Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 1; 1º Trimestre/1998

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

China - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política

O principal facto a salientar no último trimestre foi o sucesso da visita do Presidente Jiang Zenmin aos Estados Unidos. No rescaldo desta foi libertado o mais conhecido dos presos políticos chineses que de seguida rumou aos Estados Unidos.

De relevância ainda o facto de a China, a não ser através da promessa de apoio à manutenção da paridade do dólar de Hong Kong, se ter inibido de qualquer tipo de interferência visível sobre a sua Região Administrativa Especial durante a crise cambial que esta atravessou no fim de Outubro passado. Quer dizer que o modelo de "um país, dois sistemas" resistiu bem à sua primeira prova de fogo. Bons augúrios para Macau?

Situação económica

Nos últimos tempos o "caso de sucesso" que constituíu a estabilização da economia passou a ser olhado por muitos analistas com alguma preocupação devido aos receios de que ela dê lugar à deflação ou, pelo menos, a uma situação de relativa estagnação da economia a la Japão.

Produção

No terceiro trimestre de 1997 a taxa de crescimento do PIB foi de 8.1%, tendo a produção industrial aumentado em 11.6% entre Nov/96 e Nov/97. As estimativas para o crescmento do PIB para o conjunto do ano de 1997 apontam para uma taxa de cerca de 9.5%.

As previsões de um crescimento do PIB em cerca de 8%-9.5% em 1998 parecem afastar as nuvens negras quanto à situação económica.

Por outro lado, as enormes dívidas acumuladas pelas empresas do sector estatal junto da banca (também ela estatal) não podem deixar de ser motivo de preocupação quer para as autoridades económicas chinesas quer para os agentes económicos externos.

Daí a urgência em reestruturar o sistema financeiro nacional e as empresas públicas produtivas --- ou, melhor, improdutivas... Mas quando se pensa no enorme volume de mão de obra que pode ser afectada negativamente, compreende-se a lentidão das autoridades chinesas em resolver o problema.

A solução passará, provavelmente, pelo aumento da produção interna. Ora, a crescente concorrência a que a China terá de fazer frente devido às desvalorizações das moedas da região poderá fazer abrandar a produção chinesa para exportação.

Neste caso, só o aumento do consumo interno --- empurrado por uma política monetária mais expansionista do que a praticada nos últimos anos para lutar contra a inflação --- poderá contribuir para a absorção do desemprego a gerar pela reestruturação das empresas públicas.

Comércio internacional

A balança comercial registou, no ano terminado em Novembro passado, um saldo positivo de quase 40 biliões de USD, o que dá uma ideia da saúde de que gozam as exportações do país.

Este facto não deixará de ser tomado em consideração na decisão de, face às pressões em curso sobre o yuan, desvalorizá-lo ou não. A julgar por aquele saldo, não parece urgente --- se é que é necessária --- uma eventual desvalorização que reponha a competitutividade externa das exportações chinesas face às dos países da região, em particular os do Sudeste Asiático.

Inflação

O resultado mais palpável do sucesso da luta contra a inflação é o facto de a sua taxa no período Nov/96-Nov/97 ter sido de 1.1% (8.3% em 1996).

A este nível de variação dos preços, não admira que alguns autores comecem a falar dos perigos --- para ela mas tambem para o resto dos países da região --- de uma eventual situação de deflação na China. E se a ela se juntar igual fenómeno nos Estados Unidos --- e porque não no Japão? Já se esteve muito mais longe...

Moeda e taxas de juro

Face à necessidade de incentivar a economia através, nomeadamente, do aumento do consumo interno, não será de admirar que se venha a verificar uma (cautelosa) descida da taxa de juro. Entretanto, para já, ela deverá manter-se aos níveis actuais (cerca de 10.8%).

Câmbios e reservas cambiais

Motivo de preocupação para alguns é a reacção, a curto-médio prazo, do yuan face à evolução da maioria das moedas da Ásia Pacífico (vd. o que se disse na pág. anterior).

No entanto, a taxa de câmbio do yuan tem-se mantido estável nos últimos meses nos US$=RMB 8,28.

No início deste mês o câmbio era de PTE 22$28 /CNY (21$787 no trimestre passado).

As reservas cambiais são de 140 biliões de USD.

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Última versão: 15 de Janeiro de 1998