anual no no final do período; (b) Excluindo transferências officiais; (c) Dívida de médio e longo prazo em divisas convertíveis apenas; dados anteriores foram revistos de modo a incluir estimativas de uma parte do IDE que assume a forma de empréstimos em vez de equidades.
    Fonte: Dados fornecidos pelo Gabinete Geral de Estatísticas; Banco Estatal do Vietname; Ministério das Finanças; e estimativas do Asian Development Outlook.


    Nota: Apesar do esforço considerável para melhorar o seu serviço de estatística, a capacidade de recolher e analizar informação no Vietname ainda é rudimentar, não sendo de estranhar uma certa tendência, características também de outras conomias de direcção central, para "fabricar " alguns números

    A esta evolução não serão estranhas as opções quanto à política comercial externa e à manutenção do domínio do sector empresarial de Estado. Elas são apontados por alguns como responsáveis pelo abrandamento da economia --- a taxa de crescimento do PIB em 1997 deverá situar-se nos 6-7%, bem abaixo das previsões oficiais de 9% --- que alguns querem identificar como sinal de um certo esgotamento do efeito das reformas introduzidas há alguns anos. A retoma do élan inicial terá de passar, pensam alguns observadores, por opções mais claras que não poderão deixar de passar por um aprofundamento das transformações económicas em curso e, nomeadamente, pelo pôr em causa a determinância que o sector público produtivo continua a ter.

    Fenómeno já constatado em outras industrializações com características semelhantes, o governo afirma que os saldos negativos da balança comercial são normais na presente fase de crescimento da economia já que as importações --- pelo menos as oficialmente registadas --- são quase exclusivamente de bens de capital e intermédios destinados a complexos industriais que virão a gerar exportações.
    Esta situação deve ser relacionada com os problemas burocráticos que os investidores estrangeiros encontram no estabelecimento das suas empresas pois eles têm resultado num alargamento do prazo entre a importação do equipamento e a produção do primeiro produto exportável. A ser assim, pode-se dizer que a Balança de Pagamentos está a ser vítima do processo burocrático do país.

    Tendo em consideração a evolução negativa das contas externas, o governo está a tentar reduzir as importações através da restrição do crédito de curto prazo aos fornecedores. Simultaneamente, procura implementar medidas que levem os investidores estrangeiros a aumentar a componente nacional das suas produções através de compras no mercado local.

    Quanto aos países com os quais o Vietname comercia, é de realçar a crescente importância dos países industrializados e, dentro destes, da União Europeia. De realçar em especial a rápida evolução das exportações, com o Japão a ver diminuida a sua importância relativa em benefício de países da UE como a Alemanha e a França.
    Em relação às importações, são os países em desenvolvimento, nomeadamente os "tigres" Singapura e Coreia do Sul, os principais fornecedores do país. Se quanto à primeira o que parece motivar tal posição é a sua conhecida função de entreposto comercial, relativamente à Coreia está-se perante o efeito da sua crescente importância económica na região.

    Investimento Directo Estrangeiro
    Uma das facetas caracterizadoras das reformas introduzidas foi a publicação, logo em Dezº/1987, de legislação facilitando o investimento directo estrangeiro (IDE) no país, nomeadamente sob a forma de joint venture.
    Este tipo de empresas tem de ter pelo menos 30% de capital local, muitas vezes realizados sob a forma de mão-de-obra e de valor da terra utilizada pelo empreendimento.
    A necessidade desta última e o facto de as empresas estatais estarem em situação privilegiada para aceder a ela --- aos estrangeiros é vedada a sua posse --- faz com que a maior parte dos investidores estrangeiros tenham como sócio local uma empresa estatal.

    Para além de facilitar o acesso à terra, o sócio local da joint venture pode ser a chave para o sucesso do empreendimento graças ao seu maior à vontade no labirinto da burocracia vietnamita e ao conjunto dos seus contactos pessoais e institucionais, quantas vezes essenciais ao bom funcionamento do negócio. De facto, as ligações políticas de uma empresa estatal, permitindo-lhe obter licenças mais rapidamente e ultrapassar obstáculos burocráticos, são um activo por vezes mais importante do que os seus recursos financeiros e técnicos.

    O principal investidor no país é Taiwan, seguido por um conjunto formado pelo Japão, Hong Kong e Singapura. As regiões privilegiadas para a implantação do IDE têm sido a ex-Saigão e Hanói.

    O regime legal do IDE inclui (i) isenções fiscais várias; (ii) isenção de impostos sobre as importações de equipamento e matérias primas; (iii) redução de impostos sobre lucros obtidos em "indústrias prioritárias".

    O nível elevado de fluxos de IDE pode ser encarado como uma medida do elevado grau de confiança da comunidade financeira internacional mas também é uma fonte potencial de fragilidade pois a sustentabilidade do elevado crescimento do Vietname depende da instauração de um clima positivo ao investimento internacional. Ora, o (apesar de tudos) ainda limitado interesse dos investidores estrangeiros que se tem verificado é provocado por um contexto legal ambíguo, pela burocracia em massa e pela corrupção. A intensificação do investimento estrangeiro dependerá, pois, dos avanços que se conseguirem fazer para diminuir os custos derivados destes fenómenos.

    Para além dos factores dimensão do mercado e posição geo-económica, os investidores no país procuram também tirar partido dos níveis salariais ainda muito baixos e que faz dele um concorrente importante a vizinhos como a Malásia, a Tailândia e a própria China.

    Níveis salariais
    Os níveis salariais não estão estandardizados e têm uma estrutura de tal modo ineficiente que o motorista de uma empresa estrangeira pode receber mais do que o director vietnamita de uma joint venture.
    O salário mínimo mensal para os empregados do Estado --- incluindo o sector público produtivo --- é de US$ 11,00 mas as empresas estrangeiras estão sujeitas a um salário mínimo de US$ 35,00 (equivalente a cerca de 6000$00) desde meados de 1996. Note-se, porém, que nas regiões da capital (Hanói) e de Ho Chi Minh a média salarial é de cerca de US$ 45,00 por mês (cerca de 8000$00).
    Estes valores nominais dos salários são alterados com a imposição de cargas fiscais elevadas sobre o rendimento, as quais acabam por reduzir --- mas não eliminar --- a vantagem do país em custos do factor trabalho. Refira-se, por exemplo, que se estima que um empregado local que leve para casa US$ 1,500 por ano custe efectivamente à empresa estrangeira cerca de US$ 6,500 em impostos.

    Quanto ao regime de contratação de pessoal, uma empresa estrangeira que necessite de pessoal vietnamita deverá fazê-lo através das agências estatais apropriadas. Isto pode implicar uma espera significativa até conseguir o pessoal adequado --- em quantidade e em qualidade. Por outro lado, os salários destes seus trabalhadores serão pagos através da agência (ficando uma parte retida para pagamento de serviços.

    Voltar ao índice

    Voltar ao início da página
    Quaisquer comentários a esta webpage devem ser dirigidos a:
    António M. de Almeida Serra ( aserra@iseg.utl.pt)

    Copyright © CEsA , 1997
    Última versão: 18 de Julho de 1997

    Endereço desta página: http://pascal.iseg.utl.pt/~cesa/asiaor13.html