Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 1; 1º Trimestre/1998

(continuação)

Índia - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política

A cena política indiana foi marcada nos últimos tempos pela instabilidade que resultou na queda do Governo e na marcação de eleições gerais a decorrer neste primeiro trimestre .

Os três partidos (e coligações) com mais probabilidades de obterem um melhor resultado são a coligação United Front, o Bharatiya Janata (BJP) --- nacionalista hindu --- e o Partido do Congresso, o "velho senhor" da política indiana.

As sondagens apontam para uma vitória do BJP e do seu líder, A.B. Vajpayee, 71 anos acabados de fazer.

Defensor de uma economia de mercado e da continuação das reformas económicas em curso a um ritmo ainda mais acelerado, estas intenções aparecem "temperadas" (?) com a defesa de um "nacionalismo económico" de contornos pouco claros mas que pode significar uma preferência pelo crescimento self reliant (swadeshi na expressão oficial utilizada) baseado em grupos económicos nacionais e pela maior abertura ao capital estrangeiro mas limitada aos sectores estratégicos para o desenvolvimento das infraestruturas e da indústria de alta tecnologia. As indústrias de bens de consumo continuarão a gozar de uma grande protecção para o capital nacional.

Por outro lado, as privatizações devem prosseguir.

Situação económica

A instabilidade política vivida este ano (principalmente nos últimos meses) e alguns efeitos da crise dos países da Ásia Oriental serão os responsáveis por um abrandamento da taxa de crescimento económico entre 1996 (6.8%) e 1997 (6%).

As perspectivas de crescimento para 1998 variam significativamente pois vão dos 4.9% da JPMorgan aos 5.4% (EIU) e aos 6.5% (SBC Warburg e Morgan Stanley).

Produção

A produção industrial deverá ter crescido 8% em 1997 , o que constitui uma recuperação relativamente ao período posterior ao segundo trimestre de 1995, quando a taxa de crescimento atingiu os cerca de 14% e a evolução que se lhe seguiu (3% no primeiro trimestre de 1997)

Comércio internacional

O saldo da Balança de Transacções Correntes representa, em geral, uma percentagem reduzida do PIB. Por exemplo, em 1994 foi de -0.9% e no ano que terminou não deverá ter ultrapassado os -1.6% (8.3 biliões USD). Isto constitui um achievment extraordinário quando comparado com as taxas correspondentes dos países da Ásia Oriental, que nos últimos anos têm ultrapassado, muitos deles e na maior parte dos casos, os 5-6%.

A contínua valorização da taxa de câmbio efectiva real (em curso desde o primeiro trimestre de 1996) e a concorrência dos países do Sudeste Asiático poderá ter consequências negativas sobre a evolução das exportações e das importações, dificultando as primeiras e incentivando as segundas, o que poderá ser uma ameaça para o relativo equilíbrio das contas externas.

Inflação

Desde há vários anos que a taxa de inflação se tem situado nos cerca de 10%. Porém, a acreditar nos dados do último World Economic Outlook do FMI, tem-se vindo a verificar uma descida desta taxa desde há dois anos: 7.3% em 1996 e 5.9% em 1997.

Estes valores, no entanto, não correspondem aos divulgados por outras fontes. Estas apontam para taxas de inflação mais elevadas nos últimos anos (p.ex., 9.4% para 1996) e para as previsões (10% para 1998).

Moeda e taxa de juro

A taxa de crescimento da M2 no mês de Agosto foi de 0.3% e a taxa Agosto/96-Agosto/97 foi de 16.2%, significativamente acima da taxa de inflação, a qual terá sido de cerca de 5.9% em 1997.

A taxa de juro de curto prazo situa-se actualmente nos 7%, podendo evoluir ao longo de 1998 até aos 8.5%.

Taxa de câmbio e reservas cambiais

A Índia tem prosseguido nos últimos anos uma política de lenta mas consistente desvalorização da sua taxa de câmbio de forma a assegurar a competitividade externa das suas exportações.

Nos últimos tempos, devido à desvalorização das moedas dos países da Ásia Oriental e, em particular, do Sudeste Asiático --- seus principais concorrentes em vários mercados ---, a política cambial foi no sentido de acelerar ligeiramente a referida desvalorização de modo a não perder poder concorrencial face a outros países.

Esta política deve prosseguir durante este ano.

A actual taxa de câmbio da INR (rupia indiana) em relação ao dólar americano é de cerca de INR 39.31/USD, equivalentes a PTE 4$70/INR).

As reservas cambiais do país eram de 26.6 biliões de USD em Outubro passado, podendo chegar aos 30 biliões no final deste ano.

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Última versão: 15 de Janeiro de 1998