Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 1; 1º Trimestre/1998

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Malásia - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política

Com a delicadeza própria de um elefante numa loja de porcelanas, o Primeiro Ministro continuou ao longo do último trimestre a atacar tudo e todos a propósito da crise financeira do Sudeste Asiático que afectou o seu próprio país. Depois das suas declarações aquando das reuniões do FMI e do Banco Mundial --- que contribuiram significativamente para a queda dos mercados bolsista e cambial de Kuala Lumpur ---, continuou esbracejando mas desta vez as "vítimas" foram os judeus que, na sua versão, teriam uma agenda bem estabelecida para provocar a débacle financeira do país por este ser maioritariamente muçulmano...

Não admira, pois, que os observadores internacionais façam realçar cada vez mais as diferenças existentes entre Mahatir Mohamad e o seu Vice-Primeiro Ministro e Ministro das Finanças, Anwar Ibrahim.

O mais recente episódio protagonizado por ambos é de princípios de Dezembro p.p.: num dia o primeiro afirmou que uma ponte que ligaria o país à vizinha Tailândia e que custaria alguns biliões de USD iria para a frente apesar das dificuldades actuais e no dia seguinte o Vice-Primeiro Ministro anunciou, em sintonia com o seu chefe, o cancelamento do projecto...

  

Situação económica

A continuada degradação da economia obrigou as autoridades a adoptarem uma política mais restritiva do que os seus planos iniciais. É este, de facto, o sentido das alterações introduzidas no início de Dezembro e que, segundo alguns observadores, são quase que um programa de ajustamento estrutural a la FMI... mas sem FMI.

Este program inclui uma queda das despesas públicas de 18% --- para além da quebra de 3% já anunciada anteriormente. A necessidade de introduzir esta revisão e a sua intensidade dizem bem da gravidade da situação.

Produção

A taxa de crescimento do PIB terá sido, no ano passado, de cerca de 7.5%.

Relativamente aos dez primeiros meses de 1997, a produção industrial cresceu, relativamente a igual período do ano anterior, quase 11%, com 2% só no mês de Outubro. Estes valores podem ser considerados bastante satisfatórios face à crise que grassa na região --- e no país.

Por outro lado, as perspectivas para 1998 não estão totalmente claras: enquanto os economistas do sector privado estimam uma taxa abaixo dos 3% (há previsões de 2%), as estimativas oficiais foram recentemente reduzidas de 7% para 4-5%. O primeiro destes valores parece ser o mais realista. A Economist Intelligence Unit do The Economist apostava, há cerca de dois meses, antes dos últimos agravamentos da situação, numa taxa de 3,8%.

A última estimativa (Dez/97) da OCDE para o crescimento do PIB foi de 7% para 1997 e 6% para 1998 (as estimativas de Junho eram de 7,7 e 8%, respectivamente). Mas ninguém acredita...

Comércio internacional

A balança de transacções correntes terá tido em 1997 um saldo negativo de 9 biliões de USD, contra 6.4 em 1996. Este agravamento é uma das causas das dificuldades financeiras e cambiais que o país atravessa actualmente.

O agravamento das contas externas foi o resultado do aumento das importações a um ritmo de 7.7% das importações contra 1.7% das exportações.

Inflação

A taxa de inflação durante o ano de 1997 foi de cerca de 3.3%, prevendo-se que a desvalorização do ringgit provoque uma aceleração da subida dos preços para uma taxa que se poderá situar entre os 4% e os 5%. Se a deterioração da taxa de câmbio se agravar, estes valores poderão vir a ser ligeiramente aumentados.

Moeda e taxas de juro

A preocupação de salvar da bancarrota o maior número possível de empresas tem levado as autoridades monetárias a praticar uma política de expansão do crédito a um ritmo superior (4.5% contra 3%) ao da constituição de depósitos.

A taxa de juro é de 9%.

Taxa de câmbio e reservas cambiais

A taxa de câmbio do ringgit continuou a desvalorizar-se no último trimestre de 1997 depois de ter caído cerca de 30% durante o terceiro trimestre.

Está-se agora com uma taxa de cerca de MYR 3,95/USD (PTE 46$52/MYR, contra 54$33 no trimestre anterior).

A situação cambial actual e as perspectivas quanto à sua evolução não são muito tranquilizadoras, havendo quem espere para o primeiro trimestre de 1998 um pedido de ajuda ao FMI que, a concretizar-se, poderá desencadear novo cliclo de instabilidade em toda a região.

As reservas cambiais são actualmente de cerca de 27 biliões de USD.

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Última versão: 15 de Outubro de 1997