Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 2; 2º Trimestre/1998

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Malásia - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
A crise económica que o país atravessa e a luta para encontrar uma saída para ela está na origem de uma acalmia na vida política interna, como se todos estivessem dando as mãos para alcançar o mesmo objectivo. Esta é, no entanto, apenas parte da verdade.
A outra parte inclui uma contínua desconfiança dos partidários do Vice-Primeiro Ministro e Ministro das Finanças (e deste?) para com a vontade e a capaci-dade do Primeiro-Misnistro, Mahatir Mahamad, adoptar as medidas consideradas necessá-rias para fazer frente às dificuldades que atravessa o país. Questionada é, principal-mente, a sua opção de não deixar "fazer sangue" entre as empresas malaias, muitas delas propriedade de indíviduos da etnia maioritária e que tem vindo a ser protegida desde que Mahatir chegou ao poder no quadro da criação de uma "burguesia nacional" --- leia-se "filha da terra" = bumiputra --- que tem sido o principal sustentáculo do regime.
Isto é, em nome da alegada necessidade de, como resultado de uma crise desencadeada, segundo se acusa, por agentes externos --- os especuladores bolsistas e cambiais ---, não deixar destruir o que levou muitos anos a construir, não têm sido adoptadas as medidas de fundo que muitos, fora e dentro da Malásia, incluindo do próprio governo, julgam indispensáveis para salvar o que resta da economia. Adiar por mais tempo tais medidas --- incluindo o pedi-do de apoio ao FMI --- poderá conduzir a uma crise ainda mais profunda do que a actual. E quem resistirá a ela?
Uma outra vertente da actividade política e que se relaciona com o que fica acima é o facto de, contrariando o que parecia ser uma orientação a prosseguir, ter sido encontrada uma solução, no mínimo "estranha", para salvar da bancarrota a empresa de transportes marítimos do filho do Primeiro-Ministro. Naturalmente, por mais que este desminta o seu envolvimento no assunto e que ele declare que não estamos perante uma manifestação do crony capitalism --- "capitalisto das cunhas" (?) --- de que são acusados muitos dos países da região, ninguém acredita que o apelido do empresário não tenha, no mínimo, desempenhado o seu papel. À mulher de César não basta sê-lo...

Situação económica
Depois de há seis meses insistirem na previsão de um crescimento de 7-8% para o PIB em 1998 e de em Dezembro terem revisto esta previsão para 4-5%, as autoridades malaias baixaram-na recentemente para os cerca de 2-3%. O Banco Mundial, um pouco mais optimista, prevê 3,5% mas a maioria dos observadores independentes crê que os 2% são mais realistas.
Esta evolução de previsões é signiticativa quanto à dimensão da crise que o país atravessa e, em parte, das dificuldades que estão a ser encontradas para a deter. Isto parece dar razão aos que advogam que o país tem de, rapidamente, "tomar o remédio (quase) todo" em vez de tomar apenas metade com a desculpa de que a dose completa porá em risco a sobrevivência de muitas das vítimas da "epidemia", na grande maioria empresas de malaios, pelo que a sua morte seria "politicamente incorrecta" aos olhos do poder instituído.

Produção
As alterações da taxa de câmbio que se verificaram desde o início da crise alteraram significativamente a competitividade externa dos vários sectores produtivos, voltando a dar às produções agrícolas --- óleo de palma e madeiras preciosas, entre outras --- uma vantagem que não tinham anteriormente e que é ajudada pelas cotações em alta daqueles produtos no mercado internacional.

Comércio internacional
As exportações tiveram, no período entre Out. e Dez. de 1997, uma diminuição à taxa anual de -7,1%, enquanto que as importações diminuíram à taxa de -9,9%.
A balança de transacções correntes registou em 1997 um saldo negativo de 4,8 biliões de US$, sendo o saldo comercial de Janeiro deste ano de 0,5 biliões.

Inflação
A desvalorização da moeda provocou tensões inflacionistas, uma parte das quais são importadas.
Daí que depois de se ter registado uma taxa de inflação de 2,7% em 1997 e de há poucos meses atrás se ter previsto uma taxa de 5% para 1998, as previsões apontam agora para os 7%.

Moeda e taxas de juro
A M2 cresceu 17,9% entre Jan/97 e Jan/98. Por sua vez, a taxa de juro de curto prazo é de 11%.

Taxa de câmbio e reservas cambiais
A taxa de câmbio tem conhecido uma evolução favorável nos últimos tempos, situando-se nos cerca de MYR 3,6/US$.

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Última versão: 15 de Outubro de 1997