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palavras chave: Desenvolvimento Humano, Desenvolvimento global, desigualdades, educação, esperança média de vida, indicadores

O IDHAD aparece em 2010 para computar as perdas ao nível do desenvolvimento humano impostas pela existência de desigualdades nacionais em cada uma das três dimensões do IDH. Até agora o IDH, ao apresentar médias, acabava por encobrir desigualdades entre os indivíduos de um determinado Estado. Em consequência, os níveis de desigualdade social no seio de uma nação em nada influem na sua pontuação global ao nível do IDH.

O IDHAD, calculado para um conjunto de 139 países, repercute as desigualdades ao nível das dimensões do IDH, diminuindo os seus valores conforme o nível de desigualdade verificado num certo país em cada uma das três dimensões.

Por conseguinte, no limite, o IDHAD assume valores iguais aos do IDH se um país for completamente igualitário no que a cada uma das três dimensões diz respeito, diminuindo à medida que as desigualdades vão crescendo. Logo, o papel fundamental do IDHAD é o de relegar o IDH para um índice potencial, coerente com uma hipotética, e até à data nunca descoberta, igualdade máxima entre os indivíduos.

Do ponto de vista metodológico os passos para calcular o IDHAD são três.

A primeira etapa é a da medição da desigualdade. Assim, empregando para o efeito contributos teóricos acerca da problemática das desigualdades introduzidos por Atkinson, em particular parâmetros de aversão à desigualdade, a medida de desigualdade proposta é a seguinte:

formula12

que, intuitivamente, equivale a

formula13,

com formula14 a representar a medida de desigualdade e com formula15(e formula16) e formula17 (e formula18), respectivamente, a remeterem para a média geométrica e para a média aritmética da distribuição em questão. Assim, conforme discutido no presente texto, a média geométrica traduz-se em valores mais baixos em comparação com a média aritmética, sendo que, à medida que as desigualdades na distribuição aumentam a primeira diminui. Desta feita, o rácio formula19, compreendido entre 0 e 1, será igual a 1 em caso de igualdade máxima entre os indivíduos, numa dada dimensão e, opostamente, tenderá para 0 em caso de desigualdade absoluta.

O segundo passo é o de, empregando para o efeito a medida de desigualdade acima mencionada, ajustar os índices de dimensão à desigualdade.

A salientar que, se para ajustar a realização média de cada dimensão basta apenas multiplicar o valor da média aritmética, formula20, por formula21 , obtendo, deste modo, a média geométrica, então, seguindo a mesma linha de raciocínio, para obter os três índices de dimensão, formula22, ajustados à desigualdade há que multiplicar, cada um dos três índices de dimensão do IDH, formula23, por formula24. Como evidencia a formula abaixo:

formula25. Uma singularidade que nos parece pertinente apontar de momento é a de que, no que ao índice da dimensão rendimento ajustado à desigualdade, formula26, concerne, este ter na sua génese, não o índice da dimensão do logaritmo do rendimento, mas sim o índice de RNBpc não registado, linear, formula26 . Os autores sustentam quanto a esta ocorrência o facto de que deste modo o IDHAD incorporar os efeitos das desigualdades, ao nível do rendimento, na sua plenitude máxima.

Finalmente, a terceira e última etapa, como expectável, resume-se ao cálculo efectivo do IDHAD, fazendo uso do nexo da panóplia de fórmulas em cima retratadas.

Assim, tal como o IDH, o IDHAD é a média geométrica dos três índices de dimensão previamente ajustados, logo, sensíveis à desigualdade.

Assim, em primeiro lugar, calcula-se o IDHAD empregando para tal o índice do rendimento não registado, ou seja, o IDHAD*. Segundo a fórmula seguinte:

formula27

Bem como o IDH fundado, igualmente, no índice do rendimento não registado, o IDH*, que, recordamos, é o valor do IDHAD* numa situação de igualitarismo primário nas três dimensões, ou seja,

formula28

Realçando o intuitivo, caso desejemos mensurar a perda, em percentagem, no IDH*, basta empregar a seguinte equação:

formula29

Em conclusão, para calcular o IDHAD, partindo da hipótese de que a perda, em percentagem, no que à dimensão do rendimento se refere, assume os mesmos valores quer se empregue o rendimento médio ou o seu logaritmo, basta seguir a equação:

formula30

FONTE

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (2010), hdr.undp.org/en/reports/global/hdr2010/chapters/pt/, 25/01/2011

AUTORIA

Bruno Damásio

Finalista do curso de Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa (ISEG / UTL), investigador no Centro de Estudos Sobre África e do Desenvolvimento (CESA), inscrito no Mestrado de Econometria Aplicada e Previsão do mesmo instituto. Área de interesse: Econometria aplicada aos Estudos do Desenvolvimento.

Luís Mah

Investigador de Pós-Doutoramento no CEsA (2010-2013) e Doutorado em Estudos de Desenvolvimento (LSE, 2004).

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