Curso tal como ministrado no
Mestrado em Desenvolvimento e Cooperação Internacional
ISEG-Instituto Superior de Economia e Gestão
Universidade Técnica de Lisboa / Portugal
 

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Cap. 3 - Dos modelos de crescimento
às políticas económicas de desenvolvimento

 

Este capítulo pretende recordar e aprofundar as ligações existentes entre a história dos factos económicos, dos modelos de crescimento --- nomeadamente a sequência de modelos mais conhecidos (Harrod-Domar, Solow e "crescimento endógeno") --- e a das políticas económicas que lhes andaram associadas. Tudo isto num quadro de tentativa de determinação das principais lições que se podem retirar para a definição, hoje, de uma política (económica mas não só) de desenvolvimento que se pretende sustentado (no tempo), centrado no Homem (e não nas coisas...) e (ambientalmente) sustentável.

Não tendo sido ainda possível redigir um texto próprio para este capítulo, apresentam-se a seguir algumas referências bibliográficas que ajudam à abordagem do tema.

Recordamos aqui apenas que os modelos de crescimento mais antigos --- como, por exemplo, o de Harrod-Domar --- colocam o acento tónico na importância da poupança (como fonte de financiamento do investimento produtivo) e que daí deriva para a política económica a recomendação de que é essencial aumentar a capacidade de poupança de um país. Assim sendo, quase que se poderá dizer que "tudo o que for bom para aumentar a poupança será bom para o crescimento". Incluindo, na perspectiva de alguns autores, alguma concentração na distribuição dos rendimentos já que os pobres não poupam...
   Esta é uma leitura do processo de crescimento que não diverge muito da do "modelo" de "estágios" de Rostow e que remete também para o aumento do "capital físico" como prioridade para as políticas de investimento, nomeadamente em infraestruturas (mas não só).
   Este modelo esteve na base de parte importante da cooperação internacional durante muitos anos e levou, por exemplo, à ênfase do Banco Mundial na construção de infraestruturas (portos, estradas, barragens, etc.). Para alguns autores ele e a sua versão de "financial gap" continuam a ser determinantes na definição das políticas de cooperação das principais agências de cooperação internacional.
   Literatura recente sobre o papel das infraestruturas no crescimento económico --- influenciada, nomeadamente, pelo papel que elas têm tido no crescimento dos países da Ásia Oriental --- parece retomar as concepções deste modelo que, para alguns, acabam por se tornar quase verdadeiros "pontos de passagem obrigatórios" do crescimento (e do desenvolvimento).

   Formulações mais recentes colocam a ênfase quer no papel da educação quer no do desenvolvimento "endógeno" de tecnologia, daí derivando recomendações para a política económica de que deve encontrar recursos para serem aplicados na formação do "capital humano" --- e não apenas no "capital físico" como parecia derivar dos modelos mais antigos. Note-se, porém, que talvez mais do que em outras áreas do conhecimento em ciências sociais, este funciona, neste domínio, por acumulação de camadas/teorias/modelos, mais do que por simples e total substituição de uma mais antiga por outra mais moderna, assistindo-se a uma certa "convivência" entre as teorias --- que é ainda mais nítida, porém, ao nível das políticas económicas que defendem.

Veja a Bibliografia



Bibliografia Top

NOTA: as referências que se seguem são apenas algumas das muitas existentes sobre o tema central deste capítulo. Os textos referenciados servem para apoiar bibliograficamente uma investigação sobre o assunto. Os que estão disponíveis na INTERNET (que estão "linkados") são uma boa porta de entrada num manancial cada vez maior de informação sobre o assunto. Sugere-se vivamente ao leitor que "navegue" o mais possível em busca de nova documentação.
'Sites' como os do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial devem ser consultados regularmente.

Uma biblioteca consultável através da INTERNET é a do ISEG/UTL - Económicas" através deste link: "Biblioteca". Aí pode encontrar o seu catálogo e o acesso a bases de dados.

ADB Assessing the impact of transport and energy infrstructure on poverty reduction, co-publicado pelo ADB, DFID. JBIC e WB, Julho/2005

ADB Connecting East Asia. A new framework for infrastructure, ADB, JBIC e WB, 16/Mar/2005

EASTERLY, William The "The Ghost of Financing Gap: Testing the Growth Model Used in the International Financial Institutions", Journal of Development Economics vol. 60, nº 2: pgs 423-38 (Texto completo em *.PDF). Bibliografia fundamental para este ponto.

RAMIREZ, Alejandro, Gustav Ranis e Frances Stewart Economic growth and human development, Queen Elizabeth House Working Paper Series nº 18, Oxford, October 1998, 56 pgs

UNDP Human Development Report, New York, vários anos. Existe tradução de alguns Relatórios para português (Tricontinental Editora, Lisboa) com o título Relatório do Desenvolvimento Humano

WORLD BANK World Development Report, 1999/2000: entering the 21st century -- the changing development landscape, WB, Washington-DC, 1999

A "Overview" e a "Introduction" deste relatório são particularmente importantes por darem uma ideia da evolução do pensamento (mais ou menos "oficial") sobre o desenvolvimento (e as políticas económicas que o implementam) durante o período pós-II Grande Guerra. Complemente-se a sua leitura com a visão mais conjuntural do desenvolvimento constante dos vários (nomeadamente o último) 

WORLD BANK World Development Report, 1998/1999: knowledge for development; WB, Washington-DC, 1999

 

Programa detalhado do curso | ISEG | Mestrado DCI | CEsA | Autor
 

Autor: António M. de Almeida Serra; aserra@iseg.utl.pt

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Última versão: 1 de Março de 2008