Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 2; 2º Trimestre/1998

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

China - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
O grande acontecimento do trimestre anterior foi a reunião, em Pequim, do Parlamento do país, o Congresso Nacional Popular. Daí resultaram um conjunto de decisões, a maioria delas já programadas como é o caso da substituição do Primeiro Ministro Li Peng pelo "pai executivo" das reformas económicas da China, Zhu Rongji.
Esta ascenção do principal responsável pela execução das reformas económicas idealizadas por Deng Xiao Ping diz bem da importância que o controlo da economia e a continuação da sua reforma vai ter.
Na primeira linha das alterações está a reestruturação do próprio governo: os ministérios foram reduzidos de 40 para 29.
Estas alterações destinam-se a, entre outros objectivos, dar uma maior eficácia a uma equipa de governantes que vai ter pela frente uma das tarefas fundamentais que se coloca à China nos próximos anos: a reestruturação do Sector Empresarial do Estado, com o inevitável encerramento de alguns milhares de empresas e consequente aumento do desemprego (e das tensões sociais?). Segundo algumas previsões, estes poderão vir a ascender a mais de 100 milhões!

Situação económica
O país parece ter absorvido relativamente bem a crise económica que avassalou a Ásia Oriental nos últimos nove meses mas a quebra da competitivi-dade externa das exportações do país --- o yuan quase não alterou a sua cotação nos últimos tempos enquanto que houve moedas do Sudeste Asiático que se desvalorizaram mais de 50% --- pode vir a provocar, a partir de agora, algumas dificuldades nas contas externas.
Por outro lado, a reestrutura-ção do sector público produtivo pode vir a gerar volumes de desemprego crescentes e, com eles, uma redução nos ritmos de crescimento do consumo interno. Compreende-se assim a importância que as autoridades económicas estão a colocar na execução de um vasto programa de infraestruturas.

Produção
O Congresso Nacional Popular fixou como objectivo para 1998 o crescimento do PIB em 8%, um valor que não anda muito longe das previsões de muitos dos analistas independentes, que situam aquela taxa nos 8-9%.
A verificar-se esta taxa, o crescimento do PIB será em 1998 sensivelmente idêntico ao do ano passado.

Comércio internacional
As exportações, que no ano passado cresceram a um ritmo de cerca de 20%, deverão este ano aumentar apenas 8%. A verdade, porém, é que os números para os dois primeiros meses deste ano parece desmentirem aquela perspectiva pessimista já que as exportações terão aumentado 15,7% relativamente ao mesmo período do ano anterior, o que poderá ser, em parte, o resultado de uma certa "paralisia" dos países do Sudeste Asiático.
Por outro lado, as necessidades ligadas com a intensificação da reestruturação da economia chinesa resultarão num aumento significativo das importações (+14%, contra +5% e +2,5% nos dois últimos anos). Por enquanto (i.e., Jan+Fev/98), porém, elas mantiveram-se ao mesmo nível de (igual período de) 1997.
Em resultado desta evolução, o saldo comercial dos dois primeiros meses deste ano foi de 7 biliões de US$.

Inflação
A política de preços deverá continuar a privilegiar o controlo da taxa de inflação aos níveis do ano anterior. No entanto, a necessidade de aumentar significativamente o investimento em infraestruturas para tentar absorver uma parte do desem-prego a ser criado pelo encerra-mento de empresas públicas tenderá a criar presões no sentido da ligeira subida dos 2,8% em 1997 para os 4% este ano.

Moeda e taxas de juro
A taxa de juro de curto prazo é de 9,18% (The Economist).

Câmbios e reservas cambiais
Nada parece justificar uma desvalorização do yuan: as reservas cambiais são muito grandes (140 biliões de US$, as segundas a nível mundial), a dívida externa do país é relativa-mente reduzida e principalmente de longo prazo, o regime cam-bial do país põe-no a coberto de ataques especulativos à sua moeda e os custos políticos e económicos de uma desvalori-zação seriam demasiado elevados.
Por tudo isto a taxa deverá continuar a ser de cerca de RMB 8,3/USD, equivalentes a PTE 22$60/RMB.

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Última versão: 15 de Abril de 1998