Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº2; 2º Trimestre/1998

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Tailândia - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA

Situação política
Depois da chegada ao poder do Primeiro-Ministro Chuan Leekpai, a vida política da Tailândia parece ter ultrapassado a instabilidade que atingiu o seu máximo no "consulado" do anteiror primeiro-ministro, o General Chavalit.
Esta estabilidade está a mostrar-se essencial para a aplicação das medidas de política económica acordadas com o Fundo Monetário Internacional como contrapartida da sua ajuda financeira.

Situação económica
A aplicação das medidas acordadas com o FMI não impediram que a economia tailandesa continuasse, por enquanto (?), a sua senda ao longo da fase decrescente do seu ciclo económico iniciado bem antes de Julho/97 mas que se agravou a partir de então.
O governo estima, mesmo, que o pior ainda está para vir com uma taxa de crescimento negativa de -6,5% neste (segundo) trimestre. O início da retoma deverá ocorrer durante o último trimestre de 1998, o que permitirá que se chegue ao fim do ano com uma taxa de crescimento de -3,5%.
A "luz ao fundo do túnel" surgirá mais nítida em 1999 com um crescimento que alguns estimam ---- com algum wishfull thinking? --- em 5-6%. O National Economic and Social Development Board, porém, calcula que esta taxa não ultrapassará o valor (mais realista?) de 1,8%.

Produção
A produção industrial variou à taxa de -10,7% entre Dez/96 e Dez/97, a maior variação negativa do conjunto dos emmerging markets acompanhados mais de perto pelo The Economist (inclui países da Ásia, da América Latina, da Europa do Sul e alguns dos PECO- Países da Europa Central e Oriental).

Comércio internacional
Graças à desvalorização do baht, a balança de transacções correntes da Tailândia tem conhecido uma evolução bastante positiva, com um saldo de US$ 800 milhões nos últimos três meses de 1997. No entanto, os saldos positivos desta balança começaram logo em Agosto/97. A estimativa para o saldo em 1998 é de cerca de US$ 18 biliões.
Note-se, porém, que apesar de esta recuperação se dever, em parte, ao aumento das exportações (que deverá ser de perto de 8% este ano), a verdade é que ela se fica a dever muito mais à enorme quebra das importações (-30,7% entre Nov/96 e Nov/97) resultante da queda da procura interna e das limitações financeiras de muitas empresas (credit crunch) que as deixa sem capital circulante para assegurar a importação dos inputs essenciais à produção.

Inflação
Entre Fevereiro de 1996 e Fevereiro de 1997 o Índice de Preços ao Consumidor aumentou 8,9%. Esta taxa traduz um ligeiro aumento da inflação (a taxa anual de 1997 deverá ter sido de cerca de 7,5%)devido ao impacto da desvalorização e consequente aumento do preços dos bens importados --- ainda que o volume das importações tenha diminuído drasticamente --- ao aumento do preços dos bens agrícolas quer por serem essenciais quer devido à seca que atinge a agricultura do país.
Refira-se que alguns analistas acreditam que a taxa de inflação vai continuar a aumentar ao longo deste ano, podendo atingir a taxa anual de 12%.

Moeda e taxa de juro
Em Janeiro passado a M2 aumentou à taxa anual de 18,4%. A taxa de juro de curto prazo situa-se actualmente nos 24,5% o que, tendo em consideração a taxa de inflação de cerca de 9%, implica uma taxa de juro real de mais de 15% (!).
Note-se que esta política de taxas de juro muito altas é imposta pelos acordos com o FMI e é apresentada como essencial para defender a taxa de câmbio através do evitar a fuga de capitais e da captação de capitais externos para a economia. Esta política vai manter-se nos próximos tempos.

Taxa de câmbio e reservas cambiais
De uma taxa de THB 26,00/US$ há um ano atrás passou-se à taxa actual de THB 38,4/US$, o que corresponde a uma desvalo-rização de quase 50% em relação ao valor inicial. Note-se, porém, que a recente melhoria das contas externas permitiu a valorização da moeda já que em finais de Jan/98 estava a THB 54/US$. Recuperou, portanto, já metade do que perdeu desde Julho do ano passado, quando a crise começou.
As reservas cambiais eram, em Novembro passado, de 26 biliões de US$.

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Última versão: 15 de Abril de 1998