Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 2; 2º Trimestre/1998

(continuação)

Singapura - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
Talvez o único facto a merecer algum destaque neste trimestre seja o recente "namoro" entre Singapura e a Malásia a propósito da intensificação das relações económicas entre os dois países que, segundo uma proposta com oriegem em Singapura, poderia passar por uma união económica que desse a ambos os países uma maior capacidade de resistência a situações como a que esteve na origem das actuais dificuldades de ambos.
Porém, os contornos de uma tal união são completamente desconhecidos, duvidando-se mesmo que ela esteja fundamentada num estudo cuidado das suas implicações. A forma como ela surgiu --- uma resposta a uma pergunta de um líder da oposição parlamentar dada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros --- faz pensar numa proposta pouco elaborada e, quando muito, apenas para testar a reacção dos dirigentes da Malásia que, é sabido, não morrem de amores pelos de Singapura --- e vice-versa.... Mas as necessidades do momento e a recente visita do Primeiro-Ministro de Singapura a Kuala Lumpur podem indiciar que não há fumo sem fogo.

Situação económica
Singapura terá sido o país da região que menos sentiu os efeitos da crise financeira medidos pela variação da sua taxa de câmbio ou do índice bolsista (o Straits Times Index). No entanto, a produção foi fortemente afectada quer na sequência daquela crise quer em resultado da crise --- que se prolonga desde há alguns anos --- do sector da informática. Resultado: uma taxa de crescimento do PIB que em 1998 será, crê-se, menos de metade da de 1997; 3% contra 7,6%.
Uma projecção menos pessimista prevê um crescimento de 4,1% --- com uma taxa de 4-5% para os próximos dois anos --- mas a verdade é que o próprio governo, cauteloso, indica como possível um valor entre os 2,5% e os 4,5% um intervalo muito maior que o habitual em previsões desta natureza e que diz bem do grau de incerteza que ainda paira sobre a região e, em particular, sobre o país.

Produção
Para além do sector electrónico, também o petrolífero e da química, o dos serviços portuários, o dos serviços à aeronavegação e da construção habitacional privada --- esta última com uma quebra da sua taxa de crescimento de 11,1% em 1997 para -3% em 1998 (!) --- têm conhecido momentos de retracção, tudo concorrendo para que a estimativa de crescimento do sector manufactureiro seja de apenas 1,5% para 1998.
O sector da banca e serviços financeiros também será fortemente atingido, devendo o seu crescimento situar-se em 1% --- contra 10% no ano passado.
Note-se que o país, devido às suas características de cidade-Estado com uma área relativamente reduzida, não tem grandes alternativas para se defender de uma situação como a que se vive actualmente em vários dos seus sectores produtivos.
De facto, ao contrário do que acontece com países como a Tailândia, a Malásia e a Indonésia, Singapura não dispõe de um sector rural que lhe permita alguma maleabilidade quer em termos das fontes alternativas de rendimento quando as exportações manufactureiras entram em queda quer em termos de absorção, ainda que temporária, da mão de obra libertada pela queda da produção industrial e de alguns serviços.

Comércio internacional
No quarto trimestre de 1997 o país registou um saldo +13,8 biliões de US$ na balança de transacções correntes. No entanto, o da balança comercial de Janeiro p.p. foi de -6,5 biliões.

Inflação
A taxa de inflação, que em 1997 foi de 2%, deverá situar-se este ano nos cerca de 3,5%.

Moeda e taxas de juro
Instrumento essencial à estabilidade da taxa de câmbio do SGD (vd. abaixo) tem sido a política monetária e, em particular, a de taxas de juro.

Taxa de câmbio e reservas cambiais
Depois da desvalorização ocorrida aquando da fase de maior instabilidade das moedas da região, a taxa de câmbio do dólar de Singapura tem-se mantido relativamente estável em torno do valor de SGD 1,6/US$.
Tudo indica que a política de defesa da estabilidade cambial vai continuar como forma de assegurar a manutenção de um estatuto essencial para a manutenção das pretensões do país em ser um polo financeiro imprescindível no Sudeste Asiático e, mesmo, em toda a Ásia Oriental --- principalmente se Hong Kong "escorregar", como muitos pensam que virá a acontecer mais cedo ou mais tarde...

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Última versão: 15 de Abril de 1998