RANKING É bom que se
tenha alterado o modo de apresentação pública dos resultados
dos exames do 12º ano. Porque não cabe ao Estado elaborar
quaisquer listas. Esta função compete aos diferentes
protagonistas, entre eles universidades, jornais, revistas ou
centros de investigação, que analisam a informação através dos
critérios que consideram mais importantes. Ao Estado cumpre
apresentar publicamente os dados, de um modo fácil de ler e
com total transparência. É bom que o Estado se limite a este
papel. Para que não aconteça, como no ano passado, em que
ficou a sensação de que o Estado apresentava um estudo que,
com maior ou menor rigor científico e através de uma
ponderação muito discutível, acabou por deturpar os
verdadeiros objectivos da publicação dos resultados dos
exames.
VANTAGENS A apresentação pública dos
resultados é importante a dois títulos: porque, no mesmo ano,
as escolas se podem comparar entre si. Mas também para que
cada escola, ao longo dos anos, se possa analisar a si
própria. Esta análise deve ser um elemento de reflexão, em
particular para a escola e para todos os seus responsáveis
pedagógicos, professores, pais, estudantes.
RESULTADOS Os resultados de um exame têm de
ser relativizados, uma vez que por si só não podem ser os
únicos indicadores a ponderar no funcionamento de uma escola.
No entanto, podem ser vistos como um indicador em simultâneo
do funcionamento da escola e da qualidade do trabalho
pedagógico do corpo docente. Mas são, sem dúvida, um indicador
da qualidade dos estudantes. Com estes critérios, o «ranking»
identifica, não a melhor escola, mas os estudantes com
melhores resultados. Importa, a partir daqui, perceber a razão
pela qual são aquelas escolas a ter os melhores alunos. É, sem
dúvida, difícil distinguir as diferentes componentes deste
processo. Mas, o que aconteceria se trocássemos os estudantes?
Trocando os alunos das primeiras dez escolas deste «ranking»
com os das últimas dez, o que aconteceria aos resultados?
Seguramente que, em muitos casos, os estudantes que
transitassem para as escolas colocadas nos dez primeiros
lugares, teriam resultados substancialmente melhores. Tal como
os estudantes que passassem das 10 primeiras para as 10 piores
não teriam resultados substancialmente piores.
ANÁLISE Vale a pena que quem pesquisa -
jornalistas ou investigadores - analise as escolas que têm
melhores resultados. As escolas privadas dominam as médias
gerais (90%, no primeiros dez lugares), mas há um grupo de
escolas públicas nos primeiros 30, que são estabelecimentos
grandes e que, mesmo assim, apresentam bons resultados. Vale a
pena perceber (nomeadamente na Matemática, com a qual os
portugueses têm uma relação difícil), a razão deste sucesso.
Porque terá o Colégio de São João de Brito ou o Valsassina tão
boas médias a Matemática? E as públicas Garcia de Orta, Filipa
de Lencastre, Portela, Dona Leonor, Pupilos do Exército ou
Herculano de Carvalho, como conseguem médias acima dos 13
valores?
MATEMÁTICA Os números confirmam o padrão de
mau desempenho na disciplina. Há 52 escolas com médias abaixo
dos 6 valores, tendo a última escola da lista uma média de 2,5
pontos. Com estes resultados, os pais e, em especial, os
alunos vão ter que interiorizar que não é facilitando que se
melhora. O que melhora os resultados é o trabalho, o esforço,
a disciplina e por vezes os sacrifícios que é necessário
fazer. Na Matemática têm de se fazer muitos exercícios, não
basta compreender os problemas. Não tenhamos receio de dizer
que para saber matemática é necessário estudar e estudar
muito.