Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 4; 4º Trimestre/1998 (Out.); ÚLTIMA EDIÇÃO

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Coreia do Sul - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA




Situação política

Tal como assinalámos no trimestre anterior, continua a não haver grandes alterações na relativa estabilidade política que se seguiu à realização das eleições e à tomada de posse do actual Presidente da República.

Mas se no campo da política a nota é de acalmia, no campo social continuam as reacções dos trabalhadores a uma situação económica e social --- taxa de desemprego de 7% em Junho e com tendência a aumentar --- que teima em demorar a ver a luz ao fundo do túnel.



Situação económica

Aquela luz parece, aliás, cada vez mais longe --- pelo menos do lado da economia real, já que algumas previsões apontam para que se atinja, no último trimestre deste ano, uma taxa anual de (de-)crescimento do PIB de -8,9%, com o consumo privado a diminuir 15,5% depois de ter caído uma média de 15% no semestre anterior.

Esta evolução deve-se, segundo muitos analistas, ao verdadeiro overkill a que a economia coreana está a ser sujeita devido às imposições do Fundo Monetário Internacional --- de que se destacam a prática de uma taxa de juro elevada e de uma política de grande restrição ao crédito às famílias e às empresas. Ora, como diz um analista da situação da Tailândia

--- que está a aplicar, também por imposição do FMI, um programa semelhante ao da Coreia --, "altas taxas de juro não apoiam necessariamente a taxa de câmbio de um país se o abranda-mento económico que delas resulta matar as oportunidades para o investimento rentável na economia real".



Produção

Elemento importante da crise é a redução da produção industrial quer por quebra da procura interna quer em resultado da falência de muitas empresas, arruinadas pela política financeira prosseguida. O resultado foi uma queda da produção industrial (Jun/97-Jun/98) de -12,9% e uma taxa de desemprego que ronda agora os cerca de 7% mas que, como se disse, deverá aumentar até ao final do ano .

Algumas previsões são de que o PIB desça -6% este ano mas cresça 2% em 1999.



Comércio internacional

A queda dos principais indicadores económicos teve como resultado a melhoria da situação quanto ao comércio externo já que foi possível aumentar as exportações ao mesmo tempo que as importações sofriam uma queda apreciável. Resultado: um aumento do saldo da balança comercial de USD +28 biliões no período entre Ago/97 e Ago/98.

A balança de transacções correntes, por sua vez, registou no mesmo período um saldo positivo de USD 31 biliões.

Depois de ter tido saldos negativos até 1997, espera-se que a balança de transacções correntes tenha um saldo de +33,8 biliões de USD este ano e de 20,7 no próximo.



Inflação

A taxa de inflação tem vindo a baixar desde o início do ano sob a influência da crise económica e das consequentes dificuldades de escoamento interno da produção. Em Setembro foi de 6,9%.

A previsão é de que a taxa deste ano seja de 8%, baixando em 1999 para -1%.



Moeda

A oferta de moeda (Agosto98/Agosto97) aumentou 18,3%.



Taxas de juro

A prime rate é de 11,3%, que, apesar da grande redução face ao trimestre anterior, considerada ainda muito eleva-da face às condições concre-tas da economia mas que resulta dos acordos impostos pelo FMI como contrapartida do (enorme) financiamento que disponibilizou ao país.

O resultado tem sido a criação de crescentes dificuldades à maioria das empresas nacionais levando ao fecho de muitas delas e aumentando o desemprego.



Taxa de câmbio

A taxa de câmbio do país tem mostrado, nos últimos tempos, uma grande instabili-dade devido, nomeadamente, à evolução do USD e do JPY. Por exemplo, ela passou de KRW 1031 para KRW 1400 de 21 para 22 de Setembro p.p., mantendo-se actualmente num valor próximo deste último.

O câmbio actual é de cerca de KRW 7,97/PTE



Reservas cambiais

A situação relativa ao comércio internacional e o continuado apoio financeiro do FMI e de outros financiadores permitiu que a situação das reservas cambiais melhorasse significativamente: estima-se que em Agosto passado elas fossem de USD 46,6 biliões (35,5 biliões em Abril p.p.).

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Última versão: 15 de Outubro de 1998