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CEsA Estudos Africanos: História e Identidades Luso-africanas pós-coloniais

Estudos Africanos: Historia, dinâmicas contemporâneas e identidades luso-africanas pós coloniais


Descrição

A investigação situa-se no domínio dos estudos africanos, entendidos num quadro de abertura disciplinar, enquanto interrogação presente sobre as dimensões históricas e contemporâneas da africanidade. O estudo do mundo lusófono na multiplicidade e heterogeneidade da sua construção sócio-histórica constitui terreno privilegiado de observação. No entanto, a construção epistemológica deste objecto obriga a que se esteja atento não apenas a diferentes quadros disciplinares, paradigmas e instrumentos de análise próprios às ciências sociais ocidentais, mas também ao saber africano, cujo apelo consideramos relevante do ponto de vista heurístico. Também quanto às temáticas que consubstanciam a investigação que se pretende valorizar, a preocupação é de transcender as fronteiras do saber estabelecido em torno dos grandes sistemas e das categorias universais de percepção das dinâmicas socioeconómicas, políticas e culturais. Atenderemos, assim, às dimensões inéditas, menos conhecidas, mais vividas, isto é, às vivências pessoais do que constitui hoje a africanidade. Esta linha de pesquisa envolve quatro eixos temáticos:


A história social e económica de África séculos XIX-XX

As tendências no sentido da globalização política e económica que caracterizam o século XIX pré-colonial, constituem ponto de partida para a reflexão sobre a dinâmica de fechamento que caracteriza, no quadro do expansionismo europeu, a experiência da colonização do século XX. Privilegiam-se as análises comparadas, cruzando as experiências coloniais no espaço lusófono com as outras realidades de dominação europeia. Também numa perspectiva comparativa, ainda que particularmente atentos às realidades dos PALOP, se procurará analisar as dinâmicas políticas, sociais e económicas pós coloniais.
Em 2012, o CEsA integrou nas suas actividades e instalações, cedidas pelo ISEG/UTL, o Programa 2012-2014 do Comité Português do Projecto UNESCO A Rota do Escravo. Neste programa inserem-se dois projectos de natureza e conteúdos diferentes que visam um objectivo comum, o estudo de uma temática essencial ao conhecimento da história de Portugal, dos percursos históricos que foram fixando e transformando a(s) identidade(s) nacional(is) e à identificação e salvaguarda do seu património histórico e cultural: ‘Memórias de África em Portugal – séculos XV-XXI’. Ambos os projectos, incluindo a definição e levantamento de itinerários, sítios, patrimónios materiais ou imateriais, reais ou virtuais, seguem e desenvolvem a matriz estudada e publicada por Isabel Castro Henriques, em “A Herança Africana em Portugal – séculos XV-XX”, Lisboa, CTT, 2008 e, posteriormente, revista no Catálogo da Exposição (itinerante) “Os Africanos em Portugal – História e Memória (XV-XXI)”, Lisboa, 2011 (da mesma autora). Resta assinalar que estes dois projectos, para além da sua dimensão nacional, se enquadram na criação de uma Rede Internacional de Sítios de Memória da Escravatura e do tráfico negreiro que visa a elaboração de uma ‘Carta Mundial dos Lugares de Memória da Escravatura e do Tráfico Negreiro’, um já ‘velho’ projecto do Programa UNESCO ‘A Rota do Escravo’, que desde 1994 se desenvolve de forma sistemática à escala mundial.


As diásporas indianas originárias do espaço lusófono

Este eixo de pesquisa situa-se em torno das mobilidades sociais e territoriais contemporâneas. Neste quadro, os itinerários individuais e comunitários de populações originárias do espaço Lusófono e presentes nos nossos dias, quer em Portugal, quer no mundo global, constituem objecto particular de reflexão, numa perspectiva de análise transdisciplinar. Se a temática das construções identitárias continuará a estimular a investigação, tudo indica que a reflexão em torno do seu papel enquanto recurso estratégico na dinâmica de inserção socioeconómica e cultural das diferentes comunidades, poderá revelar-se também de grande pertinência para o lançamento das linhas futuras de investigação. Naturalmente que, neste contexto, a análise da natureza das escolhas económicas, ligadas às estratégias de reprodução material e às modalidades de integração social das diásporas originárias do espaço lusófono, nos diferentes territórios de acolhimento, deve também merecer uma atenção particular.

As diásporas indianas oriundas de Moçambique constituem a principal vertente de análise. O que está em aqui causa, para além da pertinência de se alargar o conhecimento acerca da multiplicidade identitária do mundo lusófono, a partir da experiência colonial em Moçambique, é a intenção de contribuir para a escrita de uma história inédita da colonização. Estabelecida para além do binómio redutor colonizador - colonizado, esta perspectiva apresenta-se-nos como contraponto indispensável às visões da macro história que maioritariamente constituem o legado da historiografia colonial recente. É ainda no quadro deste eixo de pesquisa que se procurará, ao longo dos próximos anos, e reforçando a integração em redes nacionais e internacionais de pesquisa (nomeadamente francesas e britânicas), alargar o estudo outras diásporas (nomeadamente chinesas e gregas) do tempo das colonizações no Índico Ocidental privilegiando quer o domínio das construções identitárias quer o das interacções entre os diferentes grupos que, nomeadamente em contexto urbano, constituíram a sociedade colonial.


Os estudos pós-coloniais

O projecto Nação e Narrativa Pós-Colonial (PTDC/AFR/68941/2006), investigou as representações da nação e das identidades, propostas pelas narrativas pós-coloniais, angolana e moçambicana. Para tal, utilizou como objecto de pesquisa duas espécies de corpus, o textual (narrativas) e o paratextual (entrevistas, depoimentos), produzidos nos últimos trinta anos, a partir da data das independências destes dois países africanos de língua portuguesa (1975).
Tendo em conta o percurso de investigação atrás salientado, e os resultados obtidos, em termos de publicação e internacionalização, o Projecto Narrativas Escritas e Visuais da Nação Pós-Colonial (submetido à FCT este ano) dá continuação e desenvolvimento a duas produtivas – e complementares – linhas de pesquisa, resultantes do trabalho desenvolvido no projecto acima referido. A primeira linha de pesquisa visa alargar os resultados obtidos relativamente a Angola e Moçambique, para Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, nomeadamente produzir um conjunto de ensaios sobre as representações da Nação na Narrativa destes países africanos de língua portuguesa, bem como, complementarmente, realizar entrevistas com escritores e intelectuais daqueles países, a fim de completar, no quadro dos países africanos de língua portuguesa, o estudo sobre a nação e narrativa pós-colonial, que possibilite uma análise comparativa da representação da nação entre os vários países africanos de língua portuguesa.
A segunda linha de pesquisa, complementar à primeira, propõe a apresentação de um produto complementar, orientado para as representações da Nação nas Narrativas Fílmicas dos países africanos de língua portuguesa, alargando assim a perspectiva de estudo das Representações da Nação dos textos literários ao cinema. Vamos dar continuidade a um dos ensaios, apresentado por um dos investigadores da equipe, intitulado “Nação e Narração: o que nos dizem os cinemas africanos?”. A proposta do actual Projecto Narrativas Escritas e Visuais da Nação Pós-Colonial visa problematizar de que forma a narrativa literária e fílmica de Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, constitui um laboratório propício à construção de comunidades imaginadas e à projecção de novas identidades. É nosso objectivo a realização de um conjunto seminários e colóquios no CEsA sob a temática Retóricas Coloniais.


Dinâmicas contemporâneas das sociedades africanas

Este eixo de pesquisa enquadra os programas de trabalho dos investigadores doutorandos e pós-doutorados actualmente em curso no CEsA/ISEG, apoiados pela FCT ou submetidos a concurso, interroga problemas socioeconómicos e políticos recentes da África Subsariana, a partir da experiência dos países da África Austral e de Moçambique em particular.





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