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Pais Querem Que Governo Adie Exames do 9º Ano
Por BÁRBARA WONG COM I.L.
Quinta-feira, 21 de Outubro de 2004

Como vão ser os exames de 9º ano? Quanto vão valer na avaliação dos estudantes que estão a finalizar a escolaridade obrigatória? Vão incidir apenas sobre matéria de Português e Matemática do 9º ou sobre os últimos três anos? Ainda ninguém sabe. Por isso, e sobretudo por causa dos atrasos nas colocações de professores, a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) defende que sejam adiados para o próximo ano lectivo.

Também as associações de professores de Português e de Matemática têm algumas dúvidas sobre a entrada em vigor dos exames já este ano. A oposição junta-se ao coro de protestos, dizendo que em 2004/2005 não estão criadas as condições para a realização de exames no 9º ano.

Até agora - e ontem a ideia foi reforçada no Parlamento - a ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra, tem defendido que os atrasos são recuperáveis e que as soluções anunciadas pelo Ministério da Educação ajudarão a colmatar falhas.

As propostas já apresentadas passam pelo prolongamento das aulas durante dois dias no período de férias do Natal e Páscoa, pelo aumento dos tempos lectivos e apoios complementares, designadamente a Matemática e Português. A tutela diz-se, no entanto, disposta a aceitar outras soluções definidas pelas escolas.

Para que esse diagnóstico seja feito, as direcções regionais de Educação, em colaboração com elementos da Direcção-Geral do Desenvolvimento e Inovação Curricular, irão enviar questionários para os conselhos executivos e visitar os estabelecimentos de ensino onde vão realizar-se exames, explicou o secretário de Estado da Administração Educativa, José Manuel Canavarro.

Mesmo assim, ministra e secretário de Estado admitiram ontem que o assunto ainda está a ser analisado e que a posição da tutela não é definitiva.

David Justino anunciou que os finalistas do ensino obrigatório seriam sujeitos a avaliação nas disciplinas de Português e Matemática. A intenção era que funcionasse de forma semelhante aos exames de 12º ano - por isso, valeriam 30 por cento no cálculo da nota final. Contudo, não existe qualquer regulamentação. O atraso na colocação dos professores veio agravar o cenário, dizem os pais.

Os estudantes que, no ensino privado e nas escolas públicas, começaram as aulas a tempo estão em vantagem em relação aos que ainda hoje estão a conhecer os docentes, explica Albino Almeida, da Confap.

Mais: "É conveniente que professores e alunos conheçam as regras do jogo, antes de começar. Os estudantes vão submeter-se a exames que não sabem, neste momento, sobre que matéria vão incidir", acrescenta Fernando Nunes, da Associação de Professores de Matemática, para quem "não é correcto" fazê-los este ano.

"Cheque em branco

à equipa"

A oposição diz que Carmo Seabra já deu provas de que não está à altura de enfrentar mais este desafio. Para Ana Benavente, ex-secretária de Estado da Educação, do PS, "é óbvio" que os exames não podem entrar já em vigor. "Estamos a passar um cheque em branco a uma equipa que já revelou ser incapaz", justifica.

A deputada comunista Luísa Mesquita defende que as escolas, depois do turbilhão das colocações precisam de "estabilidade". "É uma questão de sanidade e bom-senso", sublinha.

Os professores de Português perguntam se o exame será só escrito ou também oral. "É tudo demasiado vago", queixa-se Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português. O assessor para a imprensa da tutela, Francisco de Mendia, diz que em "breve", vai sair a regulamentação dos exames.

"Queremos ver toda a gente mobilizada", avança o secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), João Dias da Silva, que está preocupado, mas dá o benefício da dúvida à equipa de Maria do Carmo Seabra. Dias da Silva diz que o ministério tem até ao final do primeiro período para apresentar as orientações e provas-modelo, de maneira a que os docentes possam trabalhá-las com os alunos.