Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 1; 1º Trimestre/1998

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Coreia do Sul - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política

Como previsto, realizaram-se no passado dia 18 de Dezembro as eleições presidenciais na Coreia. O destino fez com que elas ocorressem pouco depois da assinatura do acordo que permite ao país aceder a um crédito de cerca de 57 biliões de US$ liderado pelo FMI (que dispensará 20 biliões do total) e que, como é usual, terá como contrapartida a adopção de uma política económica bastante restritiva.

Esta não deixará de ter consequências importantes --- principalmente no curto prazo --- sobre o nível de vida da generalidade da população. Dois factos são bem ilustrativos dos (maus) tempos que se avizinham: por um lado, a taxa de crescimento prevista para 1998, depois de ter sido de 6,1% em Junho de 1997, é agora de pouco mais de 2% (previsão actual da OCDE) embora a meta fixada no acordo com o FMI seja de 3% e observadores externos apostem nos... -2%.

Por outro lado, a taxa de desemprego, usualmente de cerca de 2-2,5%, poderá subir este ano até aos 7%. Por isso é de esperar que haja um grande aumento da instabilidade social.

Por tudo isto, não é de estranhar que as eleições tenham sido ganhas (com 40% dos votos e pela primeira vez desde a fundação do país em 1948) pelo candidato da oposição mais bem posicionado: Kim Dae Jung.

O novo Presidente já garantiu que cumprirá os acordos com o Fundo --- que incluem uma forte reestruturação cum liberalização da economia do país, incluindo uma maior abertura deste e das suas empresas ao investimento estrangeiro.

Situação económica

A Coreia foi nos últimos meses um dos países da região com maior instabilidade económica.

Como era de esperar, os problemas de excessivo endividamento de muitos dos seus principais grupos económicos e do país em geral ( rácio da dívida externa de curto prazo em relação às reservas em divisas: 224%!)bem como os profundos desequilíbrios do seu sistema financeiro vieram ao de cima e provocaram uma quebra significativa da Bolsa e da taxa de câmbio. Esta baixou dos KRW 900/USD em Agosto passado para os cerca de KRW 1600-1700 actuais.

Quanto à queda da Bolsa de Seoul, ela deve ser compreendida no quadro do comportamento dos investidores estrangeiros na Ásia Oriental depois da falência de alguns grandes grupos económicos coreanos (chaebol)(p.ex., a KIA) e do crash da Bolsa de Hong Kong.

Produção

Ainda que se possa dizer que a crise actual das economias da região só limitadamente é resultado de uma crise da economia real --- vd. a seguir os valores para o crescimento do PIB e das exportações na Coreia --- a verdade é que esta não pode ficar imune às alterações entretanto ocorridas.

Entretanto, os dados disponíveis para o 31 trimestre de 1997 referem uma taxa de crescimento da produção (PIB) de 6,3%, devido fundamentalmente ao aumento das exportações.

Comércio internacional

Relativamente aos três primeiros trimestres de 1996, o défice comercial melhorou no mesmo período de1997 pois baixou de 15,5 biliões de US$ para 10,4 biliões na sequência do rápido aumento das exportações (+15.5% entre Set/96 e Set/97) e de uma acentuada queda das importações (-0,6% entre Jan1 e Out1/97 em relação a igual período do ano anterior).

A grande desvalorização do won deverá contribuir positivamente para a melhoria da situação das contas externas.

O lado negativo é que os termos de troca têm diminuído muito, tendo actualmente o nível mais baixo (73, com 1995=100) desde 1988.

O objectivo fixado no acordo com o FMI é reduzir o saldo da Balança de Transacções Correntes dos 11 biliões USD previstos para 5 biliões em 1998-99.

Inflação

A taxa de inflação tem-se mantido nos cerca de 4,2% desde o início de 1997. A forte desvalorização ocorrida nos últimos meses e as inevitáveis subidas de preços que lhe andam associadas fazem prever uma subida desta taxa.

Moeda e taxas de juro

A luta para o controlo da situação económica sob a batuta do FMI reflectiu-se desde logo nas taxas de juro, que são agora de cerca de 25%quando em Outubro rondavam os 14%.

Taxa de câmbio e reservas cambiais

O won vale actualmente (2/Jan) KRW 1695/USD (PTE $11/KRW.

A tentativa de defesa da cotação do won fez as reservas do país baixarem para os cerca de 21 biliões USD actuais, quando no fim de 1996 eram de 34 biliões.

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Última versão: 15 de Janeiro de 1998