Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 2; 2º Trimestre/1998



Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Um país, um mercado

Perspectivas para indústrias chave
no Sudeste Asiático, 1998-2000


Contrariamente ao usual e ao que é sugerido pelo título desta rubrica, desta vez não dedicamos este espaço a um único país mas sim a três: Singapura, Malásia e Tailândia. De facto, tendo em consideração a evolução recente das economias da região e o facto de ela ter alterado significati-vamente as perspectivas a curto e médio prazo dos mais diversos sectores produtivos nos vários países, resolvemos aproveitar este espaço para, com o devido reconhecimento à fonte, transcrever (parcialmente) as informações sobre "Perspectivas sobre indústrias chave, 1998-2000" constantes do exemplar de Janeiro p.p. da publicação S.E. Asian Quarterly, editada em Hong Kong pelo Standard Chartered Bank, uma das fontes por nós habitualmente utilizadas.

SINGAPURA


Semicondutores e diskdrives: perspectivas fracas, melhorando em 1999

Sobrecapacidade e uma procura em queda serão a causa de novas quedas dos preços, com os dos chips de memória a cairem dos US$ 6 em 1997 para os US$ 3,7 em 1999. Enquanto se prevê que o mercado mundial de produtos electrónicos e de computadores cresça 17% em 1998, a capacidade produtiva deverá crescer 20%. As perspectivas para as diskdrives [discos rígidos para os computadores -- NT] também são fracas dadas as grandes pressões sobre os seus preços e a fraqueza actual da procura. Contrariamente ao que se passou no ciclo anterior de desfasamente entre a oferta e a procura, que levou apenas um trimestre a ser corrigido, este deverá levar um ano. No longo prazo Singapura está em vantagem sobre o resto dos países da região dado que pode fazer mais rapidamente o upgrade da sua produção devido aos grandes investimentos que pode efectuar. O seu niche de mercado situar-se-á nas actividades de design, devendo concentrar a assemblagem e as actividades de teste na gama alta dos produtos electrónicos, em particular nos chips de 128-256 Mbit.

Químicos: intensa concorrência
O niche de Singapura é no sector químico de alta tecnologia e em que a electrónica desempenha um papel fundamental e na reparação e construção naval. A sua desvantagem comparativa é a falta de recursos naturais próprios --- a Malásia e a Indonésia, por exemplo, podem produzir a um custo 20% mais baixo que o de Singapura já que possuem fontes próprias de energia, nomeadamente o gás natural. A situação é agravada pelos altos custos salariais em Singapura (US$ 1500/mês, Malásia US$ 850 e Indonésia US$ 260 para um engenheiro).

Aeroespacial: fracas
A crise cambial irá afectar o tráfego aéreo na região, o que afectará os serviços de reparação e assistência [em que Singapura se especializou] já que 70% do rendimento desta actividade tem origem na Ásia.

Construção: sector público, forte; sector privado, fraco
Os contractos efectuados pelo sector público aumentaram cerca de 40% no terceiro trimestre de 1997, depois de nos dois trimestres anteriores terem crescido apenas 6%, em média. Os principais projectos incluem a expansão das vias-rápidas, das facilidades portuárias e da linha de metro Norte-Sul. O aumento da construção de obras públicas compensou em parte a queda verificada no sector privado. Ao contrário do que sucede nos países da região, o Governo de Singapura utiliza o excedente fiscal para aumentar as infraestruturas durante a fase baixa dos cilcos económicos. No anterior clico económico, em que a produção industrial diminuíu, o sector das obras públicas teve um crescimento muito acentuado.

MALÁSIA


Óleo de palma: positivas, mas a longo prazo há a ameaça da Indonésia
Beneficiou da desvalorização do ringgit, embora as exportações da Indonésia sejam mais competitivas por a rupia se ter desvalorizado mais que o ringgit. Sendo o maior produtor mundial (Malásia: 52%; Indonésia: 30%), há um grande mercado potencial dado que o óleo de palma é cada vez mais reconhecido como um substituto mais saudável para as gorduras de origem animal. (...) Existe uma ameaça séria por parte da Indonésia dado que se prevê que a capacidade produtiva desta ultrapassará a da Malásia em 2004.

Produtos de borracha: positivas
Sendo o principal produtor mundial de luvas médicas e de cateteres, os produtos de borracha da Malásia são agora ainda mais competitivos devido à desvalorização do ringgit. Existe um vasto potencial de expansão deste sector, nomeadamente por diversificação dos produtos para aplicação nas indústrias electrónica e da engenharia.

Produtos da madeira: positivas
Este é um sector que beneficiou da desvalorização pois que os preços são fixados em dólares no mercado internacional. A procura será espicaçada pelo aumento das obras públicas em países como o Japão (o principal cliente) e a China.

Eco-turismo: muito positivas
Beneficia de um ringgit mais barato e das vastas paisagens naturais, incluindo as de Sabah e Sarawak. Efeitos positivos sobre a actividade hoteleira e as indústrias de retalho.

Semicondutores e diskdrives: fracas, com melhoria no ano 2000
Custos mais baixos devido à desvalorização do ringgit podem provocar uma deslocalização com origem em Singapura. No entanto, a sobrecapacidade instalada e a procura em diminuição não tornarão viáveis investimentos no sector a curto prazo. (...)

Equipamento de telecomunicações: boas perspectivas de exportação
A procura de telemóveis [irá aumentar significativamente, esperando-se] para o ano 2000 uma taxa de penetração de 55% nos mercados desenvolvidos. Este é um importante niche de mercado para a Malásia pois as suas exportações ultrapassaram as de Singapura em 1994 e a Tailândia e as Filipinas estão muito atrás dela.

Electrónica de consumo: perspectivas positivas para as exportações
A exportação de receptores de televisão, de rádio e de gravadores de som recomeçaram o seu crescimento depois de 12 meses em queda. Há fortes perspectivas para as camcorder (um sector ainda pouco saturado), principalmente para a exportação para mega-mercados como a China e a Índia.

Sector automóvel: muito fracas
A indústria de componentes será atingida pelo crescimento lento da procura interna e regional. As perspectivas de longo prazo também não são encorajadoras dada a baixa produtividade (Malásia: vendas de US$ 120 mil por empregado, contra uma média mundial do sector de US$ 162 mil) e os salários elevados (US$ 492 por mês para um licenciado, contra US$ 343 na Tailândia e US$ 250 na Indonésia)

TAILÂNDIA

Electrónica: perspectivas positivas para as exportações; fábricas novas na prateleira
O impacto líquido das desvalorização do baht é positivo à medida que os rendimentos em dólares ultrapassam os custos dos inputs em dólares. Mas as desvalorizações na região implicam que a competitividade da Tailândia estará condicionada à partida com a actual estrutura de produção: PC's e suas componentes, montagem de outros produtos do sector e da electrónica de consumo. (...)

Montagem de automóveis e suas componentes: negativas, com melhorias a partir de 1999
Este sector está enfraquecido pela diminuição da procura interna e regional e pelos mais elevados custos de inputs ao longo dos próximos 12-18 meses. No entanto, no longo prazo a Tailândia tem vantagens sobre os seus vizinhos devido à massa crítica já existente no sector. Existem já várias instalações (e planos para mais) de fabricantes japoneses e americanos. A liberalização da indústria automóvel na região de acordo com as regras da OMC deverá beneficiar a Tailândia.

Têxteis e vestuário: uma indústria no seu ocaso
A desvalorização do baht pode diminuir o ritmo de desaparecimento desta indústria mas as suas perspectivas de médio e longo prazos são fracas devido à ameaça que constitui a produção de outros países com custos (ainda) mais baixos. Mesmo com uma quebra de 50-55% no valor do baht, a indústria continua a não ser competitiva porque os salários tailandeses (US$ 1.40/hora) são ainda muito mais elevados do que os da China (US$ 0,35/hr) ou da Indonésia (US$ 0,40/hr). As indústrias têxtil e de vestuário do país continuarão a deslocalizar-se para os países vizinhos da Indochina (Cambodja, Vietname, Laos). É possível, no entanto, que haja alguma migração para outros produtos têxteis com maior valor acrescentado.

Agro-business: perspectivas de exportação muito animadoras
Exportações deste sector, como o açúcar, os camarões e o arroz têm muito boas perspectivas, tendo já começado a beneficiar da desvalorização do baht. Os ganhos são tanto maiores quanto é certo que a componente importada [e por isso paga em dólares cada vez mais caros] dos seus custos é relativamente reduzida, o que já não é tão verdade para o caso dos alimentos enlatados.

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Última versão: 15 de Abril de 1998