Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 3; 3º Trimestre/1998 (Jul.)

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Malásia - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA


Situação política
Esta situação é tão interessante que duas das principais revistas do Oriente (a Far Eastern Economic Review e a Asiaweek, ambas de Hong Kong) dedicaram, num dos seus últimos números, um espaço muito especial à situação da Malásia, com a primeira a publicar uma entrevista com o Primeiro-Ministro em que este apelava "Confiem em mim!".
Ora, parece que é exactamente isto que se torna cada vez mais difícil para a maioria dos malaios pelo que há cada vez mais pessoas a olhar para Anwar Ibrahim, o Vice-Primeiro Ministro e Ministro das Finanças, como o sucessor desejado de um homem que, por mais que tenha feito pelo seu país, parece algo desajustado aos tempos de vacas magras que correm devido à sua especial predilecção por projectos grandiosos (as maiores torres gémeas da Ásia, o maior aeroporto do continente, o edifício mais longo, a ponte mais longa, etc.), de rendibilidade mais que duvidosa e que por isso mesmo não estão isentos de culpas na situação que o país vive actualmente.

Situação económica
A Malásia, graças, nomeadamente, a uma dívida externa relativamente reduzida, conseguiu escapar ao destino que a crise asiática traçou a outros países da região: a necessidade de estabelecer acordos com o FMI com o objectivo de obter apoio financeiro para a sua (debilitada) balança de pagamentos.
Mas se este é um crédito (?) a lançar nas contas da Malásia, não se pense que ela foi muito menos atingida pela crise. Na verdade, por exemplo, a capitalização bolsista diminuíu cerca de 73% durante os últimos doze meses!
As autoridades económicas têm tentado (quase) tudo para evitar recorrer a um pacote de estabilização a la FMI, o que poria em causa um dos aspectos fundamentais da política nacional: a protecção da comunidade malaia de negócios.
Parece, no entanto, que os esforços desenvolvidos estão a ter um sucesso limitado pois o mais que se terá conseguido foi, pelo menos aparentemente, um adiamento dos efeitos da crise sobre a economia real nacional. Resultado: o PIB em 1998 deverá ser, segundo algumas estimativas, menos cerca de 5% que em 1997, ainda assim melhor que qualquer dos "3 FMI's" da região: Coreia do Sul (-8%), Indonésia (-23%) e Tailândia (-11%).

Produção
Durante o primeiro trimestre a produção industrial diminuíu, em média, 1,1%, sendo a produção de Março 7,5% menor que a de Dezembro de 1997. Neste mesmo período a indústria manufactureira caíu 2,4%.

Comércio internacional
Uma das fontes dos problemas actuais da Malásia foi a queda das exportações verificada de 1995 (+25,7%) para 1996 (+5,8%) e 1997 (+1%).
Ora, esta tendência ao agravamento da situação tem-se mantido nos últimos meses pois durante o primeiro trimestre deste ano a taxa anual média de variação das exportações foi de -9,1%.
Esta situação deve-se quer à crise dos restantes países da região quer à do sector do material informático (que se deve, por sua vez, quer à baixa do consumo nos EUA quer à sobrecapacidade instalada a nível mundial e, em particular, na Ásia-Pacífico).
Mais afectadas que as exportações foram as importações, com uma quebra no primeiro trimestre deste ano à taxa anual de -17,1%!
O resultado foi uma melhoria do saldo comercial externo que se reflectiu no da balança de transacções correntes.

Inflação
Os preços estão agora a variar à taxa anual de 5,6% quando há um ano ela era de 2,6%. As previsões são de que chegue este ano aos 8-10%.

Moeda
Instrumento fundamental da política económica prosseguida pelo país --- que quase se poderia designar de ajustamento (quase) a la FMI sem o FMI --- tem sido a política monetária, caracterizada por um "aperto" importante: o crescimento da M2, que em meados de 97 rondava a taxa anual de 20-21%, situa-se actualmente em 12,3 % (Abr/98).

Taxa de juro
A taxa de juro (prime rate) está relativamente baixa: 12%, nomeadamente se compararmos a taxa real (cerca de 6%) com a da Coreia (10%).

Taxa de câmbio
O câmbio do USD é de MYR 4,14, o que resulta numa taxa de cerca de PTE 45$00/MYR.

Reservas cambiais
Depois de terem sido reduzidas no período mais aceso da crise (13 biliões USD), as reservas do país têm vindo a aumentar, sendo hoje de 15,8 biliões.

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Última versão: 15 de Julho de 1998