Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 1; 1º Trimestre/1998

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Comentário



"Vê se descobres caminho para a Índia!..."


Neste ano de 1998, em que se comemoram quinhentos anos da descoberta do caminho marítimo para a Índia pela rota do sul da África --- a do Mediterrâneo Oriental e Golfo Pérsico há muito que era utilizada pelos navegadores e comerciantes árabes ---, apeteceu-nos começar este comentário com uma pergunta de contornos propositadamente dúbios. De facto, ela pode/deve ser entendida em (pelo menos) dois sentidos: por um lado, o da descoberta, pelo povo e pelas autoridades económicas e políticas do país do caminho para um desenvolvimento (sustentado e sustentável) e para a luta contra a pobreza de vastas camadas da população; e, por outro, a descoberta por parte dos empresários portugueses das potencialidades de um mercado a quem nos ligam (?) quinhentos anos de História e que começa agora a despertar do sono introvertido provocado pelas opções de política económica de desenvolvimento prosseguidas desde a Independência --- cujos cinquenta anos se comemoraram no ano passado.

As respostas às perguntas subjacentes ao título acima não cabem, naturalmente, num texto desta natureza e publicado, ainda por cima, num boletim que usualmente se dedica apenas à Ásia Oriental e do Sudeste. Porquê, então, metermos a foice em seara alheia? E como o iremos fazer?

À primeira destas duas últimas questões respondemos de uma forma simples: porque entendemos que a Índia será o próximo gigante asiático a despertar; porque a presença em Portugal (e Moçambique) de uma numerosa comunidade de origem indiana ou paquistanesa faz antever a possibilidade de se estabelecerem laços comerciais e de investimento mais fáceis do que com outras paragens; e porque o CEsA desenvolve actualmente, com apoio financeiro do Programa PRAXIS XXI, investigações sobre a Ásia do Sul similares às que tem vindo a desenvolver em relação à Ásia Oriental e que estiveram na origem deste boletim.

Esta última referência permite-nos responder à pergunta colocada acima sobre o como fazer: através da inclusão, a partir deste número do Ásia Oriental, de uma ficha de análise da economia indiana semelhante à dos demais países e da abordagem neste número, de algumas informações básicas sobre o mercado indiano.

Por fim, a resposta à questão sobre o caminho que os indianos estão a dar à nova Índia. Esta começou a surgir no início da década de 90, quando, pela mão do então Primeiro-Ministro P.V. Narasimha Rao, se introduziram alterações significativas no enquadramento geral da economia do país no sentido da sua crescente liberalização e extroversão.

Passos mais importantes deste percurso foram: por um lado, a forte desvalorização da rupia em 1990, primeiro, e em 1992, depois, quando a sua cotação passou dos INR 17.95/US$ de 1990/91 para os INR 31.36/US$ de 1993/94 (cerca de 40 actualmente); e, por outro, a grande diminuição da taxa média de protecção aduaneira, que passou de 90% em 1984/87 para 42.6% em 1991/93 --- ainda uma taxa elevadíssima, nomeadamente se comparada com os 10-12% de vários países do Sudeste Asiático (Malásia e Indonésia, p. ex.) ou da América Latina (Brasil: 14.7%; México: 12.3%), quaisquer deles seus potenciais concorrentes em vários mercados internacionais.

Ora, a instabilidade política que tem caracterizado os últimos tempos da Índia --- três primeiros ministros em pouco mais de um ano --- não é boa conselheira para a transformação económica que se torna necessária para o país. Veja-se o que aconteceu à Tailândia nos tempos mais recentes... Não que estejamos a colocar ambas as situações no mesmo prato da balança, mas se o objectivo é que elas não se venham a parecer demasiado uma com a outra (principalmente no mau sentido), então parece evidente que se torna necessário uma maior clarificação da situação política interna da Índia --- que inclui uma mais clara demonstração de que a opção pela aber-tura da economia ao exterior é para aprofundar. Esperemos que as próximas eleições, a realizar ainda neste trimestre, permitam tal clarificação.

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Última versão: 15 de Janeiro de 1998