Ásia Oriental
Boletim trimestral de informação económica sobre a Ásia Oriental
vol. 2; nº 2; 2º Trimestre/1998

Edição do CEsA - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento

(continuação)

Taiwan - FICHA INFORMATIVA DO PAÍS

Situação política
Com o passar do tempo, vão surgindo cada vez mais sinais de que as relações entre os dois lados do Canal da Formosa se vão normalizando ou, pelo menos, tendendo para um clima de convivência não crispada. A próxima realização, já acordada em Março entre as duas partes, de conversações sobre "assuntos civis" é prova bem evidente que algo se mexe nesta frente...
Um aspecto que gostaríamos aqui de salientar é, porém, de outra natureza e refere-se ao aproveitamento que Taiwan e as suas classes dirigentes estão a procurar tirar da crise económica noutros países da região.
De facto, tirando vantagem das suas enormes reservas cambiais e da boa saúde da sua economia e das suas empresas, estas estão a aparecer nos mercados do Sudeste Asiático e da Coreia como compradoras de empresas com dificuldades financeiras derivadas da crise conómica.
À frente deste movimento, que é utilizado como uma outra forma de fazer política externa e de "obrigar" os vizinhos a um reconhecimento de facto que ultrapasse as dificuldades de um reconhecimento de jure, surgem empresas com fortes ligações ao Partido Nacionalista no poder desde a ruptura de 1949 com os dirigentes de Pequim.
Daqui a algum tempo se verá se esta "época de saldos" de empresas em dificuldades na região foi ou não bem aproveitada por Taiwan --- e pelas empresas de outros países, p. ex., as multinacionais americanas.

Situação económica
Depois de ter crescido 6,4% em 1997, as perspectivas para o crescimento em 1998 são de que ele seja 1 ponto percentual mais baixo. A confirmar-se esta taxa (5,4%), ela será, com a já habitual excepção da China, a mais alta de toda a região, o que diz bem da capacidade de Taiwan para absorver o choque provocado pela crise económica que afectou Ásia Oriental.

Produção
Aquela capacidade de absorção do choque está bem demonstrada também no elevado ritmo de crescimento do produto industrial: 19,9% em Fevereiro, a taxa mais elevada de todos os países "emergentes" referenciados normalmente pelo The Economist.

Comércio internacional
Depois de ter registado um superavite de cerca de US$ 140 milhões durante o primeiro mês de 1998, o saldo comercial de Taiwan deve ter sido de US$ -300 milhões em Fevereiro. Esta degradação deve-se à enorme concorrência exercida pelas exportações do Sudeste Asiático e da Coreia do Sul, países que desvalorizaram intensamente durante a crise cambial de 1997.
Entretanto, no último trimestre de 1997 as exportações foram de 32,3 biliões de US$ e as impor-tações de 30,1 biliões, apesar de terem tido um crescimento à taxa anual de 11,9% (as exportações cresceram à taxa de 6,5%).
Nos doze meses que terminaram em Fevereiro p.p. o país teve um saldo positivo de 6 biliões de US$ na balança comercial, sendo o saldo da balança de pagamentos em 1997 de mais de 7,4 biliões de US$, só ultrapassado, na região, pelo de Singapura.

Inflação
A taxa de inflação foi de 1,8% em Janeiro e de 1,4% em Fevereiro. A média anual não deverá exceder em 1998 os 2%.

Moeda e taxas de juro
A oferta de moeda (M2) cresceu em Dezembro de 1997 à taxa anual de +8%. Dado a taxa de inflação ser relativamente baixa, ela significa que a política monetária tem procurado não impôr um grande espartilho ao crescimento da economia. Assim se compreende, em parte, as taxas de crescimento do PIB e do produto industrial acima referidas.

Taxa de câmbio e reservas cambiais
A taxa de câmbio é actualmente de TWD 32,7/US$, quando há um ano era de 27,6 por dólar americano, o que significa uma desvalorização de mais de 17%. Recorde-se que esta ocorre num quadro em que, aparentemente, ela não seria necessária devido à boa saúde da economia. Aliás, alguns observadores consideram que foi a esta desvalorização --- ela sim,verdadeiramente competitiva porque deliberada e não imposta pelo mercado --- que ajudou a criar no mercado um espírito que resultou no ataque ao dólar de Hong Kong no final de Outubro e que foi mais uma acha (e bem grande) para a fogueira em que já "ardiam" algumas economias do Sudeste Asiático e que veio a "queimar" (e de que maneira!...) também a Coreia.

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Última versão: 15 de Abril de 1998