Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 2; 2º Trimestre/1998

(continuação)

Índia - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
Elemento fundamental da evolução política do país no último trimestre foi a realização de eleições para a câmara baixa do Parlamento indiano, conhecida por Lok Sabha.
Como faziam prever todas as sondagens, o partido mais votado foi o Bharatiya Janata [Party] (BJP), de direita (nacionalistas hindus), liderado por Atal Behari Vajpayee, de 71 anos.
Apesar de maioritário e de ter formado uma aliança com mais dezasseis partidos (!), o BJP não conseguiu obter a maioria absoluta dos mandatos (tem menos vinte que o necessário), o que leva muitos observadores a desconfiar da sua longevidade política.
Realçada por todos os analistas foi, durante a campanha eleitoral, a performance de Sonia Ghandi, de 52 anos, viúva de Rajiv Ghandi, o último primeiro-ministro da "dinastia" Ghandi e que, à semelhança de sua mãe, Indira, a quem sucedera, morreu assassinado.
Na sequência desse desempenho Sónia foi eleita Presidente do Partido. Nascida italiana mas perfeitamente integrada na sociedade indiana, sempre recusara assumir o papel para que foi agora eleita. Muitos observadores acreditam que, seguindo a lógica dinástica tão cara ao Partido do Congresso (India), Sónia assumiu estas funções com o objectivo de preparar o caminho para um dos seus filhos: Rahul ou Priyanka. Esta última, com cerca de 25 anos, já demonstrou ter o "faro" para a política que caracterizou os seus ascendentes.

Situação económica
A vida económica da Índia e, em particular, a sua política económica é marcada pelo ciclo anual dos Orçamentos, os quais entram usualmente em vigor a 1 de Abril e não, como na maior parte dos países, no início do ano civil.
Em 1998, devido à realização de eleições no primeiro trimestre e ao facto de o novo governo só ter entrado em funções no passado dia 19 de Março, o Orçamento entregue para discussão é apenas preliminar.
No essencial, ele procura dar corpo às grandes opções do novo governo: duplicar a produção alimentar do país durante os próximos dez anos, transformar a Índia numa potência mundial no domínio das tecnologias da informação e assegurar um aumento rápido das infraestruturas sociais e físicas. Estas opções traduzem-se na afectação de cerca de 60% do investimento (público) previsto à agricultura, desenvolvimento rural e irrigação
No imediato, no entanto, o novo ministro das Finanças (Yashwant Sinha, um político de cariz mais liberal com 61 anos) vai procurar melhorar a situação económica actual através do aumento dos gastos públicos em infraestruturas.
Importante é referir ainda que os capitais estrangeiros continuarão a ser benvindos em sectores específicos (como o da produção de energia eléctrica) mas para o novo governo "os interesses da Índia, dos indianos e da [sua] economia têm de estar sempre presentes". Por outro lado, é proclamado alto e bom som que "a Índia pode e deve ser construída por indianos".

Produção
Através da aposta nos domínios acima referidos (produção alimentar, infraestruturas, etc) o governo propõe-se fazer crescer o PIB ao ritmo de cerca de 7-8% ao ano. O anterior governo previra uma taxa de crescimento de 5-6%, que parece mais realista face às condições actuais da economia do país.

Comércio internacional
Os novos dirigentes do país têm reafirmado que a política de liberalização e de abertura ao exterior vão continuar. Porém, muitos observadores não parecem convencidos de que assim será, sendo possível que se venha a assistir a um abrandamento no processo de abertura da economia indiana.
O défice comercial entre Abril e Dezembro de 1997 foi US$ 4,5 biliões, quando em igual período do ano anterior tinha sido de US$ 3,2 biliões. A concorrência de países do Sudeste Asiático pode ser uma das causas desta evolução já que a taxa de crescimento das exportações diminuíu .

Inflação
Em Janeiro a taxa de inflação do país situava-se nos 9,7% anuais, o que a situa ao mesmo nível dos últimos tempos (10%).

Moeda e taxa de juro
Segundo o The Economist a taxa de juro de curto prazo é de 7,33% (18 Março)

Taxa de câmbio e reservas cambiais
A taxa de câmbio tem-se situado nos cerca de INR 39.4/US$.
As reservas cambiais eram, em Nov/97, de 24,7 biliões de US$.

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Última versão: 15 de Abril de 1998