A Construção das Identidades Lusófonas: o Caso dos Ismailis de Moçambique (1950-1974)


Objectivos

O projecto visa aprofundar o conhecimento das múltiplas identidades lusófonas em Moçambique, durante as últimas décadas da colonização portuguesa. Neste quadro, o caso dos Ismailis pode revestir um valor heurístico dado o encontro de dois elementos cuja sinergia determina a sua integração na cultura lusófona: por um lado, a trajectória desta comunidade no seu esforço de modernização voluntária sob injunção do seu chefe espiritual Aga Khan III e, por outro, as medidas institucionais e sócio-culturais disponibilizadas pelo poder colonial a partir dos anos 50, em Moçambique. Elucidar as modalidades da sua apropriação cultural ajudar-nos-á a perceber a sua identificação ao espaço lusófono pós colonial e, particularmente, o sucesso da sua integração no Portugal pós 1974.


Resultados

Os resultados parciais da pesquisa serão apresentados numa conferência (Lisboa, 2011) e objecto de artigos a submeter a revistas internacionais. Prevê-se a produção de duas obras. Uma, consagrada à recolha de biografias redigidas por membros das famílias Ismailis e a outra, consignará a interpretação das narrativas de vida, cujo conteúdo poderá ser pertinente na análise futura dos descendentes ismailis nascidos em Portugal após 1974.


Parcerias
  • Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento – CEsA/ISEG (instituição de acolhimento)
  • Centre d’Etudes des Mondes Africains - CEMAf/CNRS/ Université Paris I

Financiamento

FCT – PTDC/AFR/69150/2006


Equipa
  • Profª. Joana Pereira Leite (coordenadora ISEG-UTL)
  • Profª. Maria José Mascarenhas (ISEG-UTL)
  • Profª. Nicole Khouri (CEMAf/ Université Paris I)



Os Ismailis de Moçambique - Vida Económica no Tempo Colonial

 

Joana Pereira Leite e Nicole Khouri, Edição CEsA, 2012

 

O desafio desta obra, visando abrir a caixa negra do enfoque macroeconómico, que reduz os comerciantes indianos a uma entidade abstracta, leva-nos a cruzar a substância viva das trajectórias que as narrativas de memória oferecem com o testemunho reavaliado de fontes documentais. Salienta-se por um lado pormenores inéditos da vida económica dos membros da comunidade Ismaili de Moçambique (khojas oriundos do Guzerate, na Índia) e, por outro, uma perspectiva que os encara como sujeitos na economia da colónia, entendida enquanto fenómeno social total. Este enfoque pode contribuir para a elaboração de uma história económica da colonização, que deve ser necessariamente uma história social e económica dos grupos que fizeram o momento colonial.