Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 1; 1º Trimestre/1998

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Coreia do Sul - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
Depois de eleito um novo Presidente, a Coreia está a viver um período de acalmia das lutas políticas que a caracterizaram nos últimos tempos. Isto é essencial para que as autoridades do país concentrem a sua atenção na recuperação da situação económica --- que com uma queda do PIB per capita dos 10500 US$ de 1996 para os 9500 US$ de 1997 e os menos de 7000 US$ (estimativas) de 1998, não anda muito longe de se poder considerar um desastre embora estes valores sejam em US$ e não em Paridade do Poder de Compra!..

Situação económica
Ao longo dos três primeiros trimestres de 1997 o PIB foi conhecendo taxas de crescimento muito superiores à média anual de 5,5% mas no último trimestre esta fixou-se em 3,9%, muito abaixo do valor máximo de 6,6% no 21 trimestre. Para 1998 o banco central estima o crescimento em -1%, o que resultará num volume total de 2 milhões de desempregados (500 mil no final de 1997). Pior, estes desempregados terão pouquíssimas ou nenhumas hipóteses de encontrar um novo emprego a curto/médio prazo devido ao processo de reestruturação de muitas das chaebol e/ou ao encerramento das empresas.
Com tais números, se a recuperação económica não for bem sucedida será difícil manter a paz social no país.
Estimativas do Samsung Economic Research Institute prevêm que se a política económica adoptada não conseguir reverter a situação actual, o país terá uma taxa de desemprego de 11% no ano 2000 --- benvinda ao "clube dos ricos", Coreia!... ---, mantendo-se taxas negativas de crescimento até então (-3%, -2,2% e -1,3% este ano e nos dois seguintes).
Porém, se a política económica for bem sucedida, 1999 verá o PIB crescer 2,5%, taxa que aumentará (pelo menos) até aos 4,1% do ano 2002.
Note-se que, segundo cremos, a Coreia deverá ser o país que mais rapidamente irá recuperar da sua "doença" pois, tal como já acontecera no início dos anos 80, quando ela recuperou em cerca de dois anos dos desequilíbrios que então a afectaram, ela está a mostrar-se o melhor "doente" do FMI ao "tomar o remédio todo" na esperança de que a "doença" acabe depressa. Esperemos que não morra de overkill... O que não estará longe se se concretizar a previsão da Lehman Brothers: uma redução de -6% (!) do PIB este ano.

Produção
A queda da produção no final do ano foi acompanhada de uma descida no consumo privado (-1%), no investimento (-28,2%) e em vários dos sectores produtivos (+2,8% na construção civil; +6,2% nas manufacturas; 6,5% nos serrviços).
A produção industrial teve uma queda de 10,3% em Janeiro p.p. relativamente a Jan/97.

Comércio internacional
Devido à forte desvalorização do won, as exportações aumen-taram significativamente e as importações têm sofrido uma forte redução --- até porque as empresas têm grande falta de liquidez. O resultado foi um saldo acumulado de +6,9 biliões de US$ na balança de transacções cor-rentes durante os dois primeiros meses deste ano.

Inflação
A taxa de inflação Fev/97-Fev/98 foi de 9,5%, bem superior à de 4,2% que se manteve durante quase todo o ano de 1997. A forte desvalorização do won será a causa principal desta rápida subida dos preços.

Moeda e taxas de juro
Central à política económica que tem sido prosseguida sob a orientação do FMI é a política de taxas de juro elevadas que fixem no país os capitais nacionais, que atraiam novos capitais estrangeiros e que "limpem" do sector produtivo as empresas pouco eficazes e com estruturas financeiras débeis.
Daí que a taxa de juro de curto prazo seja actualmente de 22,7%, o que implica graves dificuldades para a maioria das empresas.

Taxa de câmbio e reservas cambiais
Devido à melhoria significativa da situação cambial do país --- a qual se fica a dever aos apoios das instituições internacionais, ao roll-over das dívidas externas de curto prazo e sua substituição por empréstimos a médio e longo prazo, aos excedentes na balança de transacções correntes, etc ---, a taxa de câmbio tem conhecido uma rápida evolução positiva: dos KRW 1700/US$ do fim de 1997 passou-se aos cerca de KRW 1300/US$ do final de Março.

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Última versão: 15 de Abril de 1998