Ásia Oriental


Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 1; nº 4; 4º Trimestre/1997


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3º trimestre clique aqui

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Edição do
CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento
do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa

Director: Prof. Doutor António M. de Almeida Serra
Redacção: A. M. de Almeida Serra; Catarina Ferreira Este site transcreve a versão impressa do vol. 1, nº 4, 4º Trimestre/1997 (Outubro).

Este boletim é editado no quadro do projecto de investigação PCSH/C/ECO/949/95 financiado pelo ICCTI - Instituto para a Cooperação Científica e Tecnológica Internacional

Índice

Comentário

O Sudeste Asiático em transformação: para onde?

Breves
O Ásia Oriental na Internet
Fundo de apoio à internacionalização das empresas portuguesas
" Documentação sobre a Ásia no ISEG


Fichas de informação conjuntural
China
Macau
Hong Kong
Taiwan
Coreia do Sul
Malásia
Singapura
Tailândia

Impacto da crise cambial no Sudeste Asiático
A Ásia-Pacífico e os seus empresários

Um país um mercado: Singapura

Comentário



O Sudeste Asiático em transformação: para onde?


A recente crise cambial do baht e os achaques que têm atingido também outras moedas da região --- nomeadamente as da Malásia e das Filipinas --- trouxeram para o topo das preocupações de muitos analistas e políticos da Ásia Pacífico (e não só) as transformações por que estão passando as economias da ASEAN-Association of Southeast Asian Nations, instituição regional de cooperação política e económica que inclui a Tailândia, Singapura, a Malásia, a Indonésia, o Brunei, as Filipinas, o Vietname e, desde Julho deste ano, Myanmar e o Laos --- o Cambodja ficou, por enquanto, de fora devido à evolução recente da sua vida política interna.
De facto, estas economias têm atravessado nos últimos dois anos uma crise económica que, apesar de possibilitar a manutenção de taxas de crescimento apreciáveis --- i.e., superiores, em geral, aos 5-6% ---, mostra dificuldades em ser superada.
Esta crise tem como (aparente?) causa imediata a excessiva concentração de recursos destes países em sectores como o da construção civil, o da produção de bens para a indústria electrónica e o sector financeiro --- este com fortes ligações com o primeiro. Resultado e manifestação daquela concentração é o sobreinvestimento e consequente sobredimensionamento da capacidade produtiva instalada nos dois primeiros sectores referidos. O excesso de construção --- principalmente para escritórios e com contornos de actividade essencialmente especulativa e não verdadeiramente produtiva --- é o responsável pela dificuldade da sua comercialização e consequente dificuldade em saldar os empréstimos contraídos para o seu financiamento, pondo em risco o sistema financeiro.
Esta crise conjuntural tem uma base estrutural. Esta, porém, pode ser bem mais profunda do que poderá parecer à primeira vista.
Na verdade, a actual situação económica da maioria dos países do Sudeste Asiático faz-nos recordar a conhecida tese de Paul Krugman sobre as características do milagre asiático: o de que ele se baseia mais em transpiração (e em especulação, nomeadamente imobiliária, acrescentaremos nós...) do que em inspiração. Ou, dito de outra forma, menos heterodoxa, que o crescimento económico da região se baseia essencialmente na "velha" combinação (quantitativa) entre os factores capital e mão-de-obra e não na "nova" combinação (qualitativa) entre aquele, por um lado, e o capital "cinzento" e a tecnologia, por outro.
A confirmar-se que a actual crise conjuntural tem ligações com aquelas características estruturais, os países da região --- ou, pelo menos, o núcleo constituído pela Tailândia, Malásia e Singapura --- terão de introduzir modificações das suas estruturas produtivas de modo a fazerem o upgrade destas.
Este é necessário e urgente se o trio referido se quiser defender da concorrência que alguns dos seus vizinhos próximos (p.ex., o Vietname) e do resto da Ásia (p. ex. a Índia, o Paquistão e o Bangladesh) lhes movem, nomeadamente nos produtos e fases de produção em que é mais importante a abundância de mão-de-obra e consequente baixo nível salarial.
O problema que se coloca é, porém, o de saber se aqueles países têm suficiente capacidade endógena para definir e implementar as transformações estruturais necessárias. A Malásia, por exemplo, está neste momento a apostar tudo na passagem da produção de material informático para a de conteúdos (vd. no Ásia Oriental vol.1,nº1a referência ao multimedia supercorridor). Porém, o facto de não ter apostado atempadamente na formação do capital humano nacional --- antes preferindo, por opção do seu primeiro-ministro, investir em obras de fachada de que são exemplo as torres PETRONAS e o aeroporto em construção --- coloca-a agora numa grande dependência face ao know how estrangeiro, sempre muito volúvel e sensível às condições oferecidas para a sua instalação.
Mais, esta dependência não é só em relação aos conhecimentos mas também em relação ao capital e ao acesso ao mercado mundial, já que uma parte muito significativa (talvez a mais estruturante) do investimento na região é de empresas transnacionais. Como dizia um autor, o drama da região é que ela tem elevadas taxas internas de poupança mas esta é aplicada fundamentalmente em projectos de rendibilidade duvidosa (vejam-se os exemplos dados acima em relação à Malásia)
Tudo isto não deve, porém, fazer esquecer uma outra realidade que aqui queremos salientar: a de que estamos perante um conjunto de economias com quase 500 milhões de consumidores --- fazendo dela a terceira "área de povoamento" a nível mundial depois da China e da Índia ---, US$ 500 biliões de PNB e um rendimento per capita médio que actualmente é de cerca de US$ 1000 mas que cresce a um ritmo de 4-5% ao ano.
Aquela média esconde uma outra realidade: a de que neste grupo estão incluídas economias em que o PNBpc é de cerca de 20 mil US$ (como Singapura) ou de 3300 US$ (como a Malásia).
Saliente-se ainda que a presente crise cambial (que se crê já ter atingido, em geral, o seu ponto mais baixo) se traduziu numa quebra de cotações cambiais que variou entre os 5% do dólar de Singapura, os quase 30% do ringgit malaio e os cerca de 40% do baht tailandês.
Para bom entendedor...

Breves


O CEsA e o Ásia Oriental na INTERNET
Como já foi salientado na edição anterior, o CEsA tem desde há alguns meses a sua própria homepage na INTERNET. Sujeita a actualizações --- a mais recente das quais foi feita no início de Agosto p.p. ---, ela pode ser consultada no endereço
http://www.iseg.utl.pt/cesa.
A principal novidade da última actualização daquela webpage é a inclusão desta versão on line do boletim sobre a Ásia Oriental. A partir de agora ele passa, pois, a estar disponível também no site http://www.iseg.utl.pt/cesa/boletim.html
É a única webpage deste tipo de todo o espaço lusófono.
Esperamos que este passo contribua para um aumento significativo dos seus leitores. Em particular, será para nós muito grato se assim pudermos alcançar um número cada vez maior de leitores. E ainda mais grato é se recebermos feed back da parte destes...
Recorde-se que este esforço é feito no quadro do projecto PCSH/C/ECO/949/95 financiado pelo ICCTI - Instituto para a Cooperação Científica e Tecnológica Internacional (ex-JNICT), do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Fundo de apoio à internacionalização das empresas portuguesas
Conforme se vinha noticiando, foi recentemente lançado o Fundo para a Internacionalização das Empresas portuguesas.
Arrancando com uma verba de vinte milhões de contos financiados pelo Estado e pela banca, poderá ir até aos cinquenta milhões no final do século se entretanto os empresários o utilizarem na proporção esperada.
O Ásia Oriental faz votos para que estes o façam e aproveitem este apoio para se lançarem mais decididamente nos negócios com a Ásia. A nós --- e ao CEsA --- cabe-nos apoiar quem o solicitar através dos nossos conhecimentos e do acesso a informação macro-económica (e não só) útil.

Documentação sobre a Ásia no ISEG
A Biblioteca (CID) do ISEG dispõe já do que será a mais vasta documentação sobre aspectos económicos da Ásia dos nossos dias existente em Portugal. Ela está acessível ao público em geral em condições a estabelecer.
Recentemente, graças à cooperação entre o CEsA e o CID, incluiram-se nos ficheiros deste último (consultáveis via INTERNET através das homepages do ISEG e/ou do CEsA) os analíticos das revistas recebidas desde 1994 (cerca de 400 registos) e que publicam habitualmente textos sobre aquele espaço geográfico. Isto alargou em muito o número de registos sobre esta área. Até agora estes referiam-se apenas a livros e aos capítulos destes quando se tratava de obras colectivas.

China - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
A China parece estar em ano "sim"... Primeiro, foi o sucesso no controlo da economia e consequente baixa da inflação para níveis que fariam inveja a alguns países europeus; depois foi a transição de Hong Kong; finalmente, há cerca de um mês foi o XV Congresso do Partido Comunista Chinês.
A avaliar pelas principais decisões, parece estar-se perante um inequívoco --- poderá utilizar-se esta palavra em relação à China?!... --- caminho no sentido da crescente "civilização" do poder, com um simultâneo crescente peso dos homens que têm conduzido as reformas económicas do país nos últimos anos. É o caso do Zhu Rongji, o "papa" destas reformas, que se viu guindado à terceira posição na hierarquia do Partido, estando em tirocínio para ser o Primeiro-Ministro do país a partir de Março em substituição de Li Peng.
Um outro resultado do Congresso, com o maior interesse éconómico, foi a decisão de dedicar uma parte significativa do esforço das reformas a efectuar à reestruturação do sector das empresas estatais, o qual conta com cerca de 370 mil unidades (!...), a maior parte das quais acumula prejuízos.
Umas mil serão transformadas, a concretizarem-se os planos estabelecidos, em "1000 Mitsubishis, Samsungs, General Motors e Microsofts", no dizer do South China Morning Post, de Hong Kong, tentanto reflectir as intenções das autoridades chinesas.
Na medida em que cremos que o modelo para estas grandes empresas será mais o coreano que o norte-americano, talvez seja mais correcto falar de "1000 Samsungs, Hyundais, Daewoos"...

Situação económica
A estabilização da economia continua a ser um verdadeiro "caso de sucesso" já que a inflação está controlada --- em 1994 foi de 24% mas em Julho passado... 2,7%! --- sem que tenha sido necessário provocar uma baixa significativa da taxa de crescimento da produção.
Assim, as perspectivas para o próximo ano são da continuação de um crescimento rápido.
Isto ajudará a absorver a mão-de-obra a ser libertada pelas medidas que, no quadro da aplicação das decisões do XV Congresso do PCC, virão a ser adoptadas para reestruturar o sector público produtivo. Sem este crescimento rápido será difícil absorver os desempregados que o processo de reestruturação produzirá inevitavelmente e que corre o risco de gerar tensões sociais susceptíveis de provocar uma situação política (e ideológica) difícil.

Produção
A taxa de crescimento do PIB real foi de 9,5% durante o primeiro semestre deste ano. Assim sendo, não será difícil que se venha a alcançar a taxa anual de 10,3% prevista pelas autoridades económicas nacionais. Porém, não seria de admirar que ela se situasse, de facto, imediatamente abaixo dos 10%, i.e., nos cerca de 9,8%. A previsão do FMI é de 9,5%.

Comércio internacional
Depois dos "anos loucos" de 1994 e 1995, em que as taxas de crescimento das exportações da China foram, respectivamente, 32 e 23%, estas cresceram em 1996 apenas 1,6%. Ora, desde o início do ano elas estão a crescer à taxa média anual de cerca de 26%, deixando perceber uma das razões porque o crescimento económico rápido continua a ser a norma no país.
As importações, por sua vez, têm crescido apenas 1,6% (contra 5,2% em 1996).
O resultado é um saldo comercial de 20,5 biliões de USD entre Jan. e Jul/97, quando no ano passado tinha sido de 12,2 biliões.
Estes valores fazem prever que o saldo corrente deste ano se venha a fixar nos cerca de US$ 10 biliões.

Inflação
Tendo sido de 8,3% em 1996, a inflação foi de apenas 2,8% em média no trimestre Maio-Julho, devendo a taxa para todo o ano de 1997 fixar-se nos 3,5-4%. O FMI prevê uma taxa de 4,5%.

Moeda e taxas de juro
A taxa de crescimento da oferta de moeda (M2) nos doze meses terminados em Julho foi de 18%, contra os 27% de todo o ano de 1996. Estimativas apontam para que no final do ano de 1997, a M2 tenha crescido cerca de 20% relativamente ao ano anterior.
A taxa de juro dos empréstimos está fixada desde Agosto de 1996 em 10,08%, devendo manter-se a este nível no futuro próximo.

Câmbios e reservas cambiais
A taxa de câmbio do Yuan tem-se mantido estável nos últimos meses nos US$=RMB 8,29.
As reservas cambiais atingiram US$ 126 biliões em Julho passado, mais 25% do que no início do ano.
No início deste mês o câmbio era de PTE 21$787/HKD.

Macau - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
No news is good news, é como se poderá caracterizar a situação actual no Território. Apesar da instabilidade (passageira?) que a luta entre as tríades suscitou, a verdade é que nunca esteve verdadeiramente em causa a estabilidade política de Macau.
Mas à medida que a transição de Hong Kong vai ficando para trás e que se aproxima a do Território, é possível que venham a surgir, aqui e ali, um ou outro foco de atrito a que a Administração tentará ir respondendo com o mesmo comportamento soft (para alguns demasiado soft, até...) a que nos habituou.
Por determinar está a importância da debandada dos quadros superiores portugueses prevista para meados do próximo ano sobre as capacidades de gestão do Território. Resta esperar, a bem das duas comunidades, que a "localização" seja de molde a assegurar a qualidade indispensável ao bom funcionamento dos serviços e, concomitantemente, à satisfação das necessidades da população do Território.


O Palácio do Governador

Situação económica
A falta de um aparelho estatístico que permita a determinação trimestral da taxa de crescimento do PIB dificulta a análise da situação, que tem, por isso, de se socorrer de indicadores indirectos nem sempre coincidentes nem no tempo a que se referem nem nos sinais que transmitem.
Só uma vez por ano, com a publicação do Relatório Anual da Autoridade Monetária e Cambial (AMCM), se pode dispôr de um instrumento de análise global da situação económica do Território. O relativo ao ano de 1996 foi publicado recentemente e confirma o momento menos bom, pelo menos no domínio da produção --- nomeadamente da destinada à exportação e das receitas do jogo --- que Macau tem vindo a atravessar desde o fim das grandes obras públicas e da crise do mercado imobiliário.

Produção
Alguns dos indicadores indirectos sobre a produção parecem apontar para uma ligeira melhoria da actividade económica. É o caso, por exemplo, da descida em 0,4 pontos percentuais da taxa de desemprego durante o trimestre Maio-Julho; ela é actualmente de 3,3%, bem abaixo dos 4,6% de um ano antes.
Por outro lado, a taxa de ocupação dos hotéis, que em 1996 foi de 60,8% (uma subida de quase 4 pontos percentuais relativamente ao ano anterior), registou uma queda para 54,8% na média do primeiro semestre deste ano, com 48% em Junho.
Acrescente-se, por fim, que o número de chegadas ao Território foi, no primeiro semestre, de 3,76 milhões de pessoas --- na sua grande maioria provenientes de Hong Kong com destino aos casinos ---, quando o valor global do ano anterior tinha sido de 8,15 milhões, bem mais do dobro, e o do semestre correspondente, de 3,95 milhões.
Todos estes indicadores dão uma ideia de uma recuperação económica bem difícil de se firmar.

Comércio internacional
As exportações de mercadorias, que registaram em 1996 uma baixa de 0,2% face ao ano anterior, foram de 985,2 milhões de US$ durante o primeiro semestre de 1997. Este valor é sensivelmente metade do valor anual de 1996, pelo que é de admitir que elas se venham a situar, no conjunto do ano, num valor ligeiramente superior ao dos anos anteriores.
As importações, por sua vez, somaram no primeiro semestre 1 bilião de US$, um pouco acima da metade do total do ano anterior.
No entanto, o saldo da balança de serviços piorou em 1,3 biliões de MOP (cerca de 160 milhões de US$), mais que compensando (negativamente) a melhoria registada no saldo comercial (+363 milhões de MOP, cerca de 45,5 milhões US$).


Portas do Cerco, portas para a China?!...

Inflação
Tal como referido no boletim anterior, o crescimento lento da economia tem proporcionado uma situação favorável a uma inflação baixa. Em Junho a inflação homóloga foi de 3,26%, contra 3,6% em Abril. Porém, em Julho ela subiu para os 4,12%.

Moeda e taxas de juro
A oferta monetária (M2) tem mantido uma grande estabilidade, com os valores de Maio e Junho a situarem-se nos 76,2 biliões de patacas.
O crédito à economia, entretanto, passou dos 44,4 biliões de MOP de 1996 para 47,9 biliões em Junho/97, o que poderá ser mais um indicador da referida (muito ligeira e pouco consistente) aceleração do crescimento económico.
A taxa de juro (taxa anual dos depósitos a três meses) fixou-se em 6,2% em Junho, uma subida de 0,85 pontos percentuais relativamente a 1996.

Taxa de câmbio e reservas cambiais
A taxa da pataca face ao escudo era de PTE 22$73/MOP em 25 de Setembro passado.

Hong Kong - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
As previsões mais optimistas parecem estar a confirmar-se: tudo corre sem sobressaltos de maior na nova RAE de Hong Kong. E isto apesar de ser cada vez mais evidente que o chefe do executivo local tem uma forma de pensar e de agir que não se articula perfeitamente com as do número dois da RAE, Anson Chan, a chefe do aparelho administrativo local.
De notar que o novo poder central --- i.e., a R.P. China --- se tem abstido de tomar qualquer posição que possa ser encarada como uma intervenção na situação política interna em Hong Kong. Diga-se, aliás, que tal não parece que venha a acontecer no futuro mais próximo pois o novo poder local tem feito, aparentemente bem, os "trabalhos de casa", inclusivé alguns que, a serem feitos pela mãe-pátria, não deixariam de levantar protestos bem mais sonoros. É o caso, por exemplo, da legislação sobre os actos eleitorais, que não facilita em nada a participação dos partidos não afectos à actual situação, como o Partido Democrático.


Hong Kong: o Central Disctrict visto do mar

Situação económica
As perspectivas favoráveis referidas nos números anteriores deste boletim foram confirmadas pela evolução subsequente. Estamos, pois, perante uma situação que parece não ter sido afectada negativamente --- como alguns chegaram a temer --- pelo processo de transferência de soberania ocorrido a 1 de Julho p.p..

Produção
Os dados estatísticos disponíveis permitem proceder a uma revisão em alta da taxa de crescimento para este ano --- de 4,7 para 4,9% --- já que no primeiro trimestre o PIB terá crescido à taxa de 6,1%, mais 0,6 pontos percentuais que no trimestre anterior. O FMI prevê uma taxa de 5,3% para este ano.
Naturalmente, a aproximação das cerimónias da transferência de poder terão tido influência sobre esta aceleração mas o sector imobiliário também teve uma parte importante nela.
O próprio investimento aumentou significativamente (+17,8% durante o primeiro trimestre), a que não terá sido estranha a reanimação do mercado imobiliário e os esforços para terminar muitas obras públicas em curso.
Temos, pois, que as variáveis que estiveram na origem do processo de aceleração do crescimento económico da RAE foram principalmente o consumo privado (+5,1%) e o investimento.

Comércio internacional
Talvez porque mais centradas as suas atenções na evolução do mercado interno no período em torno da transmissão do poder, a verdade é que as exportações de Hong Kong têm tido um crescimento muito lento: a média das taxas mensais de variação deste ano foi, para o período Jan-Jul/97, de -3,2%.
Por sua vez, a média correspondente das importações foi de +9,9%. O resultado foi um saldo comercial acumulado (Jan-Jul/97) de -14,3 biliões de USD, quando no conjunto do ano anterior foi de -17,8 biliões. As previsões vão no sentido deste défice se fixar, em 1997, nos cerca de 21-22 biliões de USD.
Esta evolução representa uma degradação das perspectivas que se tinham estabelecido no trimestre anterior principalmente devido ao crescimento das exportações, mais negativo do que se esperava.

Inflação
Depois de uma subida no final do ano passado e início deste ano --- a que não será estranha a caminhada para as comemorações anuais, em Fevereiro, do Ano Novo chinês ---, a taxa de inflação começou a descer a partir de Março p.p., sendo de 5,4% em Junho. Em Julho, devido às comemorações da transição, ela voltou a subir para os 6,5%. Apesar destas oscilações, espera-se agora que ela venha a ser de cerca de 6,5% para o conjunto do presente ano. A previsão do FMI é de 7,1%.


Edifício do Banco da China em Hong Kong

Moeda e Taxa de juro
A M2 aumentou dos cerca de 13% de meados de 1996 para os 21% de Janeiro/97.
A intensificação do ritmo de crescimento e as comemorações de meados deste ano terão estado na origem do aumento desta taxa para valores da ordem dos 24-25%.
A prime rate é de 8,75%.

Taxa de câmbio e reservas cambiais
O HKD sofreu alguns ataques especulativos durante o período de maior incerteza quanto à evolução das moedas do Sudeste Asiático. Porém, a determinação das autoridades em defenderem o actual sistema de indexação face ao USD e as confortáveis reservas cambiais --- se necessário as autoridades da RPChina utilizariam também parte das suas --- acabaram por surtir efeito no esvaziamento daquela tentativa especulativa contra o HKD que parece assim "sólido como rocha" na sua taxa de câmbio de HKD 7.74-7.75/USD.
As reservas cambiais são actualmente de cerca de 66 biliões de USD.
No início de Outubro a taxa de câmbio era de 23$321/HKD.

Taiwan - FICHA INFORMATIVA DO PAÍS

Situação política
Como se salientou na edição anterior do Ásia Oriental, o principal facto político de Taiwan nos últimos tempos foi... a transferência de poder em Hong Kong.
As considerações que então se fizeram continuam inteiramente válidas e não houve nada neste último trimestre que tenha contribuído para modificar o essencial do que então se disse.

Situação económica
A recuperação da procura interna e o reverter da situação de crise em que tem vivido a indústria electrónica a nível mundial estão na origem de uma ligeira recuperação da conjuntura económica do país, onde se estão a combinar subida da taxa de crescimento do PIB e descida da taxa de inflação com a manutenção de excedentes nas contas externas --- ainda que menores que nos anos anteriores.

Produção
Depois de um primeiro trimestre em que o PIB cresceu à taxa de 6,9% --- tal como noutros países da região, devido às comemorações do Ano Novo chinês, ele tende a ser de crescimento mais rápido ---, assistiu-se no segundo trimestre deste ano a um ligeiro abrandamento do crescimento da produção já que a taxa de variação do PIB foi então de 6,3%.
Os observadores da situação não estão, no entanto, demasiado preocupados já que a procura interna (consumo e investimento) cresceu 8,1%.
Assim sendo, é provável que o PIB aumente 6,3% durante este ano, mais 0,6 pontos percentuais do que no ano passado. Isto é um sinal evidente de que, gradualmente, a crise económica que andou associada à queda da indústria electrónica a nível mundial, está a ser ultrapassada.

Comércio internacional
Se o crescimento da procura interna tem sido um factor importante na retoma da economia, a verdade é que também as exportações têm vindo a aumentar. Mais uma vez o que está em causa é o progressivo ultrapassar da crise da indústria electrónica, que permitiu um aumento da parte do país no mercado mundial de computadores pessoais, componentes e periféricos.
As estatísticas apontam para 5,3% de taxa de crescimento anual média das exportações durante os primeiros sete meses deste ano, com 13,1% em Julho. Isto contrasta com a taxa de +3,9% do total do ano de 1996 e permitirá alcançar uma taxa anual, para 1997, que se estima vir a ser de 7%.
Indicador indirecto da já referida recuperação da economia é também o crescimento (rápido) das importações, as quais aumentaram 11% nos primeiros sete meses deste ano, contrastantes com a quebra de 1996 (-1,8%). Isto deve-se à necessidade de satisfazer a cada vez mais dinâmica procura interna e de proceder à reconstituição dos stocks consumidos durante o período de baixa da conjuntura.
Este diferencial entre as taxas de crescimento das exportações e das importações contribuíu para que o saldo comercial (positivo) se reduzisse e provocasse uma redução no saldo (também positivo) da balança de transacções correntes, que deve registar este ano uma quebra de 2,5 biliões de USD, situando-se em 8 biliões.

Inflação
As previsões relativamente ao comportamento da inflação --- tal como as que se referem a outras variáveis --- não coincidem. Por exemplo, enquanto que o FMI prevê uma taxa de 2,8% para este ano, outros observadores apostam numa taxa de 2,2%. Tendo em consideração a evolução dos preços mês a mês --- a taxa de inflação foi baixando desde os 5,1% de Agosto de 1996 até aos 0,5% do passado mês de Abril mas subiu desde então para os 3,3% de Julho --- e o facto de nos primeiros sete meses deste ano ela se situar nos 1,6%, é provável que a taxa de inflação de 1997 venha a estar mais perto do segundo valor do que da previsão do Fundo. Isto representa uma melhoria significativa face aos 3,1% do ano passado.

Moeda e taxas de juro
A política monetária prosseguida pelas autoridades económicas não sofreu desvios em relação ao referido no boletim anterior. De facto, continua a política de expansão muito moderada da oferta monetária: de Março a Julho a taxa de crescimento da M2 baixou de 10% para 7,6% (taxas anualizadas).
A prime rate é actualmente de cerca de 7,2%.

Taxa de câmbio e reservas cambiais
A taxa de câmbio é actualmente de TWD 28.6/US$.
Quanto às reservas cambiais, elas eram em Julho US$ 88,8 biliões, ligeiramente abaixo dos 90 biliões de US$ do mês anterior.
A taxa de câmbio era de PTE 6$323/HKD no início deste mês.

Coreia do Sul - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
A relativa instabilidade política que o país tem vivido nos últimos anos não parece estar para terminar nos próximos tempos. Mais, a campanha eleitoral para as eleições a decorrer daqui a dois meses (18 de Dezembro) encarregar-se-á, pela natureza destas campanhas, de agitar ainda mais as águas da política coreana.
A falta de um candidato que se possa considerar como ganhador à partida --- neste momento perfilam-se já cinco candidatos ---, será mais um factor a contribuir para que se prolongue o clima de instabilidade que se tem vivido nos últimos tempos.

Situação económica
O desencadear da crise financeira no Sudeste Asiático fez alguns observadores olharem para a Coreia do Sul como um dos candidatos a serem afectados por uma crise de contornos semelhantes. "Manifestações exteriores" desta crise parecem não faltar: taxa de câmbio instável, taxas de juro em alta e uma Bolsa volátil, para não falar das falências de alguns conglomerados --- entre os quais se situam os gigantes KIA Motors e a siderúrgica Hanbo Steel --- e do "downgrading" do país a que procederam várias agências de rating.
Porém, parece que, malgré tout (incluindo a referida instabilidade política), as autoridades económicas da Coreia estão a conseguir, por entre este mar encapelado, evitar que o navio se afunde...
Mas a verdade é que uma parte importante dos grandes chaebol do país estão a atravessar momentos muito difíceis devido a importantes dificuldades financeiras relacionadas com uma prática de grande endividamento junto dos operadores financeiros, prática esta desde sempre incentivada pelas autoridades económicas. Estas, no entanto, têm tentado inverter a situação através, nomeadamente, da crescente liberalização do sistema financeiro do país como instrumento para apoiar a liberalização do conjunto da economia e obrigar à melhoria tecnológica e de competitividade externa dos grupos económicos nacionais.

Produção
O que aqui ficou no boletim anterior sobre a evolução dos stocks --- a produção estava a aumentar significativamente mas nem a procura interna nem a externa davam sinais de reanimar significativamente --- veio a mostrar-se correcto no último trimestre: a quebra nos stocks (2,7 triliões de won!) foi a maior desde 1970.
O principal destino terá sido a exportação pois esta aumentou 25% nesse período. Foi a acrescida procura externa (e não a deprimida procura interna) que esteve, pois, na base da ligeira recuperação da actividade económica relativamente ao primeiro trimestre, com a taxa (anualizada) de crescimento do produto a passar de 5,5% para 6,3% do primeiro para o segundo trimestre.

Comércio internacional
O défice comercial externo da Coreia, que em Janeiro deste ano foi de 3,4 biliões de US$, tem diminuido significativamente na sequência do referido comportamento das exportações e de uma acentuada queda das importações (-0,6% em Julho e -11,2% em Agosto p.p.) associada à referida baixa de stocks.
Em consequência, o saldo negativo da balança de transacções correntes reduziu-se significativamente, prevendo-se agora que ele venha a ser de 12 biliões de USD, cerca de metade do de 1996.

Inflação
A situação da economia coreana --- alguma recuperação da economia mas procura interna fraca --- é propícia a uma moderação nas subidas dos preços: com uma taxa média anualizada de 4,2% desde o início do ano, as estimativas são de que ela se fixe, este ano, no intervalo 4,2-4,5%, contra 5% no ano passado.

Moeda e taxas de juro
A expansão monetária tem sido feita a uma taxa anualizada de cerca de 18% nos últimos meses.
A taxa de juro prime rate é actualmente de 12,2%.

Taxa de câmbio e reservas cambiais
O won ultrapassou em Agosto passado a barreira psicológica dos KRW 900/USD em resultado dos reajustamentos da taxa de câmbio decididas para fazer face à concorrência dos países do Sudeste asiático e, por outro lado, do Japão, cuja moeda se tem depreciado face ao USD.
As reservas cambiais são agora de 33 biliões de USD, equivalentes a 2,7 meses de importações, o valor mais baixo de toda a região.

Malásia - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
Conforme foi referido no boletim anterior, o primeiro-ministro Mahatir Mohamad esteve ausente do país durante cerca de dois meses. Uma interpretação que muitos começam a explicitar para esta ausência é a de que se tratou de um plano do próprio para "minar" as aspirações do seu Vice e substituto temporário, o Ministro das Finanças, Anwar. Se foi essa a sua intenção, parece que o Primeiro-Ministro não foi bem sucedido. Pior, mal regressou, "a casa caíu-lhe em cima" com a crise cambial.
De facto, teve de fazer face a uma das piores crises financeiras que o país --- e a maioria das economias da região, com destaque para a Tailândia e as Filipinas --- defrontou.
Para dar uma ideia do que esteve (está) em causa, refira-se apenas que há estimativas de que em Julho e Agosto a bolsa de valores de Kuala Lumpur (KLSE) terá perdido cerca de 450 biliões de ringgit (equivalentes a cerca de 155 biliões de US$ e a quase 30 biliões de contos!!!) de capitalização.
Como uma desgraça nunca vem só, nas reuniões de Setembro do Banco Mundial e do FMI que decorreram em Hong Kong, envolveu-se publicamente numa discussão bastante agreste com George Soros, acabando por apelar ao fim das transac-ções de moeda que não se destinassem a cobrir as trocas comerciais!... Como se calcula, a reacção dos mercados foi imediata e a Bolsa de Kuala Lumpur e o ringgit não têm parado de descer a um ritmo significativo: a moeda malaia transacciona-se agora a cerca de MYR 3,2/USD, quando antes da crise se cotava a MYR 2,5/USD, o que representa uma quebra de quase 30%!

Situação económica
Uma das lições da situação criada é a de que as autoridades económicas (e financeiras) do país --- a começar pelo seu principal dirigente, o Primeiro Ministro Mahatir --- são menos habilidosas do que o sucesso do soft landing referido no número anterior deste boletim fazia prever.
De facto, depois de ter adoptado uma táctica de culpabilizar os agentes económicos externos --- nomeadamente especuladores bolsistas tão conhecidos como George Soros --- da instabilidade financeira e cambial do país, decidiu impedir aos intervenientes estrangeiros neste processo a venda das suas posições a curto prazo. Ora, todos sabemos que não é possível ter o bolo e comê-lo... Isto é, não é possível pretender fazer do país uma praça financeira alternativa a Singapura e impôr este tipo de regras limitadoras das transacções financeiras. Por isso vários observadores salientaram já que os danos provocados por esta decisão serão sentidos durante muito tempo... apesar de aquela medida ter sido revogada uma semana depois.

Produção
É cedo para determinar com exactidão as repercussões, no circuito real da economia, da crise financeira que se instalou.
Parece certo, no entanto, que um dos seus efeitos será uma quebra da taxa de crescimento do PIB, a qual será mais visível em 1998 --- para quando se espera uma taxa de crescimento de cerca de 5% contra os 8,2% inicialmente previstos --- do que este ano.
Este abrandamento conjuntural será, em parte, resultado da decisão entretanto tomada de abandonar, suspender ou abrandar o ritmo de execução de vários dos grandes projectos em curso no país.

Comércio internacional
A decisão acima referida prende-se também com a necessidade, imposta pela luta contra a crise financeira, de reduzir ao mínimo possível o desequilíbrio externo do país através, nomeadamente, da redução das importações.
Aquele desequilíbrio, que se prevê venha a atingir este ano os -9 biliões de US$ (contra os -7 das perspectivas iniciais), deverá baixar dos actuais 5,5% do PIB para 2% daqui a três anos.

Inflação
Fruto da desvalorização do ringgit, os preços tenderão a subir, esperando-se agora que a inflação atinja este ano (pelo menos) os 3,5% e em 1998 os 4%.

Moeda e taxas de juro
A taxa de variação da oferta de moeda (M3) tem-se mantido em valores próximos dos 20%, o que constitui uma baixa em relação aos 24% de 1996.
A taxa de juro (prime rate) actual é de 9 - 9,5%.

Taxa de câmbio e reservas cambiais
A taxa de câmbio do ringgit desvalorizou-se quase 30% em relação ao período imediatamente anterior ao "fatídico" 2 de Julho: de MYR 2,51/USD passou para MYR 3,2/USD no início deste mês. Espera-se que esta cotação se estabilize no intervalo 3,0-3,2 MYR/USD. Ela era de PTE 54$33/MYR no início de Outubro.
As reservas cambiais são de 28 biliões de US$, equivalentes a 3,7 meses de importações, a segunda mais baixa da região.

Singapura - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
Já aqui dissemos que as características do sistema político de Singapura não deixam muito espaço de manobra para a actividade política, nomeadamente da oposição. Assim, não é de estranhar que o trimestre anterior se tenha caracterizado por um "mais do mesmo" só interrompido pela continuação das movimentações do poder instituído contra os que, mesmo por formas usuais noutras paragens mais democráticas, se atrevem a apontar-lhe o dedo.
Foi, mais uma vez, o caso de um dos líderes da oposição, condenado em tribunal a pagar uma indemnização de mais de 2,3 mil contos ao Primeiro-Ministro por alegadas injúrias durante a última campanha eleitoral. A indemnização solicitada pelo queixoso tinha sido de quase 1 milhão de contos!
Se a moda pega entre nós...

Situação económica
De uma forma mais intensa do que o esperado pelos observadores --- inclusivé os mais optimistas ---, a recuperação da economia foi a marca do segundo trimestre deste ano. Não se pense, contudo, que ela já está perfeitamente estabelecida e que não há perigo de alguma reversão já que a evolução mensal da procura electrónica nos Estados Unidos --- o principal cliente do país --- se mostra instável, tendo baixado em Junho passado.
Além disso, a crise económica que grassa na região --- principalmente a da vizinha Malásia --- não pode deixar de se repercutir em Singapura.

Produção
Tal como para outros países da Ásia Oriental, a recuperação do sector electrónico foi fundamental na aceleração do crescimento económico de Singapura durante o segundo trimestre deste ano: 7,8%, contra 4,1% no trimestre anterior.
Confirmando a evolução anterior, o acréscimo da procura externa daquele sector em 9,1% e a subida de 34,4% (!) na produção da indústria química --- motivada, nomeadamente, por um acréscimo de 105% na petroquímica resultante de um aumento da capacidade produtiva instalada ---, contribuiram fortemente para que o mês de Julho passado visse a produção industrial total aumentar à taxa anual de 7,7%.
O resultado desta evolução e da sazonalidade da produção do país --- o terceiro trimestre tem normalmente um crescimento mais rápido devido à satisfação da procura natalícia -- é a possibilidade de se vir a assistir a um crescimento a dois dígitos em Agosto e Setembro, influenciando favoravelmente a taxa anual que se espera para este ano: cerca de 6,2%, um pouco abaixo dos 7% do ano passado.

Comércio internacional
As exportações de produtos não-petrolíferos aumentaram , em média, 4,6% durante o segundo semestre graças, nomeadamente e como já referido, ao aumento da procura externa de produtos electrónicos.
Em Julho estas exportações aumentaram ainda mais, atingindo a taxa anual de 6,9%.
As importaões, por sua vez, cresceram no segundo trimestre à taxa média de 1,9%, aumen-tando 14,3% em Julho.
Em resultado desta evolução, o défice comercial do país foi de 4,6 biliões de USD durante os sete primeiros meses do ano. Porém, a continuada capacidade do país em atrair capitais estrangeiros --- ainda maior num período em que as outras economias da região viram as suas moedas depre-ciarem-se significativamente ---, resultou num aumento do saldo da balança de transacções correntes em +7,2 biliões de USD desde o início do ano.

Inflação
A taxa de inflação manteve-se, ao longo de quase todo o primeiro semestre --- de facto só em Janeiro é que ela não obedeceu à "regra" ---, abaixo dos 2%. Em Julho conheceu uma ligeira subida para os 2,1%, levando os observadores a preverem agora, para o conjunto deste ano, uma taxa que se situará entre os 1,8% e os 2%.
Esta evolução representa, apesar de tudo, um agravamento em relação a 1996, quando a taxa foi de 1,4%.

Moeda e taxas de juro
A estabilidade da política monetária está bem patente na manutenção, ao longo dos primeiros sete meses deste ano, de uma taxa de variação anual da M2 que se situou sempre entre os 10,6% (Fev. e Jun.)e os 11,8% (Mar.)
A taxa de juro (prime rate) é actuamente de 6,4%.

Taxa de câmbio e reservas cambiais
As autoridades cambiais do país têm procurado manter a taxa de câmbio do SGD face ao USD dentro da banda dos 1,50-1,54, julgada necessária para assegurar a competitividade externa da produção nacional e as entradas de capitais.
A taxa de câmbio é de PTE 117$74/SGD.
As reservas cambiais eram de 81 biliões de USD em Junho p.p., correspondentes a quase um ano de importações --- o que é um recorde digno do Guiness.

Tailândia - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
No final do mês de Setembro foi aprovada a nova Constituição do país, da qual se espera que venha a contribuir para uma maior estabilidade política, essencial para a tarefa de recuperação da economia, tão debilitada pela crise que acabou por "explodir" a 2 de Julho p.p., quando o baht deixou de estar indexado ao USD e entrou num processo de rápida desvalori-zação (cerca de 40% desde então).
Depois da sua aprovação, o que se segue é a nomeação de um novo gabinete ministerial, sendo a actual luta política em torno da nomeação do novo primeiro-ministro que, segundo se espera, deverá vir a ser alguém com experiência política e económica e que consiga reunir os consensos entre os partidos necessário à condução das reformas económicas que se afiguram essenciais.


Um dos famosos mercados fluviais de Bangkok

Situação económica
A crise económica desencadeada pela crise cambial de Julho está bem patente em três dados fundamentais: o baht desvalorizou-se até agora cerca de 40% (!);a taxa de variação do PIB deverá cair a pique dos 6,7% de 1996 para os 2%-2,5% (!) deste ano; e as estimativas para a recuperação dos danos sofridos é de três a cinco anos.
Essencial para este processo de recuperação é o volumoso empréstimo --- 17,2 biliões de USD, o maior desde a última crise do México --- que a Tailândia obteve do FMI e de um conjunto de economias da região, desde o Japão até à Austrália, passando por Hong Kong e outros.
Ora, tais empréstimos andam sempre associados --- pelo menos nos primeiros anos e até ser alcançado algum reequilíbrio das contas externas --- a políticas de grande austeridade, nomeadamente através da redução dos gastos públicos, do investimento e do défice externo.
No caso da Tailândia o "aperto" já terá começado com a revisão no sentido da baixa das despesas de investimento (36,9% do PIB no período 1997-2001 contra 40,5% no quinquénio anterior).

Produção
As previsões quanto à taxa de crescimento feitas no trimestre anterior foram todas por água abaixo... De facto, se antes da desvalorização se previa que aquela taxa atingisse os 5,4-5,9%, as previsões mais recentes apontam para valores inferiores a metade: o FMI, por exemplo, prevê uma taxa de 2,5% de crescimento real do PIB e a SBC Warburg não vai além dos 2%, com 3% em 1998 e 4% em 1999.
O NESDB - National Economic and Social Development Board da Tailândia, por sua vez, estima que o crescimento do quinquénio correspondente ao oitavo plano se fará agora à taxa média anual de 4,9%, contra a previsão de 8% feita anteriormente.


Palácio tailandês

Comércio internacional
Fundamental para que esta taxa seja alcançada é, no entanto, a retoma das exportações. Ora, com uma desvalorização de cerca de 40% da moeda, tal não será, em princípio, muito difícil de alcançar. O pior é que a retoma da produção não depende apenas do aumento da procura externa. De facto, este aumento está também dependente, por exemplo, da disponibilidade de divisas que assegurem as importações que são incorporadas nas exportações nacionais. Ora, apesar do empréstimo do FMI e da intenção de não deixar as reservas baixarem para aquém dos 25 bilões de USD, pode não ser fácil obter as divisas necessárias já que a confiança dos investidores estrangeiros, fonte de apreciáveis influxos de capitais, está duradouramente comprometida.

Inflação
A desvalorização da moeda não deixará de se fazer na inflação via "inflação importada" pelo que as previsões que para ela se tinham feito anteriormente (uma baixa relativamente aos 5,8% do ano passado) estão completamente ultrapassadas. A previsão do FMI é a de que ela se fixará nos cerca de 7% para o conjunto do ano de 1997.

Moeda e taxa de juro
Face às circunstâncias actuais, será de esperar uma política monetária relativamente apertada, com uma taxa de expansão que será mais baixa que os 16,8% do ano anterior.
A prime rate é de 14,25% mas terá tendência a aumentar nos próximos meses antes de começar a descer.


Mulher tailandesa

Taxa de câmbio e reservas cambiais
A taxa de câmbio do baht está em constante evolução no sentido da sua queda, cifrando-se actualmente nos BHT 35,5/USD. As previsões vão no sentido de continuar a desvalorizar-se até BHT 39/USD no fim do ano.
A taxa PTE/THB era de 5$09 no início deste mês.
As reservas cambiais são 30 biliões de USD, correspondentes a 5,5 meses de importações, o que, apesar de tudo é um nível apreciável e sustentável graças ao apoio financeiro do FMI e de outros bancos centrais da região.

O impacto da crise cambial do Sudeste Asiático

Taxas de crescimento do PIB de países asiáticos (%)
países Junho de 1997 Setembro de 1997 Cenário mais pessimista Diferença Set97-antes da crise
1997 1998 1999 1997 1998 1999 1997 1998 1999 1997 1998 1999
Singapura 5.7 6.5 6.5 6.2 6.0 6.5 6.2 0.0 3.8 0.5 -0.5 0.0
Malásia 7.8 7.0 7.5 7.8 5.0 7.5 0.0 0.0 4.5 0.0 -2.0 0.0
Tailândia 5.0 6.5 8.0 2.0 3.0 4.0 1.3 0.0 3.1 -3.0 -3.5 -4.0
China 10.2 10.5 10.0 9.5 9.0 10.0 9.5 8.0 9.0 -0.7 -1.5 0.0
Hong Kong 5.6 5.8 5.8 5.6 5.2 5.6 5.3 3.0 4.0 0.0 -0.6 -0.2
Taiwan 6.2 6.0 6.2 6.4 6.2 6.0 5.7 3.4 5.2 0.2 0.2 -0.2
Coreia 5.6 6.1 6.0 6.0 6.2 6.0 5.6 5.4 5.6 0.4 0.1 0.0
Ásia 6.9 7.2 7.2 6.1 4.8 5.9 -0.8 -2.4 -1.3

Fonte: SBC Warburg (* diferença entre o cenário pessimista e os valores de antes da crise)

Impacto da crise cambial do Sudeste Asiático no crescimento do PIB da OCDE (%)
países parte das exportações impacto do crescimento
ASEAN Ásia 1998 1999
ASEAN -6.6 -3.7
Ásia -2.5 -1.4
Estados Unidos 6.8 19.8 -0.2 -0.3
Japão 17.3 43.6 -0.6 -0.7
Alemanha 2.8 8.2 -0.2 -0.3
OCDE -0.2 -0.3
Mundo -0.8 -0.6

Fonte: SBC Warburg Dillon Read, 7/9/97

Os valores acima deixam transparecer a importância do impacto da recente crise cambial em alguns dos países da Ásia Oriental e do Sudeste Asiático. É significativo, nomeadamente, o impacto de -6.5 pontos percentuais na média das taxas de crescimento dos países da ASEAN. Embora este valor nos pareça muito pessimista, a verdade é que ele sublinha a importância do fenómeno e a necessidade de introduzir corrrecções importantes na trajectória que vinha sendo seguida. E não se pense que as lições devem ser retiradas apenas por aquele grupo de países: embora com um volume de reservas e uma qualidade da política económica --- particularmente a monetária --- que lhe permitem algum optimismo quanto ao futuro, a verdade é que Hong Kong viu a sua moeda sofrer algumas tentativas de ataque durante este período. Também a Coreia e Taiwan --- para já não falar de casos como a Indonésia e as Filipinas --- se ressentiram do fenómeno.
Isto é: ou nos enganamos muito ou depois desta crise nada continuará a ser como dantes naquelas paragens, tornando-se imprescindível uma maior consolidação das estruturas efectivamente produtivas e uma consequente redução dos níveis de capitais especulativos --- nomeadamente no sector imobiliário.

A Ásia-Pacífico vista pelos seus empresários





Fonte: Far East Economic Review, 7/Agosto/1997

Um país, um mercado

Singapura

Informação básica sobre o país (1996)

Superfície total: 641 km2
População total: 3,4 milhões de habitantes, dos quais 76% são chineses; 15% malaios;e 6% indianos
Cidades: Singapura (a capital) e várias satélites como Ang Mo Kio e Tampines
Terreno: plano
Clima: tropical, com humidade relativa muito elevada; é usual o dia amanhecer sem chuva mas esta cair ao fim da tarde --- quase pode acertar o relógio, tal a regularidade do seu horário...
Esperança de vida à nascença: 76 anos
Taxa de alfabetização de adultos: 91%
Produto Interno Bruto: US$ 93,6 biliões; dos quais: agricultura = 0,2%; indústria = 35,5%; serviços = 64,3%
Principais sectores produtivos: indústria electrónica (42% do valor acrescentado na indústria e 12% do total do PIB. É também o principal produto de exportação, representando cerca de metade da produção mundial de discos rígidos e outros componentes de computadores);serviços financeiros.
Força de trabalho em: serviços = 72%; indústria e comércio = 28%
PIB per capita: US$ 21200 (PPC)
Taxa de crescimento do PIB: 7%
Saldo das contas públicas (% do PIB): 5,4%
Saldo da Balança de Transacções Correntes (% do PIB): 15,5%
Saldo da BTC em biliões de US$: 14,2

Com um rendimento per capita de 21200 dólares (medidos segundo a metodologia da paridade dos poderes de compra; Portugal tinha 12326 em 1994), Singapura deixou já o estatuto de "país em desenvolvimento" que se lhe atribuía há alguns anos atrás. Ultrapassou mesmo o nível de rendimento de alguns "países desenvolvidos", como a sua antiga potência colonial (Reino Unido= 18620 dólares).
Além disso, no (economicamente) conturbado panorama actual do Sudeste Asiático resultante da crise cambial iniciada na Tailândia, o país, com os seus 7% de crescimento do PIB em 1996 e uma desvalorização face ao USD que não terá ultrapassado, nos últimos meses, os 5%, surge como um quase-oásis no meio da região.
Por isso o elegemos como o nosso "um país, um mercado" deste mês.


As relações económicas com o país podem recobrir várias formas. Realcemos aqui principalmente duas, fornecendo elementos úteis para os que com ele querem comerciar e para quantos colocam a hipótese de nele investirem directamente. Vejamos primeiro este último caso para depois nos debruçarmos sobre o primeiro.


Singapura tem uma política extremamente aberta para com os investimentos estrangeiros. O resultado é que estes representaram em 1994, por exemplo, cerca de três quartos do investimento total efectuado no país. Mais de metade do investimento directo estrangeiro (IDE) foi de empresas americanas, nomeadamente as suas grandes transnacionais. O Guide to the investment regimes of the APEC member economies, publicado em 1996 (3ª edição) pelo Secretariado da APEC é um bom repositório dos principais requisitos para investir no país --- bem como nos demais que constituem a APEC - Asia-Pacific Economic Cooperation (endereço: APEC Secretariat; 438 Alexandra Road #14-01/04; Alexandra Point; Singapore 119958; fax: 00.65. 2761775; e-mail: info@apec.stems.com; o CEsA tem cópia deste texto em papel e em diskette).
Outro elemento importante de informação é o texto Singapore Country Commercial Guide de 1996, acessível através da INTERNET no endereço do (
Departamento de Estado dos EUA, onde se poderá ter acesso aos guias para muitos outros países de todas as regiões do mundo) ou directamente através do endereço específico para este guia sobre Singapura.

Sob o ponto de vista legal, o principal interlocutor singaporeano do investidor estrangeiro é o Economic Development Board (vd. endereço adiante), uma one stop agency para a captação de IDE. Aliás, os entraves burocráticos no país não são, seja em que domínio fôr, significativos.
Este clima liberal de investimento não impede que exista, como existe, um papel muito forte da Administração Pública -- o "Estado", em geral --- para promover o crescimento económico através, nomeadamente, de um leque variado de instrumentos, incluindo a concessão de importantes benefícios fiscais.
Por outro lado, não há taxas especiais aplicadas aos ganhos de capital das empresas estrangeiras nem qualquer restrição à propriedade, por estrangeiros, de empresas com sede no país; estas estão sujeitas às mesmas regras legais e fiscais das empresas nacionais.


As taxas alfandegárias são muito reduzidas, sendo que 96% dos bens entrados no país está isenta do seu pagamento. O número de produtos cuja importação é proibida é extremamente limitado. De entre eles destacam-se... as pastilhas elásticas! Porquê? Porque as criancinhas e os jovens "incon(s)cientes" as pregavam nas carteiras das escolas e nas portas do metropolitano, dificultando a sua abertura... Daí, surgiu a solução radical para o problema. Ou não estivessemos a falar de Singapura...


Lee Kwan Yew -- o "pai" do milagre económico de Singapura
Ex-Primeiro Ministro e actual "Senior Minister"


No domínio da circulação de capitais, a liberdade é total desde 1978, podendo eles ser reinvestidos ou repatriados sem quaisquer restrições.
O mercado de trabalho em Singapura caracteriza-se por ser constituído por uma força de trabalho disciplinada (a última greve foi há quase vinte anos e resultou na perda de ... 122 dias de trabalho-homem), com um nível de educação e formação profissional relativamente elevados. Há, no entanto, alguma escassez de mão-de-obra nacional nos dois extremos do leque: por isso há cerca de 350 mil trabalhadores indiferenciados provenientes de vários países da região --- as empregadas domésticas são principalmente filipinas e indonésias --- bem como uma numerosa colónia de expatriados altamente qualificados, normalmente quadros superiores das indústrias e dos serviços, nomeadamente financeiros. Portugueses? Há uma pequeníssima colónia de cerca de duas dúzias de compatriotas nossos, a esmagadora maioria dos quais são pilotos de longo curso da Singaporean Airlines (e suas famílias) que saíram de Moçambique (e da ex-DETA) nos anos que se seguiram à Independência daquele país.


Note-se, porém, que existe uma política deliberada de reduzir ao mínimo essencial a imigração quer de trabalhadores indiferenciados --- onde as restrições são maiores --- quer dos mais qualificados. Por isso foi instituída uma taxa (20% do salário) que as entidades patronais têm de pagar por cada trabalhador estrangeiro ao seu serviço, o que onera significativamente o seu custo. Esta política restritiva deve-se ao facto de se estar perante um território relativamente pequeno, com elevados rendimentos --- o salário mínimo local é 2-3 vezes superior ao da vizinha Malásia, p.ex. ---, rodeado de países com volumes de mão de obra muito significativos (Indonésia, Tailândia, Vietname, Filipinas).
O resultado desta política de imigração é a existência de tensões no mercado de trabalho (a taxa de desemprego é de apenas 2%) que se traduzem por uma tendência à sistemática subida dos salários reais. Para alguns observadores este evolução tem sido a responsável por alguma perda de competitividade do país face aos seus vizinhos de ao pé da porta (Malásia, Tailândia, Indonésia) ou de mais longe (China, Índia). Esta política é, no entanto, deliberada, tendo por objectivo forçar à permanente melhoria tecnológica da produção nacional e a concomitante manutenção de níveis elevados de rendimento resultantes da produção de bens com mais valor acrescentado.
Para além da taxa paga pelo uso de mão-de-obra estrangeira, as entidades patronais têm também de pagar mais 20% do salário de cada trabalhador para o Central Provident Fund, o serviço de segurança social nacional. Este recebe, para além desta contribuição patronal, uma percentagem igual descontada pelos trabalhadores. Refira-se que em Singapura o regime da segurança social é, ao contrário dos europeus, de capitalização: os descontos efectuados pelo trabalhador e pela sua entidade patronal alimentam um fundo que será mais tarde, por ocasião da sua reforma, entregue na íntegra ao trabalhador que o utilizará como entender ---- p.ex., numa aplicação que lhe permita obter uma renda permanente ao longo do resto da sua vida.


O acesso ao crédito é relativamente fácil, sendo este atribuído nas condições normais de mercado.



Goh Chok Tong
Actual Primeiro-Ministro de Singapura,


Os incentivos ao investimento, administrados pelo EDB-Economic Development Board, são variados e incluem, nomeadamente, a concessão do estatuto de "indústria pioneira" a empresas (indústria e serviços) que introduzam altas tecnologias; o principal incentivo consistirá na isenção, total ou parcial, da taxa de imposto sobre os lucros, actualmente de 27%. Há também incentivos para as empresas que exportem uma parte significativa da sua produção.


Por fim, refira-se que das cerca de 3000 empresas multinancionais operando no país, cerca de um terço é de origem norte-americana, sendo este o país que mais investe em Singapura (33% do investimento estrangeiro acumulado existente em 1992). Segue-se o Japão (32%) e a União Europeia (27%). Dentro desta, é a Holanda (11,8% do total geral) o principal investidor devido, nomeadamente, aos elevados investimentos da Royal Dutch-Shell em refinarias instaladas no país. Da UE, o Reino Unido é o segundo investidor (10%).


Por ramos industriais, o IDE de 1992 concentrou-se principalmente nos produtos eléctricos e componentes (electrónica) (35%), nas indústrias químicas (27%) e nos petróleos (27%).


Significativo começa também a ser, desde há alguns anos, o investimento de Singapura fora das suas fronteiras. Este é um movimento apoiado pelo governo ao seu mais alto nível ---- ainda este ano o primeiro-ministro visitou a África Austral (excepto Angola e Moçambique) em busca de novos locais para investimentos --- no quadro de uma estratégia de diversificação dos interesses do país e de deslocalização de algumas actividades com menor valor acrescentado. Insere-se nesta perspectiva a constituição de dois enormes parques industriais na China (um deles com 70 km2 em que há, mesmo, algum elemento de extraterritorialidade já que são administrados directamente por uma entidade para-pública singaporeana), na Indonésia (Batam, nas ilhas Riau, em frente de Singapura e a pouco mais de meia hora de distância) e na Índia (Bangalore, dedicada especialmente ao sector informático). Esta preocupação do país em encontrar locais alternativos de investimento --- até agora muito concentrados na Ásia --- poderá ser um factor a ponderar na eventual constituição de joint ventures em África. Sectores em que o país tem demonstrado elevado know how são os ligados às infraestruturas, nomeadamente a construção e gestão de portos e aeroportos.


Apesar da reduzida dimensão (em número de habitantes) do mercado, a comercialização de produtos em Singapura poderá ser altamente atractiva se tomarmos em consideração que o nível de rendimento é elevado, que os circuitos comerciais são sofisticados mas simultaneamente simples (parecendo-se com os existentes em qualquer país ocidental) e que o país é um bom entreposto --- foi assim que ele nasceu ... ---- para o conjunto da região do Sudeste Asiático, a qual, recorde-se, abrange cerca de 500 milhões de pessoas. Mesmo se, por enquanto, diminuirmos os 200 milhões de indonésios, trata-se ainda de uma dimensão (simultaneamente efectiva e potencial) apreciável.


Embora possa variar de produto para produto, a margem de comercialização dos importadores do país é de 20-40%, enquanto que a dos retalhistas é, em geral, de 100% ou mais.


Por outro lado, encontrar um parceiro comercial não será difícil já que estamos perante um país habituado a desempenhar a função de entreposto. Além disso, a proverbial apetência da comunidade chinesa (maioritária no país) pelo comércio, torna ainda mais fácil encontrar um parceiro adequado. Determinadas marcas e produtos poderão ser objecto de acordos de franchinsing, uma forma de comercialização com grande divulgação em Singapura e que, de alguma forma, se poderá dizer que está bem adaptada ao estilo de comércio (normalmente de natureza familiar e em que as relações interpessoais e a fidelidade ao grupo são importantes) adoptado pela comunidade chinesa.


Tratando-se de um mercado com a sofisticação que lhe advem do seu nível de rendimento, da presença de uma vasta comunidade de expatriados europeus e americanos e da sua localização, factores fundamentais para a venda são o preço, a qualidade e o serviço pós-venda pois, devido àqueles mesmos factores, a concorência é muito grande. Basta entrar num dos grandes armazéns --- na sua grande maioria japoneses --- que enxameiam Orchard Road para perceber que assim é.


Face às características deste mercado, parecem especialmente adaptadas para eventual comercialização local os produtos de consumo, particularmente os da gama média-alta. Nos últimos anos têm conhecido uma evolução muito rápida as vendas de produtos como os cosméticos, os de decoração e equipamento das habitações, o equipamento para hotéis e restaurantes, as frutas frescas e secas e os artigos desportivos e de recreação.


Refiram-se também os vinhos, nomeadamente os de mais elevada qualidade. Neste domínio, como noutros, é possível retirar algum proveito quer da presença da comunidade de expatriados europeus e americanos quer da natural tendência das comunidades chinesas para a ostentação. Esta tendência é aqui, no entanto, bem menos marcada do que na China, em Macau e em Hong Kong.

Informações específicas sobre alguns sectores

Produtos para o lar


A grande maioria das famílias locais é proprietária da sua própria habitação, mesmo que esta se situe nas cidades satélites e seja construída sob os auspícios das autoridades em regime de habitação económica (para os padrões locais...). O número de habitações da gama alta é, no entanto, cada vez maior. Constroem-se por ano cerca de 30 mil novos apartamentos e 10 mil habitações de maior qualidade. Isto contribui para que alguns dos subsectores com mais interesse neste mercado sejam os dos utensílios para o lar (nomeadamente de cozinha) e dos revestimentos para o chão (p.ex., tapetes).

1994 1995 1996
Dimensão do mercado 667 767 828
Produção local 501 576 622
Exportações 660 759 820
Importações 826 950 1026


As importações são muito maiores do que faria supor a dimensão do mercado porque há um volume significativo de reexportações para outros países do Sudeste Asiático (Malásia e Tailândia).

Equipamentos para hotéis e restaurantes

O enorme crescimento do sector do turismo e o facto de algumas cadeias de hotéis do país estarem a estender-se para outros países da região, tornam este mercado particularmente apetecível.

1994 1995 1996
Dimensão do mercado 262 275 289
Produção local 160 168 176
Exportações 325 341 358
Importações 427 448 470

Frutos frescos e secos


A melhoria do nível de vida aumentou significativamente o consumo de frutos exóticos à região. Disso têm tirado partido produtores americanos e australianos que colocam os seus produtos no país recorrendo ao transporte aéreo. Mas o facto de haver outros produtores mais perto, não significa que este não seja um mercado a explorar.

1994 1995 1996
Dimensão do mercado 215 251 292
Produção local 0 0 0
Exportações 142 149 156
Importações 357 400 448

Alguns endereços úteis

Customs and Excise Department
1 Maririme Sq., #03-01/#10-01, World Trade Centre
Tel: [00.65] 272 82 22; Fax: [...] 277 90 90

Economic Development Board
250 North Bridge Rd., #24-00 Raffles City Tower
Tel: [...] 336 22 88; Fax: [...] 339 60 77

Immigratin Department
95 South Bridge Rd., 7th/8th Storey Pidemco Centre
Tel: [...] 530 18 01; Fax: [...] 530 18 40

Jurong Town Corporation
301 Jurong Town Hall Rd.
Tel: [...] 560 00 56; Fax: [...] 565 53 93

Port of Singapore Authority
460 Alexandra Rd., PSA Building
Tel: [...]274 71 11; Fax: [...] 274 46 77

Singapore Federation of Chambers of Commerce and Industry
47 Hill St., #03-01
Tel: [...] 338 97 61; Fax: [...] 339 56 30

Singapore International Chamber of Commerce
6 Raffles Quay, #10-01 Tong Eng Bldg.
Tel: [...] 224 12 55; Fax: [...] 224 27 85

Trade and Development Board
230 Victoria Street, Bujis Junction Office Tower
Tel: [...] 337 66 28; Fax: [...] 337 68 38 ou 337 68 98

Bibliografia
Fonte principal: U.S. Department of State Singapore Country Commercial Guide
Bibliografia do CEsA sobre Singapura: SERRA, A. M. de Almeida Singapura: um caso de sucesso económico, CEsA, Lisboa, 1996

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Última versão: 15 de Outubro de 1997

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