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palavras chave: Aldeias do Milénio; Objectivos de Desenvolvimento do Milénio

As Aldeias do Milénio são aldeias, pequenas regiões, ou mesmo bairros urbanos em países em vias de desenvolvimento, em concreto na África Subsariana, que recebem ajudas para se desenvolverem e dessa forma ajudar também a cumprir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Foi um projecto que foi impulsionado pelo economista Jeffrey Sachs, director do Earth Institute, e que recebeu vários apoios como a ONU, corporações transnacionais, governos e indivíduos.

Uma das apostas da iniciativa é instalar uma aldeia modelo com o mínimo de infraestruturas básicas nas áreas de agricultura, educação, saúde e gestão ambiental, que tem como desafio acelerar ao máximo o desenvolvimento socioeconómico das zonas cujas populações vivem em extrema pobreza. Este projecto focaliza-se essencialmente no sector agrícola, porque além de ser o sector predominante nos países africanos, com as suas excepções, é a maior fonte de riqueza. Desta forma é atribuído de forma gratuita aos camponeses sementes de alto rendimento, fertilizantes e métodos de irrigação, para que estes consigam superar algumas dificuldades e assim terem mais riqueza que, consequentemente, irá aumentar o desenvolvimento. Para além de haver uma aldeia modelo esta tenta ajudar as aldeias vizinhas, no que diz respeito aos cuidados de saúde, possibilidades de obtenção de rendimento, etc.

As populações mais pobres do Mundo, acima dos 80%, moram em aldeias, daí ser essencial melhorar a vida nestas, porque para além do objectivo primordial ser o cumprimento dos ODM, é também importante o desenvolvimento dos países em vias de desenvolvimento.

O projecto Aldeias do Milénio está a focar as suas acções com impacto imediato nas aldeias, tais como:

_ Sementes e fertilizantes para melhorar o rendimento agrícola

_ Redes mosquiteiros anti-malária para as camas

_ Acesso a água potável e limpeza de fontanários

_ Diversificação de cultivos de subsistência para cultivos comercializáveis

_ Reforço da alimentação nas escolas com alimentos locais

_ Tratamento de lombrigas para todos

_ Novas tecnologias como fornos solares e telemóveis solares

Foi em Chibuto, bairro Moçambicano, que nasceu a primeira Aldeia do Milénio. Como relata o Portal do Governo Africano (2006), ‘’ O Conselheiro Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para os Objectivos do Milénio (ODM), Jeffrey Sachs, testemunhou ontem, em Chibuto, província meridional de Gaza, o lançamento da primeira iniciativa de «Aldeia do Milénio», no quadro dos esforços visando acelerar a luta contra a pobreza’’. Sachs momentos depois de lançar o projecto disse, ‘’A Aldeia Milénio é uma iniciativa que hoje tem como desafio o alívio da pobreza, mas, posteriormente, destina-se a melhorar cada vez mais a vida das populações.’’ Sachs assegurou às populações de Chibuto que as Nações Unidas, através do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), vão trabalhar com os beneficiários da iniciativa para melhorarem as suas condições de vida. Segundo o antigo Ministro moçambicano da Ciência e Tecnologia, Venâncio Massingue, este projecto iria beneficiar cinco mil pessoas, num investimento estimado em cerca de 3,3 milhões de dólares. O projecto começou em Chibuto e foi-se prolongando por mais países da África Subsariana. Este projecto tem vindo a crescer e a sortir efeitos nas aldeias onde se alojou. O Senegal é um bom exemplo disso, pois os agricultores em Leona cultivam grande variedade de produtos, como tomate, pimentão e cenoura, mas são os produtores de cebola quem são os mais beneficiados pelo projecto, pois são os que conseguem um maior número de colheitas. Também em Leona a comunidade rural agora tem acesso a energias hídricas e solar, que iluminam as casas e que activam o sistema de irrigação. O projecto também inclui a criação de quatro novos centros de saúde, no qual mais de 31 mil membros da comunidade recebem cuidados gratuitos. Além disso, foram construídas 60 novas salas de aula.

Podemos então concluir que este projecto foi um bem haja para a África Subsariana, pois irá ajudar muitas aldeias ou bairros a combater a pobreza extrema e desse modo acabar com alguma fome no Mundo. Este projecto além de ajudar as comunidades também criou emprego, e atraiu mais pessoas para as suas aldeias. Mas apesar de todas estas coisas ‘’boas’’, há sempre as más. Os produtos queixam-se de estarem isolados do resto do país devido às más condições das estradas. Reclamam também de as sementes e os fertilizantes terem sido entregues com atraso, e que o custo destes é muito alto.

Para além disso as condições sociais das aldeias existentes como posse de terra, locais de enterro de falecidos, direitos sobre linhas de água, pasto de animais, etc, se não forem acautelados fazem com que as populações não adiram a um projeto destes. Em Moçambique o passado de aldeias comunais do tempo colonial e dos primeiros anos da independência criaram muitos anticorpos à deslocação de populações. O projeto tem sucesso se modernizar aldeias existentes e pouco se pretender mudar as populações de lugar.

BIBLIOGRAFIA

Koffigan E. Adigbli (2012), Multifacetário projeto potencializa agricultores do Senegal

Portal do Governo de Moçambique (2006), Primeira ‘’Aldeia do Milénio’’ nasce em Chibuto [acedido em 8/07/2013]

Soares, João (2007), As Aldeias do Milénio [acedido em 8/07/2013]

Sousa, Mariana Abrantes de (2006), Aldeias do Milénio ao alcance com a nossa ajuda [acedido em 8/07/2013]

AUTORIA

Maria Amélia Ferreira Cardoso

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Desenvolvimento e Cooperação Internacional, da licenciatura em Administração Pública, da Universidade de Aveiro

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