Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 3; 3º Trimestre/1998 (Jul.)

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Coreia do Sul - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA


Situação política
Neste domínio não há grandes factos a assinalar. Registe-se, no entanto, a aparente dificuldade que o governo está a ter no processo de reestruturação da economia e, nomeadamente, das chaebol e a já esperada (forte) reacção das forças sindicais ao aumento do desemprego.

Situação económica
Tal como previram muitos analistas, a crise financeira que atingiu a Coreia no final de 1997 só agora começa, verdadeiramente, a fazer-se sentir no domínio real.
Este facto é traduzido na prática por uma taxa de crescimento negativa (-3,1%) do PIB durante o primeiro trimestre deste ano. Mas o pior parece estar ainda para vir (nos segundo e terceiro trimestres) já que as previsões são de que a queda do produto seja, este ano, de 6-8%, uma das maiores quedas de produção da Ásia Oriental.
De notar que a componente da despesa mais afectada tem sido, como é natural, o investimento, que deverá cair este ano cerca de 16% (o consumo baixará 8% em relação a 97)..

Produção
Devido à crise económica, o sector industrial tem sido dos mais afectados. Disto é manifestação a queda da sua produção à taxa de 10,8% (taxa anual) em Abril.
O resultado desta evolução (PIB e PInD) é um aumento significativo da taxa de desemprego,actualmente 7,5% quando antes da crise se situava nos cerca de 2%.
Naturalmente, este facto não deixará de se traduzir --- como se tem traduzido ---- num aumento da instabilidade social.

Comércio internacional
As expectativas criadas no início do ano relativamente ao grande crescimento das exportações não se vieram a confirmar.
De facto, embora elas tenham crescido à taxa anual de 21% (!) em Fevereiro p.p., nos meses seguintes o crescimento não foi além dos 6-7%.
Por outro lado, as importações têm conhecido uma fortíssima queda (taxa anual de -35%!), resultante da dificuldade das empresas em assegurar os financiamentos para as importações de inputs intermédios e de bens finais bem como da queda da produção de que damos conta mais acima.
O resultado desta evolução é um aumento significativo do saldo da balança comercial: de negativo em 1997 (-8,5 biliões de USD), deverá passar a positivo (+20 biliões segundo uma estimativa, +40 segundo outra) em 1998. Naturalmente, esta evolução repercutir-se-á sobre o saldo da balança de paga-mentos: +28 a +36 biliões de USD.

Inflação
Quando a crise se desencadeou (Nov/97), os preços começaram a subir (6,6% neste mês) até atingirem os 9,6% em Fev/98. A partir de então voltaram a descer gradualmente, sendo a sua taxa de variação em Abril/97 de 8,8%.

Moeda
Condicionada pelo teor dos acordos estabelecidos com o Fundo Monetário Internacional, a política monetária, nomeadamente a de crédito, tem sido muito restritiva quando comparada com as necessidades efectivas da economia nacional. É aqui, neste credit crunch, que é necessário procurar a razão (ou, pelo menos, uma das razões, provavelmente a mais importante) para a queda verificada na produção.
De notar é o facto de esta variável ter crescido à taxa de 21% em Dezembro/97 e logo a seguir, após os acordos com o FMI, ter baixado para a taxa média anual de 13,8% (a meta fixada pelo FMI é de 15%).

Taxas de juro
A prime rate é de 18,1%, o que traduz uma taxa de juro real relativamente elevada (vd. acima a taxa de inflação = 8,8%).
Esta opção, definida, também ela, no acordo como FMI, visa reduzir a procura interna e, articuladamente com a política cambial, atrair ao país ou desincentivar a sua saída, capitais tão necessários para equilibrar as contas externas.

Taxa de câmbio
A taxa de câmbio do won é actualmente de cerca de KRW 1344 / USD, equivalentes a PTE 7$30/KRW.
Há um ano, imediatamente antes da crise se declarar, a taxa era de KRW 888/USD.

Reservas cambiais
O apoio financeiro do FMI e a melhoria da balança de pagamentos (vd. acima) são as responsáveis pela melhoria das reservas cambiais: 35,5 biliões de USD em Abril p.p.

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Última versão: 15 de Abril de 1998