Existem 300 Termos neste glossario. novo termo
Todos a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z
entradas
artigo
palavras chave: políticas, cooperação

Quais são os motivos e interesses subjacentes à cooperação para o Desenvolvimento? Esta é uma questão cuja resposta não é de fácil formulação nem tao pouco consensual. Os motivos para participar na Ajuda ao Desenvolvimento variam ao longo do tempo e também entre os diversos países e atores da cooperação.

O Plano Marshall foi um marco histórico no que toca ao início da Cooperação para o Desenvolvimento na Europa e nos EUA. Este destinava-se sobretudo a auxiliar à reconstrução da Europa devastada pela 2º Guerra Mundial, este pode ser visto como”(…) o primeiro projeto específicos de cooperação e desenvolvimento entre um Estado soberano e independente e um conjunto de Estados soberanos e independentes (…)(Afonso, M. e Fernandes, Ana, 2005).

De facto, 1948 marca a consagração e o reconhecimento oficial pelas instâncias internacionais do desenvolvimento ajudado e planeado do exterior. Para a concretização do plano, os países beneficiários fundaram, em 1948 a Organização Europeia de Cooperação Económica (OECE), a qual viria, em 1961, a dar origem à Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Economico (OCDE). É também nesse ano que é criado o Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD).

Terminada que estava a 2º Guerra Mundial iniciou-se um vasto processo de descolonização, processo durante o qual várias colonias que pertenciam a potências europeias foram ganhando a sua independência. Todo este processo veio revelar a grande problemática que se estava a viver nas ex-colónias, sendo essencial, a ajuda dos países que economicamente estavam estavam numa condição favorável.

Para o Plano Marshall e para o Banco Mundial, o objetivo principal passava pela reconstrução da Europa que tinha sido devastada pela guerra e não o desenvolvimento do mundo subdesenvolvido. Mas à medida que as colonias foram ganhando independência, as atenções começaram a estar voltadas para essa nova realidade.

Ainda nos anos 40, a criação da ONU (em 1945), organização que foi concebida essencialmente para a manutenção da paz, começa a marcar toda a estratégia da Cooperação para o Desenvolvimento assumindo responsabilidades nos mais diversos assuntos: económicos, sociais, culturais e humanitários.

É de extrema importância realçar que a Cooperação para o Desenvolvimento foi sofrendo alterações ao longo das décadas no que diz respeito à forma de atuação e à sua linha de orientação estratégica. Desde as primeiras décadas onde o desenvolvimento era pensado através do capital e do crescimento, passando pelos anos 70 onde a interdependência e as necessidades básicas eram o ponto principal, o ajustamento estrutural e o crescimento das ONGD dos anos 80, o fim da Guerra Fria e a importância das instituições dos anos 90, até às preocupações do inicio do séc. XXI que se prendem com a redução da pobreza e a segurança nacional, vemos que a linha estratégica foi sendo redefinida, no entanto o pressuposto de que a Cooperação para o Desenvolvimento corresponde a uma forma de atuar organizada, levando em conta os objetivos dos países envolvidos, não se alterou com o passar dos anos.

A Cooperação para o Desenvolvimento tem neste momento como pilares da sua linha de atuação os objetivos estabelecidos pela cimeira do Milénio (2000), este é um conjunto de oito (8) objetivos que passa pela redução da pobreza extrema e fome, ensino primário universal, igualdade de género, redução da mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater o VIH/SIDA, a malaria e outras doenças, garantir a sustentabilidade ambiental e por ultimo criar uma parceria mundial para o desenvolvimento.

De facto, e tal como afirma Ramiro Monteiro (2001), só através da Cooperação para o Desenvolvimento é que será possível criar uma verdadeira sociedade internacional cujo propósito primordial seja a partilha de recursos, valores, culturas, interesses e objetivos.

BIBLIOGRAFIA

Afonso, M. e Fernandes, A. (2005), abCD Introdução à Cooperação para o Desenvolvimento, Instituto Marquês de Valle Flôr e Oikos - Cooperação e Desenvolvimento, Lisboa;

Monteiro, Ramiro. (2001); A África na política de Cooperação Europeia

United Nations (2006), The Millennium Development Goals Report, UNDESA, N.Y.

NETOGRAFIA

Unric.pt - Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM)

AUTORIA

Patrício Carvalho

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Desenvolvimento e Cooperação Internacional, da licenciatura em Administração Pública, da Universidade de Aveiro

regulamento