Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 3; 3º Trimestre/1998 (Jul.)

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Tailândia - FICHA INFORMATIVA DA ECONOMIA


Situação política
O actual governo, liderado por Chuan Leekpai, tem-se manifestado uma autêntica surpresa para a grande maioria dos observadores --- e para os próprios tailandeses. De facto, tem dado mostras de uma eficácia --- nomeadamente na adopção de medidas de controlo da situação económica --- que a maioria não adivinharia à partida. Antes assim, principalmente depois de um período relativamente grande de instabilidade política que não deixou de ter o seu (enorme) custo em termos económicos já que ela terá sido uma das responsáveis pela degradação da situação financeira e fiscal do país que esteve na origem da crise actual.

Situação económica
O que se disse atrás não significa, de forma alguma, que as autoridades económicas já tenham conseguido inverter o ciclo económico descendente iniciado bem antes de Julho de 1997. Pelo contrário, este continua a sua senda negativa, crendo-se mesmo que a economia do país ainda não bateu no fundo.

Produção
À falta de dados trimestrais sobre as contas nacionais, indicadores indirectos de uma tal (acentuada) queda da economia é a redução da produção manufactureira (-17,2% relativamente ao ano anterior) e a da produção de veículos automóveis (de cerca de 15 mil mês no terceiro trimestre de 1996 a cerca de 2 mil actualmente).

Comércio internacional
Também os valores do comércio internacional denunciam a fase, ainda descendente, do ciclo económico.
Um dos melhores indicadores do que se está ao nível da produção é a quebra acentuada (-42%) das importações expressas em dólares durante os últimos doze meses.
Por outro lado, as exportações também têm tido um comportamento pouco satisfatório apesar da evolução em Fevereiro passado, quando elas aumentaram 9%.
De notar que esta evolução em dólares não corresponde à que se verifica se a medirmos em volume, já que este aumentou 20% desde a desvalorização do baht em Julho passado.
Isto significa que as exportações têm baixado significativamente o seu preço unitário, tornando o país num bom local de aquisição das suas exportações tradicionais.
Em resultado do comportamento referido acima, não admira que as contas externas tenham melhorado ligeiramente, sendo o saldo da BTC esperado para este ano de +10 biliões de USD, valor que deve ser comparado com os saldos de 1995 (-13,4 biliões), 1996 (-14,7) e de 1997 (-2,6 biliões).

Inflação
Com uma inflação que antes da crise se situava nos cerca de 5-6%, a Tailândia viu os seus preços passarem a subir bem mais rapidamente a partir de Agosto de 1997.
Nessa ocasião a taxa de inflação atingiu os 6,6%, tendo continuado a acelerar até aos actuais 10,1% (Abril/97),uma das mais altas da região (só ultrapas-sada pela da Indonésia, que é actualmente de cerca de 45%).

Moeda
A adopção de um programa de estabilização conjuntural assistido financeiramente pelo FMI tem como consequência, normalmente, um "aperto" monetário. A Tailândia não foi excepção e a taxa anual de crescimento da oferta de moeda desceu dos 19% de Janeiro deste ano para os 15,4% em Março.
Note-se, porém, que a preocupação inicial em reestruturar o sistema financeiro do país através, se necessário --- e acreditava-se que era ---, do encerramento de várias empresas financeiras e de alguns bancos, parece ter dado lugar à tentativa de salvar o que pode ser salvo.
Isto deverá significar uma recapitalização de alguns bancos, o que poderá obrigar ao aumento da moeda.

Taxa de juro
A prime rate situa-se agora nos 15,5% e não deverá descer nos próximos tempos devido à necessidade de assegurar a estabilização da taxa de câmbio através, nomeadamente, da entrada de capitais.

Taxa de câmbio
A taxa de câmbio do baht oscila actualmente em torno de valores próximos dos BHT 40,00/USD, equivalentes a cerca de PTE 4$70/BHT.

Reservas cambiais
A assistência financeira do FMI tem sido fundamental para assegurar ao país a disponibili-dade de divisas necessárias ao pagamento da sua dívida externa e, até, a um ligeiro aumento das suas reservas cambiais.

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Última versão: 15 de Julho de 1998