Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 1; 1º Trimestre/1998

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Hong Kong - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política

A passagem para a China parece não ter grandes obstáculos pelo caminho, estejam eles do lado de lá ou do lado de cá de Boundary Street.

Por isso, não há nada de especial a assinalar a não ser que o governador que tomou posse no dia 1 de Julho p.p. tem o cabelo mais eriçado que o anterior e os olhos mais amendodos. Alguém nota mais alguma diferença? Pelo menos por enquanto... Só se for na diminuição dos discursos pró-democracia.

Situação económica

Os dados publicados recentemente avaliam em 6,4% a taxa de crescimento do PIB durante o segundo trimestre de 1997 comparativamente com igual período do ano anterior. Recorde-se que este foi o trimestre imediatamente anterior à transferência de poder para a China e a azáfama da sua preparação deve ter contribuído para a aceleração que se verificou face ao primeiro trimestre, em que a taxa de variação tinha sido de 6,1%.

Produção

Depois da aceleração do crescimento referida acima, é possível que este período se tenha verificado um abaranda-mento do crescimento --- aliás usual face à sazonalidade da produção mas que deve reflectir também o final dos trabalhos preparatórios da transição --- já que a taxa de desemprego no período de Setembro a Novembro/97 aumentou de 2,3 para 2,4%.

A última estimativa (Dez/97) da OCDE para o crescimento do PIB foi de 5,4% para 1997 e 5% para 1998 (as estimativas de Junho eram de 5,3 e 5,6%, respectivamente)

Comércio internacional

O défice da balança comercial deverá ter sido, em 1997, de cerca de 20 biliões de USD.

Quanto à informação mensal, a última disponível aponta para um crescimento acentuado quer das exportações quer das importações --- estas ligeiramente mais que aquelas --- durante o mês de Outubro passado.

Inflação

A taxa de inflação foi, entre Outubro de 1996 e Outubro de 1997, de 5,5%, uma taxa mais baixa do que as previsões para o conjunto do ano de 1997 e que são de 6,5%-7%.

Moeda e Taxa de juro

Durante o mês de Outubro verificou-se uma ligeira diminuição do agregado M3. No entanto, entre Outubro de 1996 e de 1997 a sua taxa média de crescimento foi de cerca de 14%.

Na sequência da turbulência dos mercados financeiros da Ásia --- incluindo o de Hong Kong, onde o índice Hang Seng, por exemplo, baixou até aos 9000 pontos, quando no início de Agosto estava nos 16 mill ---, a taxa de juro (3 meses) do mercado passou dos cerca de 7% no início de Outubro p.p. para os cerca de 11,5% actuais. Foi a forma de tentar segurar uma parte importante das aplicações financeiras na RAEHK.

Algum optimismo acerca da capacidade de defender a actual taxa de câmbio faz certos observadores esperarem para 1998 uma descida da taxa de juro.

Taxa de câmbio e reservas cambiais

O HKD tem estado, como se sabe, indexado ao USD desde há longos anos à taxa de cerca de HKD 7.75/USD (equivalentes a PTE 23$80/HKD; 23$32 anteriormente). Entretanto os especuladores, convencidos de que dessa ligação resultou uma sua sobrevalorização --- o que tem algum fundamento --- procuraram ganhar alguns milhões com a eventual desvalorização.

Porém, as autoridades económicas locais, conscientes de que a sobrevivência de Hong Kong enquanto praça financeira do Extremo Oriente seria irremediavelmente posta em causa se o HKD não Afosse (quase) tão bom como o USD, defenderam a cotação através da subida da taxa de juro até níveis que tornaram impossível a compra de HKD para fins especulativos.

Foi na sequência desta actuação que as taxas de juro subiram até aos seus níveis actuais depois de momentaneamente, no final de Outubro, no auge do ataque especulativo (27/10), terem chegado perto dos 300% no overnight!

De destacar em todo este processo o facto de as autoridades chinesas não terem interferido a não ser para fazer saber que, se necessário, interviriam no mercado com os seus cerca de 140 biliões de USD em reservas para defender o HKD.

Note-se que a maioria dos observadores acredita que a taxa de câmbio continuará a ser defendida aos seus níveis actuais. O facto de parte muito significativa das exportações da Região serem produzidas na China e, por isso, não verem a sua competitividade muito afectada pela sobrevalorização do HKD, ajuda à manutenção da actualtaxa.

Entretanto, as reservas em divisas eram, no final de Novembro, de 79 biliões de USD, mais 5 biliões que no mês anterior.

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Última versão: 15 de Janeiro de 1998