Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 3; 3º Trimestre/1998 (Jul.)

(continuação)

Singapura - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA


Situação política
Tal como noutros casos na região, o tipo de regime político vigente e a não proximidade de leições, fazem com que não haja factos especialmente relevantes a assinalar. Enfim, tudo como dantes... a não ser alguma preocupação com a evolução interna na vizinha Indonésia: é que se algo correr mal aí, Singapura terá muito a perder.

Situação económica
Juntamente com Hong Kong e Taiwan, Singapura foi um dos países que em 1997, apesar da crise económica que se desencadeou na região, viu a sua taxa de crescimento aumentar entre 1996 e 1997 graças, nomea-damente, ao aumento do PIB em 10,7% no terceiro trimestre.
No entanto, o desde então a taxa de crescimento tem vindo a diminuir, tendo sido de 5,6% no primeiro trimestre deste ano.
Este valor justificará as estimativas governamentais que prevêm uma taxa anual para o conjunto deste ano de 2,5 a 4,5%. Note-se, porém, que outras estimativas, de observadores independentes, apontam para valores de 0% ou, mesmo, de -0,7%.

Produção
O crescimento do PIB assinalado para o 1º trimestre baseou-se, nomeadamente, num crescimento da produção industrial de 8,5% no mês de Março p.p..
Porém, a reestruturação por que passará o sector industrial do país na sequência da alteração da sua competitivi-dade relativamente a outras economias da região, acarretará uma quebra que implicará a descida da taxa de crescimento do PIB da economia.
Um dos sectores mais afectados pela crise tem sido, como noutras paragens, o da construção cibil (principalmente o imobiliário), que deverá sofrer uma queda de 20% na sua produção.
Aliás, numa atitude semelhante à adoptada pelo governo de Hong Kong, o de Singapura também suspendeu a venda de novos terrenos num esforço para tentar suster a queda dos valores do imobiliário para níveis que ponham em causa, de uma forma nítida, o stock de riqueza da população.
Registe-se também a significativa queda do sector informático/electrónico, provavelmente um dos que mais vai sofrer com a crise da região e, em geral, com a crise deste sector a nível mundial. Ora, ele é, de longe, o principal sector de exportações não-petrolíferas do país, pelo que o comércio internacional deste não deixará de se ressentir de tal evolução.

Comércio internacional
Em 1997 registou-se um saldo comercial de -6,9 biliões de USD, ligeiramente superior ao de 1996 (6,3 biliões). Este saldo negativo não impediu que o saldo da balança de transacções correntes tivesse sido de 14,5 biliões de USD, um valor muito semelhante ao registado nos dois anos anteriores.
Note-se, no entanto, que este resultado foi obtido apesar de uma queda de -0,2% nas exportações não-petrolíferas.
Estas deverão cair mais 3% este ano, tendo a sua diminuição sido à taxa anual de -5,8% durante os primeiros quatro meses de 1998.

Inflação
Depois do ligeiro crescimento da taxa de inflação registado no ano anterior (1,6% em 1996 e 2% em 1997), o abrandamento do crescimento far-se-á repercutir também no domínio dos preços. De facto, espera-se que a taxa de inflação, que durante os primeiros quatro meses deste ano se situou em 1%, venha a descer ainda mais até atingir a taxa anual, para 1998, de 0,8%. Outras estimativas prevêm uma taxa de 1,3%, ainda assim abaixo da do ano passado.

Moeda
A taxa de crescimento da oferta de moeda (M2) abrandou em Abril para os 7,6%, depois de no final do ano anterior se situar nos cerca de 10-11%.
Este é mais um dos indicadores de algo vai mal em termos de ritmo de crescimento económico em Singapura.
Os empréstimos bancários cairam igualmente em Abril.

Taxa de juro
A prime rate é de 7,5%.

Taxa de câmbio
Depois de uma pequena desvalorização até Jan/98, a taxa de câmbio tem tido alguma recuperação, sendo agora de SGD 1,64/USD (= PTE 114$00/SGD)

Reservas cambiais
As reservas voltaram a aumentar, situando-se agora nos 74,2 biliões de USD.

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Última versão: 15 de Julho de 1998